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    <title>Marta Preuss — Blog</title>
    <link>https://martinha.online</link>
    <description>Dia a dia, hobbies, reflexões e nada com nada.</description>
    <language>pt-br</language>
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    <lastBuildDate>Fri, 15 May 2026 19:34:16 GMT</lastBuildDate>
    
    <item>
      <title>Deck de iPhone</title>
      <link>https://martinha.online/2026/05/15/deck-de-iphone/</link>
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      <pubDate>Fri, 15 May 2026 19:34:16 GMT</pubDate>
      <description>A crônica de quase trinta horas de impressão 3D para criar uma doca sob medida para o modo de espera do iPhone.</description>
      <content:encoded><![CDATA[<p>Essa impressão eu documentei no Mastodon e usei o <a href="https://estica.fedibr.info/?url=https%3A%2F%2Fursal.zone%2F%40martinha%2F116239768287744098&amp;theme=typewriter&amp;dark=0">Estica</a> para extrair os dados como Markdown e colocar aqui no blog.</p>
<!-- wp:table -->
<figure class="wp-block-table">
<table class="has-fixed-layout">
<tbody>
<tr>
<td><strong>Modelo</strong></td>
<td><a href="https://makerworld.com/pt/models/615378-iphone-standby-mode-dock-designed-with-overwerk#profileId-554565">Doca para Modo de Espera do iPhone (desenhada com a OVERWERK)</a></td>
</tr>
<tr>
<td><strong>Filamento</strong></td>
<td>PLA branco</td>
</tr>
<tr>
<td><strong>Tempo de Impressão</strong></td>
<td>29h30</td>
</tr>
<tr>
<td><strong>Hardware</strong></td>
<td>Impressora Creality Ender 3 V2 Spray adesivo para impressão 3D Cliever Macbook Air 2017</td>
</tr>
<tr>
<td><strong>Software</strong></td>
<td>Ultimaker Cura 3D Linux Mint</td>
</tr>
</tbody>
</table>
</figure>
<p style="text-align: left;">Aliás, antes de começar os posts em si, que não são grandes coisas, fiquem com o vídeo sobre esse modelo que me deixou absolutamente apaixonada:</p>
<p><iframe width="100%" height="400" src="https://www.youtube.com/embed/L3nWw8qSYgk?si=z6ZQz8FBHAMlFAHW" title="YouTube video player" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></p>
<p>&nbsp;</p>
<!-- /wp:table --><hr />
<h3><i>16 de março de 2026 às 13:21:44</i></h3>
<p>finalmente, depois de um ano e meio (?) comecei a imprimir o deck de iphone que eu queria. eu comprei o iphone por conta disso kkkkk (e claro que pq eu queria tbm né) expectativa de 13h para a base, fora o clicker para empurrar o aparelho. mas tô bem feliz, tá indo muito bem.</p>
<p><figure><img class="aligncenter wp-image-409 size-large" src="https://martinha.online/neuroses-cotidianas/wp-content/uploads/2026/05/1-576x1024.jpg" alt="impressora 3D com filamento branco imprimindo uma base retangular. tem círculos em volta, um na frente e dá pra ver dois atrás, onde crescerão os suportes para as partes que cairiam sem eles. deve ter 1cm de altura por enquanto." width="576" height="1024" /></figure></p>
<hr />
<h3><i>16 de março de 2026 às 13:23:32</i></h3>
<p>eu achei que minha impressora tava ruim mas era o filamento mesmo. teve um brinquedinho que imprimi que com os filamentos que eu tinha foram várias tentativas frustradas. Comprei filamento novo e foi de primeira. Tem jeito não.</p>
<hr />
<h3><i>16 de março de 2026 às 15:48:53</i></h3>
<p>Vamos de atualização em tempo real? A primeira foto foi tirada 13:09. A segunda, 15:44. Em duas horas e meia, cresceu 1,9cm de altura. a gente fica vendo reels de timelapse achando que imprimir 3D é rápido. não é não!</p>
<p><figure><img class="aligncenter wp-image-410 size-large" src="https://martinha.online/neuroses-cotidianas/wp-content/uploads/2026/05/2-576x1024.jpg" alt="" width="576" height="1024" /></figure></p>
<hr />
<h3><i>17 de março de 2026 às 08:47:41</i></h3>
<p>passou uma noite inteira. 21h30 imprimindo, 10cm de altura. 74% pronto. hoje acaba. to bem feliz que tá dando certo!</p>
<p><figure><img class="aligncenter wp-image-411 size-large" src="https://martinha.online/neuroses-cotidianas/wp-content/uploads/2026/05/3-576x1024.png" alt="" width="576" height="1024" /></figure></p>
<hr />
<h3><i>17 de março de 2026 às 16:21:19</i></h3>
<p>estamos nos finalmente</p>
<p><figure><img class="aligncenter wp-image-413 size-large" src="https://martinha.online/neuroses-cotidianas/wp-content/uploads/2026/05/4-576x1024.png" alt="" width="576" height="1024" /></figure></p>
<hr />
<h3><i>17 de março de 2026 às 17:16:29</i></h3>
<p>depois de 29h30, a impressão acabou ABSOLUTAMENTE PERFEITA os suportes foram um show à parte. coisa linda. meu iphone serviu milimetricamente. Não consigo desgrudar da mesa 😂 😂 😂</p>
<p><figure><img class="aligncenter wp-image-412 size-large" src="https://martinha.online/neuroses-cotidianas/wp-content/uploads/2026/05/5-576x1024.jpg" alt="" width="576" height="1024" /></figure></p>
<hr />
<h3><i>17 de março de 2026 às 17:37:11</i></h3>
<p>No further notes.</p>
<p><figure><img class="aligncenter wp-image-414 size-large" src="https://martinha.online/neuroses-cotidianas/wp-content/uploads/2026/05/7-576x1024.jpeg" alt="" width="576" height="1024" /></figure></p>
<hr />
<h3>Referências e Metadados</h3>
<ul>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1">URL Original: <a href="https://ursal.zone/@martinha/116239768287744098">https://ursal.zone/@martinha/116239768287744098</a></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1">Data: 16 de março de 2026 às 13:21:44</li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1">Servidor: ursal.zone</li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1">Acessado em: 15 de maio de 2026 às 15:54:02</li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1">Nome: marta :startrek:</li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1">Perfil: <a href="https://ursal.zone/@martinha">https://ursal.zone/@martinha</a></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1">Pronomes: Ela/Dela</li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1">Localidade: Florianópolis/SC</li>
</ul>
<p><em>Documento gerado via Estica (estica.fedibr.info). Esta ferramenta expande fios/threads públicos do Fediverso, preservando sua estrutura semântica. Apenas posts públicos foram obtidos. O conteúdo pertence aos autores originais, e esta expansão não deve ser publicada ou compartilhada sem verificar se há autorização expressa por parte de todos eles.</em>  </p>]]></content:encoded>
    </item>
    
    <item>
      <title>Três anos em três meses</title>
      <link>https://martinha.online/2026/05/13/tres-anos-em-tres-meses/</link>
      <guid isPermaLink="true">https://martinha.online/2026/05/13/tres-anos-em-tres-meses/</guid>
      <pubDate>Wed, 13 May 2026 14:37:03 GMT</pubDate>
      <description>O relato do desgaste físico e mental provocado por meses de reforma emergencial no muro de casa e a sensação de sobrevivência pós-obra.</description>
      <content:encoded><![CDATA[<!-- wp:paragraph -->
<p>Quando eu era criança e estudei os cinquenta anos em cinco do Kubitschek pensei "cara, o brother jamais conseguiria essa façanha". Mas agora eu sou adulta e posso dizer com propriedade que três meses* de obra roubaram três anos da nossa energia vital, sim.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>(* nem durou tudo isso, foram 3 meses de dor de cabeça mas nem 40 dias de obra)</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>O muro que divide nossa casa com o terreno ao lado, desocupado, já estava se inclinando pro lado do vizinho quando a gente comprou a casa ano passado, mas até aí tudo bem. Isso mudou em dezembro, quando um ciclone fez com que o muro rachasse ainda mais e um buraco abrisse do nosso quintal para o terreno ao lado, que além de ser mais baixo, ainda foi escavado.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Chamamos até a defesa civil, que nada pode fazer dado que os terrenos são particulares. Apenas nos orientaram, o que já foi de grande valia. Fiizemos dois orçamentos e ficamos chocados com o valor. Tentamos acionar o seguro para que eles arcassem com os custos, mas não aceitaram, alegando dano estrutural prévio ao ciclone. O muro é apenas nosso, não é do vizinho.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:jetpack/tiled-gallery {"columns":3,"columnWidths":[["33.33333","33.33333","33.33333"]],"ids":[387,385,386]} -->
<div class="wp-block-jetpack-tiled-gallery aligncenter is-style-rectangular"><div class=""><div class="tiled-gallery__gallery"><div class="tiled-gallery__row"><div class="tiled-gallery__col" style="flex-basis:33.33333%"><figure class="tiled-gallery__item"><img alt="" data-height="2560" data-id="387" data-link="/?attachment_id=387" data-url="/wp-content/uploads/2026/03/IMG_6313-576x1024.jpg" data-width="1440" src="https://i0.wp.com/martinha.online/neuroses-cotidianas/wp-content/uploads/2026/03/IMG_6313-576x1024.jpg?ssl=1" data-amp-layout="responsive"/></figure></div><div class="tiled-gallery__col" style="flex-basis:33.33333%"><figure class="tiled-gallery__item"><img alt="" data-height="2560" data-id="385" data-link="/?attachment_id=385" data-url="/wp-content/uploads/2026/03/IMG_6314-576x1024.jpg" data-width="1440" src="https://i0.wp.com/martinha.online/neuroses-cotidianas/wp-content/uploads/2026/03/IMG_6314-576x1024.jpg?ssl=1" data-amp-layout="responsive"/></figure></div><div class="tiled-gallery__col" style="flex-basis:33.33333%"><figure class="tiled-gallery__item"><img alt="" data-height="2560" data-id="386" data-link="/?attachment_id=386" data-url="/wp-content/uploads/2026/03/IMG_6315-576x1024.jpg" data-width="1440" src="https://i0.wp.com/martinha.online/neuroses-cotidianas/wp-content/uploads/2026/03/IMG_6315-576x1024.jpg?ssl=1" data-amp-layout="responsive"/></figure></div></div></div></div></div>
<!-- /wp:jetpack/tiled-gallery -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Felizmente, um dos orçamentos coube no bolso, raspando bem o tacho das economias. Encontramos esse engenheiro que trabalha com o mestre de obras que faziam tudo, do começo ao fim. </p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>O começo acho que foi a pior parte. Era necessário destruir o muro existente (isso foi satisfatório) e cavar uma vala funda, mais de um metro, um metro e meio, para fazer o que chamam de sapata. Isso segura o muro embaixo da terra, para que ele fique firme na parte de cima. Nessa de fazer esse buraco choveu, e a areia e brita escorreram pelo buraco. Perdemos nosso corredor lateral, porque tudo ia para o vizinho. Pra piorar, um cano de água quebrou várias vezes pelo peso da terra. Ficamos sem água inclusive em um final de semana com todo mundo com virose.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Com mais pessoas, o trabalho ingrato andou mais rápido. E depois que essa parte inicial e subterrânea foi feita, ficamos mais sossegados. O muro subiu, foi rebocado e pintado dentro do prazo estipulado. A equipe foi muito educada, galera responsável, pegavam duro todo dia e mandaram muito bem.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Mas foi, naturalmente, muito difícil. A gente não conseguiu continuar trabalhando na edícula (nosso escritório) por conta da poeira e porque era o banheiro dos guris, que entupiu e teve problemas com os canos de água. Então precisamos trabalhar na casa, que ficou entulhada. Na primeira semana ainda consegui trabalhar na mesa da cozinha, mas depois a tendinite gritou e precisei da minha mesa. A cama de casal que fica na edícula para as visitas já estava no quarto da criança. Tudo muito apertado e cheio de tralha.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Barulho todo dia o dia inteiro. A betoneira parecia que tinha sincronização com meu Google Meet e ligava cada vez que eu entrava em reunião. Muito calor, lá em cima não tem ar condicionado, só ventilador. Preocupada com os guri embaixo do sol quente. Poeira por tudo. Sujeira por tudo. Barulho. Gasto. </p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Nos últimos dias o som parecia que era uma broca de dentista dentro da minha cabeça e eu me senti na cadeira do dentista o dia todo: super tensa. Teve dia que eu dormindo fui rodar os ombros pra trás e não dava porque eles já estavam em cima, grudados nas orelhas. Eu com dor sempre, super estimulada sempre, irritada sempre. Foi um longo mês.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Quando acabou, que eu fui ver a edícula de novo, tava só o pó. Tiramos TUDO. Eu lavei de cima a baixo com a mangueira de alta pressão. As paredes escorriam pó e sujeira.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Agora já está tudo no lugar. O muro foi feito. Estou de volta no escritório. Limpei a impressora 3D de novo e comprei filamento novo -- tem um projetinho no forno. Sexta, sábado e domingo (hoje) foram dias muito mais leves e eu me senti melhor, sem a vontade de largar tudo e sair correndo que eu tava antes.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Eu acho que não tenho resiliência nenhuma. Qualquer coisinha quero sair correndo. Só que apesar de querer, eu fico, e faço, e sobrevivo. Vai ver que resiliência é isso, e não "não sentir". Definitivamente não era isso que eu esperava quando comprei a casa. Eu esperava obras, sim, mas obras do tipo "quis mudar minha cozinha e quebrei tudo, foi chato mas agora tenho uma cozinha show". Fazer muro externo porque tava caindo não era uma grande prioridade, e o tempo todo eu sentia que não valia a pena mas que não tinha opção.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Deu tudo certo e tudo que eu peço são seis meses de paz. Só isso.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:separator -->
<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>
<!-- /wp:separator -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Escrevi esse texto dois meses atrás e não publiquei porque me faltaram algumas fotos para ilustrar o processo. Não vou atrás delas agora, apesar de ter. Preguiça.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Vendo da ótica de dois meses depois: que drama. Foi só uma obra. Foi chato, me deu uns cabelos brancos? Sim. Gastamos uma baita grana e ainda estamos tentando juntar de novo? Naturalmente. Mas o muro tá lá pronto e fim de papo. Precisava fazer, fizemos, fim.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Choradeira.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Vou publicar porque tô atualizando meu site e não quero ficar com post no rascunho. As coisas voltaram a fluir.</p>
<!-- /wp:paragraph -->]]></content:encoded>
    </item>
    
    <item>
      <title>Gatinho articulado de Halloween</title>
      <link>https://martinha.online/2026/01/27/gatinho-articulado-de-halloween/</link>
      <guid isPermaLink="true">https://martinha.online/2026/01/27/gatinho-articulado-de-halloween/</guid>
      <pubDate>Tue, 27 Jan 2026 19:54:35 GMT</pubDate>
      <description>Os detalhes de fatiamento, impressão e pintura de gatinhos articulados feitos em 3D como um gesto de carinho para uma amiga.</description>
      <content:encoded><![CDATA[<!-- wp:paragraph -->
<p>Quando desbloqueia o hobbie do 3D, ele volta com tudo. Nessa semana temos um carinho para uma amiga de luto.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:table -->
<figure class="wp-block-table"><table class="has-fixed-layout"><tbody><tr><td><strong>Modelo</strong></td><td><a href="https://makerworld.com/pt/models/1813944-halloween-spooky-cat-articulated-keychain?from=search#profileId-1935462">Gato Assustador de Halloween - Articulado &amp; Chaveiro</a></td></tr><tr><td><strong>Filamento</strong></td><td>PLA preto, roxo e branco</td></tr><tr><td><strong>Tempo de Impressão</strong></td><td>1h45min cada (fiz 4)</td></tr><tr><td><strong>Hardware</strong></td><td>Impressora Creality Ender 3 V2<br>Removedor de umidade de filamento Sovol 3D<br>Spray adesivo para impressão 3D Cliever<br>Tinta PVA, tinta a óleo, caneta POSCA branca<br>Macbook Air 2017</td></tr><tr><td><strong>Software</strong></td><td>Cura 3D<br>Ubuntu</td></tr></tbody></table></figure>
<!-- /wp:table -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Achei meu adaptador SD Card! Isso é ótimo porque posso só fatiar no computador e colocar no card, evitando erros de comunicação e evitando deixar mais um dispositivo ligado sem necessidade.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Também voltei para as configurações padrão do Cura, alterando apenas itens pontuais como velocidade da retração do filamento e tamanho da retração. Não mudei a temperatura. Vi que do jeito que está exportando, já está menos quente nas camadas finais,  o que é o ideal.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Deixei o gatinho imprimindo durante a noite, mas a impressão é bem mais rápida do que foi a do Pikachu. Fiquei muito surpresa com a qualidade quando fui pegar: as articulações estavam completamente soltas, móveis. Sinal que o perfil realmente funcionou bem. E que secar o filamento também deu certo. </p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Quando fui fazer outra cor, precisei re-calibrar a mesa, mas uma vez só. Fiquei mudando a máquina de lugar, e isso pode afetar a calibragem mesmo. Com um papel foi rápido de fazer. Já sofri mais por isso no passado.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Também decidi fazer sem brim, sem colar na mesa. Como ele tem muitas articulações, fiquei com receio que tirar isso ia ficar ruim. E deu boa, a cola que estou usando pra minha base segurou bem. (minha base tá bem sofrida e já não gruda mais sozinha).</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:gallery {"linkTo":"none"} -->
<figure class="wp-block-image size-large"><img src="https://martinha.online/neuroses-cotidianas/wp-content/uploads/2026/01/IMG_6897.jpg" alt="" class="wp-image-343"/></figure>
<!-- /wp:image -->
<!-- wp:image {"id":341,"sizeSlug":"large","linkDestination":"none"} -->
<figure class="wp-block-image size-large"><img src="https://martinha.online/neuroses-cotidianas/wp-content/uploads/2026/01/IMG_6896.jpg" alt="" class="wp-image-341"/></figure>
<!-- /wp:image -->
<!-- wp:image {"id":345,"sizeSlug":"large","linkDestination":"none"} -->
<figure class="wp-block-image size-large"><img src="https://martinha.online/neuroses-cotidianas/wp-content/uploads/2026/01/IMG_6901.jpg" alt="" class="wp-image-345"/></figure>
<!-- /wp:image -->
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<!-- /wp:image -->
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<figure class="wp-block-image size-large"><img src="https://martinha.online/neuroses-cotidianas/wp-content/uploads/2026/01/IMG_6935.jpg" alt="" class="wp-image-356"/></figure>
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<!-- wp:image {"id":355,"sizeSlug":"large","linkDestination":"none"} -->
<figure class="wp-block-image size-large"><img src="https://martinha.online/neuroses-cotidianas/wp-content/uploads/2026/01/IMG_6934.jpg" alt="" class="wp-image-355"/></figure>
<!-- /wp:image -->
<!-- wp:image {"id":357,"sizeSlug":"large","linkDestination":"none"} -->
<figure class="wp-block-image size-large"><img src="https://martinha.online/neuroses-cotidianas/wp-content/uploads/2026/01/IMG_6936.jpg" alt="" class="wp-image-357"/></figure>
<!-- /wp:gallery -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Dessa vez peguei meu kit de lixar para dar um acabamento melhor na peça. Ainda teve um pouco de string no final, mas bem menos. Dei só algumas lixadinhas pontuais. Foi bom para sentir a ferramenta também. Ela já veio quando eu comprei a impressora do meu amigo e não usei muito.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Meu primeiro teste de pintura foi com uma caneta POSCA porque os ossinhos dele são muito pequenos, mas depois fiz com tinta e pincel também, pelo mesmo motivo. Não deu tão certo quanto eu gostaria, então comprei pincéis novos e bem fininhos. Meu filho quis um mas não da cor que eu já tinha, que era roxo; queria preto. Fiz o roxo, fiz o preto, e dois brancos para pintar com manchinhas laranjas como o Thorzinho da minha amiga.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Thorzinho foi um gatinho tão amado. Ele era super sociável, fofo, daqueles que vem no colo da visita e baba quando recebe muito carinho. Infelizmente um câncer agressivo tirou ele das nossas vidas, apesar de todo cuidado que a Carol e o Felipe, seus donos, tiveram com ele. Foi muita quimioterapia, remédio, churu e carinho. Thorzinho foi tão cuidado quanto foi amado e sentiremos saudade. </p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Não pense que é um presente de mal gosto: eles são meio góticos e trevosos e acho que tem tudo a ver. Espero que gostem. Sempre vão carregar o Thorzinho com eles, mas agora em forma de chaveiro também.</p>
<!-- /wp:paragraph -->]]></content:encoded>
    </item>
    
    <item>
      <title>Pikachu com pijama de Stitch</title>
      <link>https://martinha.online/2026/01/19/pikachu-com-pijama-de-stitch/</link>
      <guid isPermaLink="true">https://martinha.online/2026/01/19/pikachu-com-pijama-de-stitch/</guid>
      <pubDate>Mon, 19 Jan 2026 17:14:56 GMT</pubDate>
      <description>A estreia da categoria de hobbies no blog com o relato de impressão 3D e pintura de uma miniatura de Pikachu com pijama de Stitch.</description>
      <content:encoded><![CDATA[<!-- wp:paragraph -->
<p>Estreando a categoria de hobbies aqui no blog. Queria um lugar para colocar as coisas que faço por diversão, e acho que aqui é o melhor lugar. Já está instalado, lida bem com imagens, posso expandir com texto caso necessário.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:table -->
<figure class="wp-block-table"><table class="has-fixed-layout"><tbody><tr><td><strong>Modelo</strong></td><td><a href="https://www.printables.com/model/1546379-pikachu-in-stitch-costume/files">Pikachu in Stitch costume</a></td></tr><tr><td><strong>Filamento</strong></td><td>PLA amarelo</td></tr><tr><td><strong>Tempo de Impressão</strong></td><td>mais de 10 horas</td></tr><tr><td><strong>Hardware</strong></td><td>Impressora Creality Ender 3 V2<br>Removedor de umidade de filamento Sovol 3D<br>Spray adesivo para impressão 3D Cliever<br>Tinta PVA e tinta a óleo<br>Macbook Air 2017 </td></tr><tr><td><strong>Software</strong></td><td>Cura 3D<br>Ubuntu</td></tr></tbody></table></figure>
<!-- /wp:table -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>A impressora estava parada há mais de um ano e eu confesso que estava com bastante receio de voltar a usar. Eu queria levar em algum lugar especializado para dar manutenção. Mas <a href="https://www.youtube.com/watch?v=-8mjeZGHpV4">um vídeo no youtube</a> e um pincel pra tirar a poeira depois, me senti mais confiante.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Eu também estava com receio de usar o Ubuntu. Até então minhas melhores experiências imprimindo 3D tinham sido no MacOS. Mas o <a href="https://curaslicer.com/">Cura</a> funciona no Ubuntu igualzinho nos outros sistemas. Tive um soluço para conectá-la usando USB (não obrigatório, mas não sei onde está meu adaptador SD) mas a internet ajudou. No meu caso era conflito com ModemManager e os comandos abaixo resolveram:</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:code -->
<pre class="wp-block-code"><code>sudo systemctl stop ModemManager
sudo systemctl disable ModemManager</code></pre>
<!-- /wp:code -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Não tive nenhum problema de comunicação depois disso, mas deixei o computador e a tela ligados.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:separator -->
<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>
<!-- /wp:separator -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Fotos do processo e do modelo finalizado:</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:gallery {"linkTo":"none"} -->
<figure class="wp-block-image size-large"><img src="https://martinha.online/neuroses-cotidianas/wp-content/uploads/2026/01/WhatsApp-Image-2026-01-19-at-14.09.02-576x1024.jpeg" alt="" class="wp-image-328"/></figure>
<!-- /wp:image -->
<!-- wp:image {"id":325,"sizeSlug":"large","linkDestination":"none"} -->
<figure class="wp-block-image size-large"><img src="https://martinha.online/neuroses-cotidianas/wp-content/uploads/2026/01/WhatsApp-Image-2026-01-19-at-14.09.03-576x1024.jpeg" alt="" class="wp-image-325"/></figure>
<!-- /wp:image -->
<!-- wp:image {"id":327,"sizeSlug":"large","linkDestination":"none"} -->
<figure class="wp-block-image size-large"><img src="https://martinha.online/neuroses-cotidianas/wp-content/uploads/2026/01/WhatsApp-Image-2026-01-19-at-14.09.02-1-576x1024.jpeg" alt="" class="wp-image-327"/></figure>
<!-- /wp:image -->
<!-- wp:image {"id":326,"sizeSlug":"large","linkDestination":"none"} -->
<figure class="wp-block-image size-large"><img src="https://martinha.online/neuroses-cotidianas/wp-content/uploads/2026/01/WhatsApp-Image-2026-01-19-at-14.09.02-2-576x1024.jpeg" alt="" class="wp-image-326"/></figure>
<!-- /wp:image -->
<!-- wp:image {"id":330,"sizeSlug":"large","linkDestination":"none"} -->
<figure class="wp-block-image size-large"><img src="https://martinha.online/neuroses-cotidianas/wp-content/uploads/2026/01/WhatsApp-Image-2026-01-19-at-14.03.11-1-576x1024.jpeg" alt="" class="wp-image-330"/></figure>
<!-- /wp:image -->
<!-- wp:image {"id":329,"sizeSlug":"large","linkDestination":"none"} -->
<figure class="wp-block-image size-large"><img src="https://martinha.online/neuroses-cotidianas/wp-content/uploads/2026/01/WhatsApp-Image-2026-01-19-at-14.03.12-576x1024.jpeg" alt="" class="wp-image-329"/></figure>
<!-- /wp:gallery -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Algumas coisas que aprendi nessa impressão:</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:list -->
<ul class="wp-block-list"><!-- wp:list-item -->
<li>Preciso melhorar alguma configuração pq está fazendo muito "string", vou ver se alguma <a href="https://www.simplify3d.com/resources/print-quality-troubleshooting/stringing-or-oozing/">dica aqui</a> resolve. Eu confesso que fiz essas configurações com a ajuda de uma LLM e não me surpreende que tenha ficado pior que antes. Vou voltar para o padrão e ir mexendo aos poucos e testando. Pode ser temperatura também. </li>
<!-- /wp:list-item -->
<!-- wp:list-item -->
<li>Vital preparar a peça antes da pintura. Lixar, tirar tudo os "machucadinhos". Eu nem ia pintar isso, e deixei mutas strings ainda em vez de lixar. Teria um acabamento muito melhor sem isso e nem ia ser tão difícil de fazer.</li>
<!-- /wp:list-item -->
<!-- wp:list-item -->
<li>Preciso ver se acho uma boa tinta base. Tem uma papelaria que fui que tinha uma de acrílico. Pintar a peça de branco com tinta PVA funcionou muito bem, talvez eu mantenha isso. Foram duas demãos antes da tinta a óleo, e cobriu muito bem além de secar rápido. </li>
<!-- /wp:list-item --></ul>
<!-- /wp:list -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Fiquei muito feliz com o processo e com o resultado. Óbvio que não tá perfeito, mas ver com essa ótica de fazer algo com as mãos, se divertir, observar e aprender, é uma delícia. E isso faz a peça ficar bonita, porque traz a energia dessa criação carinhosa.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Acho que graduei mais uma faixa na terapia com essa aí.</p>
<!-- /wp:paragraph -->]]></content:encoded>
    </item>
    
    <item>
      <title>São Paulo, 26 de dezembro de 2025</title>
      <link>https://martinha.online/2025/12/29/sao-paulo-26-de-dezembro-de-2025/</link>
      <guid isPermaLink="true">https://martinha.online/2025/12/29/sao-paulo-26-de-dezembro-de-2025/</guid>
      <pubDate>Mon, 29 Dec 2025 19:15:57 GMT</pubDate>
      <description>Um olhar nostálgico e atento sobre a arquitetura e os detalhes cotidianos de São Paulo dez anos após deixar a cidade.</description>
      <content:encoded><![CDATA[<!-- wp:paragraph -->
<p>Eu acho que meu ranço por essa cidade diminuiu um pouco nessa viagem. Acho que a visão aberta pelo aulão de Subvertendo o Design ainda está rendendo, e eu observo coisas que estavam mescladas na normalidade da vida que eu tinha quando morava aqui. Agora, 10 anos depois, vejo detalhes que não via antes. Sinto o calor de forma diferente na pele. Não voltaria, mas não odeio. Observo como quem vai fazer um desenho, como quem tem curiosidade. É bom. É positivo.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Estou hospedada numa parte classe média da zona leste que ainda tem algumas casinhas entre os prédios tentando resistir à especulação imobiliária. Algumas cederam, tem placas de "vendido!" e "em breve, empreendimento aqui". Me chama a atenção o pouco espaço de quintal: tudo é fechado, tudo é murado alto. Não é assim onde eu moro. Meu portão é de enfeite e vai cair logo. Que nem dente de leite.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Eu evito tirar fotos na rua porque tenho medo que alguém passe correndo e pegue meu celular. Não vi indícios disso. Vi grades nas janelas, todas. Pensei que ninguém espera ser assaltado para fazer isso. Uma pessoa é assaltada, ou mesmo tem medo, e gradeia suas janelas; a próxima não espera ser vítima, e gradeia também. E de repente o bairro todo parece um monte de gaiolas. </p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:image {"id":300,"sizeSlug":"large","linkDestination":"none"} -->
<figure class="wp-block-image size-large"><img src="https://martinha.online/neuroses-cotidianas/wp-content/uploads/2025/12/image-4-1024x456.png" alt="" class="wp-image-300"/></figure>
<!-- /wp:image -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Não sei, estou especulando pela minha vivência pessoal. Não sei se é ou não é perigoso; fico atenta porque sei que não estou em casa. E acho que tem isso também. Mesmo quando São Paulo era minha casa, nunca senti que podia relaxar, baixar a guarda. Eu estava acostumada porque minha casa também era esse lugar ansioso, de nunca deixar a máscara cair. Mas depois que a gente acostuma a ter um lugar pra voltar e se soltar, relaxar, é diferente. Como um gato de rua que aprende a exibir a barriga.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Como não tirei as fotos, segue uns prints do maps. Essa foto é de 2018. Não tem mais o orelhão:</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:image {"id":296,"sizeSlug":"full","linkDestination":"none","align":"center"} -->
<figure class="wp-block-image aligncenter size-full"><img src="https://martinha.online/neuroses-cotidianas/wp-content/uploads/2025/12/image-1.png" alt="" class="wp-image-296"/></figure>
<!-- /wp:image -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Eu acho uma graça o castelinho. A marquise. Floripa não tem marquise, quando chove você molha, no sol você cozinha. Em São Paulo, tem. Mas não alivia. O calor de Floripa vem de cima e fica no corpo suado. O de São Paulo é seco, vem do asfalto. O corpo seca, mas a garganta também seca e os passos são pesados.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Em uma casa de esquina, no quintal, tinha um lago artificial com peixes reais. Minha criança ficou muito impressionada: "mamãe, peixes da vida real!". Eu também me surpreendi de achar peixes do mais absoluto nada, no meio de um monte de casinhas velhas e prédios.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Alguns azulejos ainda tentam sobreviver contra as caixas cinzas de 30 andares.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:columns -->
<div class="wp-block-columns"><!-- wp:column -->
<div class="wp-block-column"><!-- wp:image {"id":297,"sizeSlug":"full","linkDestination":"none"} -->
<figure class="wp-block-image size-full"><img src="https://martinha.online/neuroses-cotidianas/wp-content/uploads/2025/12/image-2.png" alt="" class="wp-image-297"/></figure>
<!-- /wp:image -->
<!-- wp:paragraph -->
<p> </p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:image {"id":305,"aspectRatio":"0.5625028134143597","sizeSlug":"large","linkDestination":"none"} -->
<figure class="wp-block-image size-large"><img src="https://martinha.online/neuroses-cotidianas/wp-content/uploads/2025/12/IMG_6583-576x1024.jpg" alt="" class="wp-image-305" style="aspect-ratio:0.5625028134143597"/></figure>
<!-- /wp:image --></div>
<!-- /wp:column -->
<!-- wp:column -->
<div class="wp-block-column"><!-- wp:image {"id":298,"sizeSlug":"full","linkDestination":"none"} -->
<figure class="wp-block-image size-full"><img src="https://martinha.online/neuroses-cotidianas/wp-content/uploads/2025/12/image-3.png" alt="" class="wp-image-298"/></figure>
<!-- /wp:image -->
<!-- wp:paragraph -->
<p> </p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:image {"id":306,"sizeSlug":"full","linkDestination":"none"} -->
<figure class="wp-block-image size-full"><img src="https://martinha.online/neuroses-cotidianas/wp-content/uploads/2025/12/2025-12-29_16-14.png" alt="" class="wp-image-306"/></figure>
<!-- /wp:image --></div>
<!-- /wp:column --></div>
<!-- /wp:columns -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Me impressiona porque eles parecem ter o quê, uns 30 anos ou mais? 40 anos? E estão todos ali, quase intactos. Tem prédio novo em Floripa que em 5 anos já teve que trocar tudo esses revestimentos. E olha os padrões, que gracinha!</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:image {"id":301,"sizeSlug":"full","linkDestination":"none"} -->
<figure class="wp-block-image size-full"><img src="https://martinha.online/neuroses-cotidianas/wp-content/uploads/2025/12/image-5.png" alt="" class="wp-image-301"/></figure>
<!-- /wp:image -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Algumas casinhas germinadas tentam segurar suas origens apesar das modificações dos andares de baixo. As bordas das janelas tentando sobreviver ao tempo. Eu acho charmoso, ainda mais numa era onde tudo virou caixinha de remédio. Essa fachada da foto parecem todos os níveis de história que uma fachada dessa pode trazer: o passado no meio com janela de madeira; o presente, à esquerda, com alumínio; e o futuro desgastado e abandonado à direita, com o mato tomando conta.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Não tem jeito: os olhos são uma parte pequena do processo de ver. Quem enxerga mesmo é o coração.</p>
<!-- /wp:paragraph -->]]></content:encoded>
    </item>
    
    <item>
      <title>Florianópolis, 12 de dezembro de 2025</title>
      <link>https://martinha.online/2025/12/12/florianopolis-12-de-dezembro-de-2025/</link>
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      <pubDate>Fri, 12 Dec 2025 18:43:33 GMT</pubDate>
      <description>Uma volta ao blog após meses de silêncio para refletir sobre mudanças de emprego, esgotamento e a maturidade de impor limites firmes.</description>
      <content:encoded><![CDATA[<!-- wp:paragraph -->
<p>Eu hibernei? Faz seis meses que não escrevo aqui. Também não escrevo em diários pessoais nem nada, só em micro-blog. Eu fiquei muito tempo sem ler. Gastando muita energia para sobreviver. Não sobrou muito pra cá. Esse blog é o que vaza. </p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p><em>(Sim, isso mesmo: estou evitando fazer uma tarefa que estou com dificuldade e vir fazer outra coisa não relacionada, como adivinhou?)</em></p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Está tudo bem. Mudei de emprego. Voltei a fazer exercício. Tirei uns descansos. Fiquei doente. Tive 3 conjuntivites esse ano. Muitos resfriados. Teve até a vez que eu estourei uma veia de dentro do ouvido apenas assoando o nariz. Top 5 dores da vida.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Na semana passada fiz um aulão de <a href="https://hotmart.com/pt-br/marketplace/produtos/aulao-subverter-o-design/J100022663P">Subvertendo o Design</a> com a <a href="https://paulacruz.com.br/">Paula Cruz</a> que mudou minha vida. Como pode 6h de conteúdo consolidarem todas as sementes que vinham crescendo nos últimos anos aqui na minha cabeça? Quase como uma colheita de frutos. Alguém, vários alguéns, plantaram várias sementinhas 10, 15 anos atrás; e esse final de semana eu colhi e agora acho que vou fazer umas geléias, uns bolos. Uns posts no blog. Umas fotos, desenhos.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Isso também me incentivou a voltar a ler. Mas ainda tá difícil ler. Ando muito cansada. Trabalhando bastante. Desinstalei Tiktok e Reddit: eles me deixavam com raiva e insegura, eu me sentia remando sempre contra uma maré que não existe. O contrário de comunidade. Troquei por joguinhos desses de combinar gemas, que me permitem não prestar atenção nem no jogo, nem na tv, nem na pessoa que está tentando falar comigo, e principalmente nos meus próprios pensamentos.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Os pensamentos melhoram e pioram. Exercício ajuda. Porque quando você precisa contar até 12 (se der, 15) e depois marcar quando acabou e esperar um minuto passar, não consigo me concentrar em outra coisa, senão me perco (acontece). Mesma coisa dirigir a moto: se eu começo a divagar e conversar na minha cabeça, não presto atenção na rua. Preciso me forçar a focar.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:separator -->
<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>
<!-- /wp:separator -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Tenho conseguido dizer mais "nãos". Não posso dizer "estou aprendendo a dizer não" porque já sei que preciso. Agora estou conseguindo efetivamente olhar para uma dor de cabeça e falar "hmmm não". Ou estar em uma dor de cabeça e falar "Olha, meu limite é aqui. Daqui vamos precisar procurar outra alternativa. Não consegui fazer."</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>E mais importante: esses nãos estão me trazendo realmente a sensação de alívio.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Talvez um dia eu também sinta a sensação de realização depois de fazer alguma coisa.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:image {"id":284,"sizeSlug":"full","linkDestination":"none"} -->
<figure class="wp-block-image size-full">
<img src="https://martinha.online/neuroses-cotidianas/wp-content/uploads/2025/12/image.png" alt="Quadro 1 - Close no rosto de uma moça sorridente usando rabo de cavalo. Ela está pensando &quot;Finalmente vou sentir o gostinho da vitória&quot; Quadro 2 - Ela abaixa a cabeça e alguém coloca uma medalha de ouro nela Quadro 3 - Ela faz uma expressão de nojo como se tivesse acabado de tomar um remédio bem ruim último quadro - Close na medalha que ela está segurando, na qual podemos ler &quot;feito com preparado sabor vitória&quot;" />
<figcaption class="wp-element-caption"><a href="https://www.catarse.me/linhadotrem" data-type="link" data-id="https://www.catarse.me/linhadotrem">Quadrinho de  Linha do Trem</a></figcaption>
</figure>
<!-- /wp:image -->
<br>
<!-- wp:paragraph -->
<p>A última crise que eu tive -- além da de tédio e a de estética -- foi aquele vídeo que mostra um copo de coca-cola embaixo da torneira ficando cada vez mais claro e limpo, mas ainda demora muito. "Ain porque o processo é assim, aos poucos. Demora". Eu entrei numa vibe "se depende só de mim, então deixa. Desisto.".</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>E acho que desisti mesmo de algumas coisas. Tô vendo o preço das outras. Fiquei mais chata (ainda), pedindo mais coisas no trabalho, enchendo o saco. Fiquei mais vulnerável, dizendo que não consigo. Tirei o corpo fora quando o problema claramente não era meu. Coisas que eu evitava fazer antes porque o preço de ser aceita a todo custo ficou alto demais pra mim, então estou experimentando o preço de não ser. Sempre não fui né, não tem como; mas pró-ativamente não ser aceita faz com que, ironicamente, a gente seja mais aceita.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Ou pelo menos, é menos caro. Já que não vou ser de qualquer maneira.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:separator -->
<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>
<!-- /wp:separator -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Estou em processo de largar o Bluesky porque a moderação é babaca. Estou no Mastodon. Estou usando Ubuntu no trabalho e no computador pessoal. Ainda apaixonada pela Apple, sim; quero comprar um computador novo. Mas tem outros gastos na frente.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Apesar de todos os nãos que disse, ainda disse alguns sins que eu não queria fazer. Mas disse com sinceridade. Não quero fazer isso, mas vou fazer porque acho que é mais importante. Madura demais. Um horror. Vou sair daqui, malhar e cometer um méqui pra lidar.</p>
<!-- /wp:paragraph -->]]></content:encoded>
    </item>
    
    <item>
      <title>Os cuspes que caem na nossa testa</title>
      <link>https://martinha.online/2025/07/13/os-cuspes-que-caem-na-nossa-testa/</link>
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      <pubDate>Mon, 14 Jul 2025 00:56:07 GMT</pubDate>
      <description>Como a maternidade real desmontou todas as minhas certezas teóricas sobre parto, amamentação, sono infantil e rotina familiar.</description>
      <content:encoded><![CDATA[<!-- wp:paragraph -->
<p>Quando eu engravidei, caíram por terra várias percepções que eu tinha como óbvias sobre a vida. E isso segue acontecendo com uma frequência aterradora.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Primeiro que eu achava que engravidava quem queria, porque temos anticoncepcional, camisinha, tantos recursos. Tal qual <a href="https://www.almg.gov.br/comunicacao/noticias/arquivos/Mais-da-metade-das-gestacoes-no-Brasil-nao-e-planejada/">55% das gravidezes no Brasil</a>, a minha não foi planejada.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Eu sentia que o parto normal era melhor e mais barato; que as mulheres sofriam e que no SUS o parto era sempre normal, mesmo que a mulher não quisesse. Descobri que <a href="https://www.youtube.com/watch?v=wtAVWytZHRY">o parto normal é o melhor para a mulher e o bebê</a> e que geralmente não é questão de escolha: <a href="https://oglobo.globo.com/saude/noticia/2024/05/06/parto-normal-taxa-de-cesareas-segue-em-alta-no-brasil-entenda-os-motivos.ghtml">na rede privada, 82% dos partos são cesarianas</a>, e no <a href="https://www.unasus.gov.br/noticia/gestantes-com-planos-de-saude-buscam-sus-para-parto-normal">SUS, 40%</a>.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Achei que as pessoas amamentavam, sei lá, até um ano. Que a maioria das pessoas amamentava. A <a href="https://www.agazeta.com.br/revista-ag/vida/a-media-de-amamentacao-integral-no-brasil-e-de-apenas-54-dias-0920">duração média da amamentação no Brasil é de 54 dias</a>.  Com a volta ao trabalho aos 4 meses da criança, a maioria das mães não tem apoio para extrair leite materno e mantê-lo seguro: a fórmula entra. Fora que amamentar não é trivial, óbvio. É dolorido, cansativo, nas primeiras semanas é difícil. </p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Que algumas davam chupeta. Eu nunca fui simpatizante porque meus dentes eram muito tortos, mas eu achava que bebês precisassem de chupeta. Não precisam e <a href="https://www.ribeiraopreto.sp.gov.br/files/ssaude/pdf/bicos-chupetas.pdf">tem diversos malefícios</a>, entre eles, claro, afetar a amamentação. </p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Mas a mãe não consegue amamentar, volta ao trabalho com 4 meses, sem apoio, a criança vai parar de chorar como?</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Daí, tá, nasceu (no SUS, de parto normal). Surgem uma série de regras pra gente seguir, todas elas se cancelando entre si. Um campo infinito de joio, trigo e caos pra separar. E você não sabe o que é joio nem trigo, só conhece o caos.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Meu filho nunca dormiu bem. Eu fiz de tudo. Eu deixei as luzes apagadas. Reclamei mentalmente do barulho da louça sendo lavada. Deixei de ver televisão. Fiz rotina. Dei banho quentinho. Fiz massagem. Ruído branco. Tudo que você imaginar: ele acordava a cada 45min  nos três primeiros meses. Metade da internet era "isso é normal" e a outra metade era "você está prejudicando o desenvolvimento neurológico da sua criança: aprenda com meu curso como ele deve dormir".</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Aí eu comecei a reparar que todas as crianças que dormiam usavam chupeta. E eu não queria dar chupeta pra minha. Fizemos cama compartilhada por mais de dois anos. Depois fui me retirando da cama dele. Dormindo no outro quarto. Até que ele se mudou pro quarto dele -- acho que com 3 anos e meio. Ainda tem noites que não dorme a noite toda, mas geralmente é culpa da rinite.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Eu achava que era tudo uma questão de ação e consequência. Meu deus, que inocente que eu era. Eu achava que se oferecesse todos os alimentos de diversas formas na janela de imunidade na Introdução Alimentar ele nunca negaria comida nenhuma. E meu filho come bem, e tenho certeza que uma grande variedade desde pequeno ajuda muito, mas por um bom tempo ele não comeu nada que fosse verde. Apenas porque era verde. Mesmo tendo comido muito brócolis quando melhor. Eu acho que ele come bem apenas por sorte.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Eu sempre disse que meu filho ia mamar até quando ele quisesse e desfraldar quando ele estivesse pronto.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:image {"id":258,"width":"410px","height":"auto","sizeSlug":"large","linkDestination":"none","align":"center"} -->
<figure class="wp-block-image aligncenter size-large is-resized"><img src="https://martinha.online/neuroses-cotidianas/wp-content/uploads/2025/06/Photo-from-Google-Photos-576x1024.jpg" alt="" class="wp-image-258" style="width:410px;height:auto"/></figure>
<!-- /wp:image -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>HAHAHHAHA.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Ah que linda e romântica história que eu acreditei. Eu faria tudo certo e a criança seguiria meu roteiro imaginário que ele não tem nenhuma ciência sobre. Só sei que lá pelas tantas, ele ia acordar num lindo dia de sol e ir brincar, esquecendo totalmente do mamá. Talvez lembrasse às vezes, mas aí não teria mais e ele ficaria ok com isso. Todas as nações unidas felizes no paraíso.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Primeiro que eu tive de desmamar noturno, pra poder dormir. E eu fiz isso antes do diurno, mesmo sendo o oposto que a maioria das pessoas faz, porque meu problema era amamentar de noite, não de dia. Tentei a primeira vez antes dos dois anos e foi um grande fracasso. Ele bateu no professor de capoeira. Desisti. Só depois dos dois anos, com muita historinha, entender o que era dia e noite e alguns dias de choro deu certo. Ele acordava, mas eu ninava e não amamentava até de manhã.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Era uma tortura pra mim ver ele chorando por algo que eu tinha e não conseguia mais dar mentalmente, mas poderia -- se quisesse -- fisicamente. Eu me sentia sendo fraca, traindo ele. Foi muita terapia pra entender que se eu não dormisse, ele também seria prejudicado.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>O desmame total veio apenas aos 4 anos e 3 meses. Primeiro mamando em lugares específicos da casa por muito tempo, por exemplo, só no quarto (ele tinha mania de mamar vendo televisão). Ele nunca mamou na creche e ficava o dia todo lá desde um ano e pouco, então já não era o dia inteiro. Depois de muito tempo disso, comecei a avisar que eu ia operar o nariz e que não ia mais amamentar em alguns meses, então a partir dalí eu amamentaria apenas na hora de acordar e na hora de dormir.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Achei que iam ser meses disso, mas na mesma semana ele foi esquecendo um dia ou outro. Um dia ele mamou e não saiu nada e me deu bronca, porque eu não tinha comido direito. Só sei que na mesma semana ele desmamou.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Quer dizer, até hoje ele pede, até hoje eu digo que não tem mais, é isso.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Daí veio o desfralde. Quer dizer, ele já vinha vindo fazia tempo. Eu nunca quis forçar o desfralde. Eu queria que fosse guiado por ele. Na minha fantasia, ele ia ter desenvolvendo todos os sinais de prontidão: falar que fez, falar que está fazendo, falar que vai fazer. Tudo isso com fralda. E quando ele estivesse indo na privada, e a fralda ficasse seca, íamos trocar para cueca. E tudo seria feliz e alegre e perfeito, porque isso tudo aconteceria até os 3 anos e meio.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Eu só não contei que ele ia escorregar e ralar as costas no penico com 2 anos e meio, se recusando terminantemente a chegar sequer perto do apetrecho.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Mais uma vez lá fui eu fazer de tudo: comprei escadinha para privada; li livros e histórias de desfralde; comprei cuecas divertidas; fiz ele ficar horas sentado no penico chorando à força até ele pegar no sono; parei de fazer isso; deixei a escola fazer e recebi menino com meias mijadas em casa; tentei botar cueca e ele ficava parado estático em um canto. Uma dança eterna de frustrações.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Até golpe eu levei. Comprei uma fralda-cueca online e nunca recebi o produto. Tive de entrar com ação no Procon e consegui o dinheiro de volta. Então nesse período passaram seis meses onde ele parou de mamar, mudou de escola, de casa, de bairro. Muita mudança. </p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Comprei novamente as cuecas-fralda (umas cuecas com mais algodão, um forro acolchoado) e ele pelo menos usou um tempo sem ficar neurótico. Também comprei um potinho de recompensa: a cada xixi e cocô que ele fizesse no vaso, ganharia um xixizinho ou cocozinho para colocar no pote e se juntasse, ganharia um prêmio, brinquedo ou doce. Contrariando tudo que me disseram sobre dar recompensa.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Nada. Só frustração.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Eu nunca bati nem baterei no meu filho. Eu não grito com ele. E quando eu falo mais firme, é pra valer. A verdade é que tenho muito medo de ser uma mãe autoritária demais, tirando a autonomia dele. Quero que ele possa escolher algumas coisas, porque não se pode escolher tanto assim na vida. Que ele experimente as consequências dos próprios atos.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Mas o fato é: ele não tem maturidade pra isso. E colocar isso como responsabilidade de uma criança (decidir pela própria vida) beira a negligência. Ele vai se sentir seguro sabendo que tem um adulto responsável por perto que sabe o que é certo e muitas vezes o obriga a fazer o certo, mesmo que ele não goste na hora. Os limites ajudam o desenvolvimento, uma vez que ele sabe até onde ele pode explorar, e isso o deixa livre e seguro para não cair dessas beiradas. </p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>É difícil porque com o desfralde, essa linha é tênue pra mim. Até onde é um processo dele e onde eu devo intervir? Ah, se ele tivesse seguido o script até os 3 anos e meio! Mas não seguiu, e agora? Até quando eu vou esperar ele avisar que fez, se com quatro anos e meio eu ainda tenho de perguntar se fez cocô?</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Chegou um ponto de ruptura. Minha terapeuta me ajudou a ver como eu precisava expressar claramente meu desejo pra ele. E eu coloquei a cueca-fralda no sábado de manhã, e disse que ele ficaria todo o final de semana com elas.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Nossa eu nunca vi tanta barganha em um processo de luto. "Até meio-dia!", "Eu não quero mais", "Não vou mais comer", "Não vou mais brincar", choro, ranger de dentes e firmeza gentil: "eu entendo que seja uma coisa nova, mas você precisa passar por isso. Essa fralda te ajuda a saber quando você está com vontade de fazer.". </p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Sábado foi um dia tão longo e difícil que às 21h30 eu estava capotada de sono. Exausta. É realmente muito difícil pra mim lidar com isso. Me afeta de verdade. Ele sabe, inconscientemente. E tenta empurrar essa borda frouxa a todo custo, porque sabe que se tentar mais e mais, vamos negociar e ele vai conseguir pelo menos uma coisa boa em troca.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Domingo começou do mesmo jeito: choro, caos e desespero. "Não quero dois dias seguidos!" etc. Tive de ser mais firme com um "Deu!" mais alto. "É isso que tem pra hoje e pronto!". Depois, no café da manhã, ele pediu doce. "Mas ele está merecendo?" o pai perguntou. Você pode mexer com muita coisa com essa criança, mas não ameace o doce dele. De repente, virou a criança mais colaborativa do universo. </p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Parou de reclamar e choramingar e começou a ir sozinho no banheiro quando tinha vontade, sem falar nada. Usando, lavando as mãos e dando descarga. Com a naturalidade de quem faz isso há anos. Como se fosse normal. Apenas... destravou algo ali e foi. Teve dois escapes e só.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Ainda não acabou, mas fiquei muito orgulhosa dele, e muito mais calma. Na segunda, fiz minha parte do combinado: ele pode escolher se quer ir de cueca-fralda ou fralda-normal pra escola. A escola ainda é meio hostil. Ele implorou a fralda-normal. Eu deixei. Afinal, domingo tivemos um grande passo.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Mas não dava pra voltar atrás num avanço tão grande, e ficou acordado (talvez apenas entre os adultos?) que na terça ele iria de cueca-fralda. Nossa. Os gritos. O choro. O desespero. O caos. A escola acolheu e ele ficou, mas eu fiquei de coração partido.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Então fui mais uma vez clara com ele: vamos fazer a despedida da fralda. É o último dia de todos. Pode usar pra dormir, pode usar na escola, pode usar quando chegar em casa. Mas quando tomar o banho, vai colocar cueca e pronto. E não tem mais fralda.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>A quinta era feriado, e em casa ele já estava mais acostumado. Na sexta, foi para a escola meio amuado, mas sem reclamar tanto quanto no outro dia. Agora ele já sabia o que esperar.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>E eu aprendi isso sobre ele: meu filho lida melhor com as coisas quando avisado com antecedência. Surpresas não são bem vindas. Ele precisa de um tempo pra se acostumar com a ideia, tirar as dúvidas que ele tem. O medo diminui quando a gente explica antes. Isso foi uma lição valiosa.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Houveram outros escapes e alguma dificuldade com o banheiro da escola, mas é com orgulho que hoje posso dizer que meu filho é desfraldado. Acabou. Os escapes são raríssimos e podemos sair com ele tranquilos que tudo funciona bem.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Foi horrível. Mas acabou.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Meu filho não é mais um bebê. Será que eu estou em um tipo de segundo puerpério? Não sei, mas é um alívio: ele é um cara tão bacana. Tão inteligente. Adoro brincar com ele, ele tem aprendido a ler e jogar video-game. Fazemos coisas de casa juntos. Aprendemos a lidar um com o outro.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>É uma montanha russa mesmo. Uma dança. Um pra lá, dois pra cá. </p>
<!-- /wp:paragraph -->]]></content:encoded>
    </item>
    
    <item>
      <title>Site novo no ar</title>
      <link>https://martinha.online/2025/06/23/site-novo-no-ar/</link>
      <guid isPermaLink="true">https://martinha.online/2025/06/23/site-novo-no-ar/</guid>
      <pubDate>Mon, 23 Jun 2025 12:45:33 GMT</pubDate>
      <description>Os bastidores de como usei ferramentas de inteligência artificial e vibe coding para reconstruir meu site pessoal e automatizar o deploy.</description>
      <content:encoded><![CDATA[<!-- wp:paragraph -->
<p>Como refiz meu site pessoal com IA e como está funcionando agora.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Eu fui front-end muitos anos da minha vida, anos demais. Então hoje em dia eu tenho um cansaço imenso de fazer um html. Eu já tinha feito um site novo no <a href="https://gamma.app/pt-br?gad_campaignid=22650306607&amp;gbraid=0AAAAAqWjqPQd0EPGow7RKfTnxGWYByvYX">Gamma</a>, mas precisaria pagar para publicar e usar esse domínio. E eu não tô investindo tanto nisso não.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Outro problema é que eu gostaria de fazer um site bilingue, e para isso funcionar no Gamma, eu teria de duplicar as páginas -- o que é o dobro de trabalho para qualquer manutenção.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:image {"lightbox":{"enabled":false},"id":264,"sizeSlug":"large","linkDestination":"none"} -->
<figure class="wp-block-image size-large"><img src="https://martinha.online/neuroses-cotidianas/wp-content/uploads/2025/06/Screenshot-2025-06-23-at-09.32.15-1024x467.png" alt="" class="wp-image-264"/></figure>
<!-- /wp:image -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Depois de meses apareceu entre os e-mails que assino a ferramenta Bolt. É mais uma ferramenta de <em>vibe coding</em>, que é codar usando IA. Em vez de usar a linguagem de programação, você usa linguagem natural e essas ferramentas criam o site pra você.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Algumas ferramentas de vibe-coding:</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:list -->
<ul class="wp-block-list"><!-- wp:list-item -->
<li><a href="https://bolt.new/">Bolt</a></li>
<!-- /wp:list-item -->
<!-- wp:list-item -->
<li><a href="https://lovable.dev/">Lovable</a></li>
<!-- /wp:list-item -->
<!-- wp:list-item -->
<li><a href="https://wonderish.ai/">Wonderish</a></li>
<!-- /wp:list-item -->
<!-- wp:list-item -->
<li><a href="https://replit.com/">Replit</a></li>
<!-- /wp:list-item --></ul>
<!-- /wp:list -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Minhas dicas para vibe-coding:</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:list -->
<ul class="wp-block-list"><!-- wp:list-item -->
<li><strong>Faça o seu pedido para a ferramenta</strong>. Meu prompt inicial foi: <br><kbd>"Quero criar uma landing page em portugues e ingles para ser meu portfolio como product ops. Um layout clean e moderno. o nome é Marta Preuss. use tecnologias front-end. preciso de uma área para curriculo e portfolio; uma área para palestras e tutoriais; uma area para links de ferramentas que eu criei; e uma de hobbies com link para meu blog, livros que li e coisas que imprimi em 3d. Não esqueça das redes sociais: linkedin, bluesky e instagram. crie também uma área para contato com email e embed do calendly."</kbd><br></li>
<!-- /wp:list-item -->
<!-- wp:list-item -->
<li><strong>Peça modificações no que já existe.</strong> Não gostei do layout que ele fez então pedi outro:<br><kbd>"I don't like the layout. It's too simple. Make something more modern. try a pastel color palette. use serif fonts."</kbd><br>Veja que eu fiz o prompt inicial em português e esse em inglês. Não faz diferença. Às vezes eu <em>sinto</em> que ele me entende melhor em inglês; mas sempre consegui resultados em ambas as línguas.<br></li>
<!-- /wp:list-item -->
<!-- wp:list-item -->
<li><strong>Peça para ele criar um <code>readme.md</code>,</strong> um arquivo que explica como o código funciona. Ajuda muito a fazer mais pedidos, trocar de ferramenta ou dar manutenção.<br><kbd>"faça o arquivo readme.md do projeto explicando as pastas, o que cada coisa faz, onde editar o texto e como executar e publicar o projeto."</kbd><br></li>
<!-- /wp:list-item -->
<!-- wp:list-item -->
<li>Cole os erros que acontecerem. Ele mesmo resolve.</li>
<!-- /wp:list-item --></ul>
<!-- /wp:list -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Logo, sem saber mais como mexer com isso mas com uma base de programação, consegui lidar com o código que ele fez. Foram alguns dias de iterações já que meus créditos acabavam, mas ficou como eu queria, mais ou menos.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Uma coisa boa do Bolt é que você pode baixar o código que ele fez e continuar trabalhando, então eu mandei pro Visual Studio Code onde eu tenho o Copilot. O Copilot é uma ferramenta de IA que ajuda a programar do mesmo jeito: conversando com ela. Então até eu entender o que tava acontecendo e fazer umas mudanças, foi uma mão na roda.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Quando fiquei satisfeita e chegou a hora de publicar, resolvi criar uma action do Github para facilitar minha vida: quando eu faço o push na main do projeto, ele roda o <code>npm install</code> e o <code>npm build</code>, que cria os arquivos que serão publicados. Com essa pasta pronta, ele mesmo conecta no FTP e atualiza os arquivos. Para fazer essa action, também usei o Copilot e ficou assim: </p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:code -->
<pre class="wp-block-code"><code>name: Deploy to FTP

on:
  push:
    branches:
      - main  # Ou sua branch de produção
  workflow_dispatch:  # Permite execução manual via botão no GitHub

jobs:
  deploy:
    runs-on: ubuntu-latest

    steps:
      - name: Checkout repository
        uses: actions/checkout@v4

      - name: Set up Node.js
        uses: actions/setup-node@v4
        with:
          node-version: '20'

      - name: Install dependencies
        run: npm install

      - name: Build project
        run: npm run build

      - name: Upload to FTP
        uses: SamKirkland/FTP-Deploy-Action@v4.3.0  # Versão fixa recomendada
        with:
          server: $
          username: $
          password: $
          local-dir: ./dist/
          server-dir: /public_html/  # Ajuste para o seu caminho remoto
          # Opcionais:
          port: 21                   # Se sua porta FTP não for a padrão (21)
          secure: false              # Use 'true' para FTPS (SSL explícito)
          clean: true               # Remove arquivos antigos no servidor</code></pre>
<!-- /wp:code -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Ficou ótimo, com menos riscos de erros humanos: eu faço o código, publico e pronto, tá no ar.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Eu só tive um problema porque as rotas não estavam funcionando em produção, mas pedi ajuda ao DeepSeek e alterei meu <code>.htaccess</code> para que isso funcionasse. </p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Também adicionei o Google Analytics, Tag Manager e o <a href="https://clarity.microsoft.com/projects/view/s3nqzh7ra6/dashboard?date=Last%203%20days">Microsoft Clarity</a> (que se integrou com o Tag Manager e fez tudo sozinho, achei mágico). O site ficou bilingue com uma estrutura bacana, tem os componentes com o conteúdo separado e é fácil de dar manutenção. Também é fácil adicionar artigos para o portfolio. </p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Visita lá: <a href="http://martinha.online">http://martinha.online</a>. </p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Tô bem satisfeita. Eu não sou programadora, mas desenvolvedora: eu desenvolvo, mas não sou fluente em linguagens de programação. Acho que com os modelos de linguagem uma barreira interessante cai para pessoas que, como eu, sabem falar com computadores, mas não escrever a língua deles. Para esses projetos pessoais e mesmo do trabalho, funciona legal. Precisa ter uma base; mas o grosso do trabalho é feito pelo próprio computador.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Claro que sigo com N críticas à IA, e os posts aqui do blog são todos escritos por mim (com exceção de <a href="/2023/08/29/a-vila-das-crencas/">um</a> que fiz quando ainda era novidade e não tinha pensado muito nisso), porque eu <strong>gosto</strong> de escrever. Diferente de programar, que eu não gosto. Tenho tentado dar mais prioridade para as coisas que gosto de fazer na vida. As que eu não gosto têm ficado mais toleráveis assim.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p></p>
<!-- /wp:paragraph -->]]></content:encoded>
    </item>
    
    <item>
      <title>Limpeza geral nos salões nasais</title>
      <link>https://martinha.online/2025/05/27/limpeza-geral-nos-saloes-nasais/</link>
      <guid isPermaLink="true">https://martinha.online/2025/05/27/limpeza-geral-nos-saloes-nasais/</guid>
      <pubDate>Tue, 27 May 2025 17:03:34 GMT</pubDate>
      <description>O relato detalhado da minha cirurgia no nariz, desde o alívio imediato na respiração até os primeiros dias de recuperação.</description>
      <content:encoded><![CDATA[<!-- wp:paragraph -->
<p>Quando me perguntaram, seja no hospital ou entre os amigos, o que eu ia operar, eu respondia isso: faxina geral nos salões. E depois explicava: é um monte de coisas. Septo, corneto, adenoide, o que esse homem puder limpar de dentro da minha cara ele vai limpar. </p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Eu fiz muitas piadocas dessas. O nervosismo era tanto que as piadas saiam como uma enxurrada da minha mente e eu tentava só tomar cuidado para não ofender ninguém e maneirar no auto-depreciativo. Era tudo que minha cognição estava entregando na hora.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Mas estou me adiantando. Todo esse processo começou bem antes. Eu tentei escolher um ponto de partida, e acho que o mais adequado seria em outubro ou novembro do ano passado quando visitei meu otorrino sem estar doente. Eu sempre ia quando já estava com os ouvidos entupidos de sinusite. Resolvi ir só mais uma vez, sem sintomas, só pra ele olhar, porque eu ia me mudar e quis finalizar o ciclo dos médicos no bairro antigo.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Risos.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Primeiro, para a queixa de ronco, ele marcou uma polissonografia. Eu dei sorte de uma desistência no mesmo dia e ali o choque já foi grande: eu precisava do CPAP e era grave. Com esse resultado, ele pediu para eu usar o CPAP por alguns meses e voltar depois com uma tomografia de face. Era fim de ano, também. Eu estava sem queixas. Tudo certo.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>O CPAP absolutamente mudou a minha vida e desde que comecei a usar o médico já tinha assuntado sobre cirurgia. Que não ia resolver o meu uso do CPAP (que é falta de espaço na garganta), mas talvez ajudasse a respirar no dia a dia. Quando eu vi a diferença que era usar o CPAP e tive vontade de usar o dia todo, soube que essa cirurgia ia fazer diferença.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:html -->
<figure>
    <video controls width="250" height="450">
        <source src="https://martinha.online/neuroses-cotidianas/wp-content/uploads/2025/05/v09044g40000cthmlk7og65m0gcvtmeg.mp4" type="video/mp4" />
    </video>
</figure>
<!-- /wp:html -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Voltei com a tomografia e novamente ele apresentou a opção da cirurgia. Em nenhum momento ele fez terrorismo, disse que eu era obrigada a fazer nem nada disso. Ele me deixou à vontade para tomar essa decisão, me mostrando todos os lados com sinceridade. Exibi minhas preocupações e ele sanou todas as dúvidas que eu tive com respeito. Inclusive, <strong><em>EU</em></strong> perguntei se emagrecer ajudaria no ronco, e ele confirmou; mas ele não disse para eu sair dali e perder 10kg. Me deu as ferramentas primeiro. Me senti ouvida e respeitada.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Eu estava apavorada, mas sabia que precisava fazer e topei. Esse vídeo me ajudou bastante a tomar a decisão. Não é do meu médico, mas é bem claro.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<iframe width="560" height="315" src="https://www.youtube.com/embed/-CmrcdxhVyU?si=4RsNgZfUzIV0nHmV" title="YouTube video player" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
<!-- wp:paragraph -->
<p>Fiz os exames pré-operatórios, marquei uma consulta pré-anestésica e esperei. Foi tudo pelo convênio, só paguei a instrumentadora. Foi em um ótimo hospital aqui na cidade. </p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Agora sim, no dia eu estava tão tensa. Eu tentei desligar a chave geral dos meus sentimentos. Até pro carro de aplicativo, pedi pro Edu verificar, porque eu tava tão nervosa que ia colocar errado. Eu me sentia como em uma viagem: fiz a minha malinha; cheguei 2h antes; fiquei com medo da burocracia dar errado, mas foi tudo certo; aguardei.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Quando finalmente me chamaram, também, foi tudo rápido: vesti o avental, fui levada para o centro cirúrgico, esperei do lado de fora na maca, conversei com todos os profissionais que participariam do processo, me levaram pra dentro, me deram a anestesia e... Eu tava sonhando que estava com meu filho no mercado... aí me acordaram dizendo que o procedimento tinha acabado.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Foi então que uma grande ficha caiu: meu trauma de anestesia geral não era da anestesia em si, mas da embolia pulmonar que estava sentindo quando acordei da anestesia. Na outra, eu acordei apavorada, do mesmo jeito que acordo de noite sem ar. Mas meu cérebro não sabe que está sem ar, então ele inventa seja lá o que for para me acordar desesperada. </p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Lembrei do vídeo acima e aproveitei que nada estava inchado ainda para respirar. Gente. Me senti na abertura de The Big Bang Theory, sabe, que começa em uma célula e expande para todo o universo? Nossa era muito ar. Um ar puro, limpo, sem cheiro de ranço. Tipo quando você sai de São Paulo e vai pra serra e dá aquela primeira respirada no ar gelado? Foi mágico.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:video {"id":247} -->
<figure class="wp-block-video"><video autoplay controls loop muted src="https://martinha.online/neuroses-cotidianas/wp-content/uploads/2025/05/Reddit-Video.mp4"></video></figure>
<!-- /wp:video -->
<!-- wp:paragraph {"align":"center"} -->
<p class="has-text-align-center"><em>Como me senti respirando de verdade pela primeira vez em mais de 30 anos</em></p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>O médico falou comigo e com Edu, e eu passei a noite no hospital. Foi tudo bem, de manhã já recebi alta. </p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Na primeira semana eu só lavei com soro em spray, abundantemente. Tomei anti-inflamatório e antibiótico. Fiquei bem congestionada, mas sem sangramento. Fiquei em casa, evitei pegar sol, abaixar, fazer força. Dormi sem o CPAP.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Na marca de uma semana voltei ao consultório e o médico removeu as hastes de silicone que estavam segurando meu septo. Eram enormes, fiquei surpresa que aquilo podia servir no meu nariz! A cicatrização estava indo tão bem que fui liberada a andar com a scooter elétrica (sem carregar peso), lavar com soro em garrafinhas (alívio imenso!) e depois de uma semana posso tentar usar o CPAP de novo.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>No geral, a recuperação parece uma crise forte de sinusite: dói o rosto, incha meio que por dentro. Bem congestionada. Respirando pela boca a maior parte do tempo, a garganta sofre nos primeiros dias. Não tive febre. Precisei deitar algumas vezes, o remédio indicado é uma dipirona pra ajudar. Tive 10 dias de atestado médico porque ficar sentada trabalhando realmente é bem complicado no começo. Não é um passeio no parque, mas ainda foi a melhor cirurgia que já fiz.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Eu ia esperar as próximas consultas para continuar esse post mas acho que ele já está muito longo e denso, então faço um "Parte 2" para o restante da recuperação e alta quando acontecer. Por enquanto, a conclusão é que vale a pena respirar, sim. Sei lá, parece uma coisa meio vital. <em>hehe.</em> Se cuidem, visitem o otorrino de vocês. Às vezes a vida pode ser melhor e a gente nem sabe.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p></p>
<!-- /wp:paragraph -->]]></content:encoded>
    </item>
    
    <item>
      <title>Florianópolis, 12 de maio de 2025</title>
      <link>https://martinha.online/2025/05/12/florianopolis-12-de-maio-de-2025/</link>
      <guid isPermaLink="true">https://martinha.online/2025/05/12/florianopolis-12-de-maio-de-2025/</guid>
      <pubDate>Mon, 12 May 2025 18:56:10 GMT</pubDate>
      <description>Pensamentos de outono sobre aceitação, o diagnóstico de novos cuidados com o corpo e a ansiedade na véspera da cirurgia nasal.</description>
      <content:encoded><![CDATA[<!-- wp:paragraph -->
<p>Finalmente posso utilizar calças novamente: o calor foi aplacado e um confortável vento de outono farfalha as folhas e a grama do quintal. A relva molhada de orvalho, garoa ou chuva segue crescendo em seus diversos tons verdes, dançando silenciosamente quando o vento lhe convida a se mexer. </p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Hoje choveu e fez sol, e para celebrar o casamento de espanhol, o céu abriu um lindo arco-íris. Ou era sol com chuva? Para o matrimônio da viúva, um segundo arco-íris bem em cima. Foi lindíssimo. Fiquei uns bons minutos atônita, vendo as cores se derramarem na colina, colorindo as árvores de todos os tons que os olhos humanos conseguem captar. Eu pensei, na hora, que o mundo deve ter ainda mais cores que meus olhos não conseguem captar; mas também que estava satisfeita com o que podem fazer.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Eu queria que textos pudessem abrir ramos, porque minha vontade com esse parágrafo é puxar dois ganchos: sobre o que falta; e sobre meu risco de desenvolver glaucoma.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:table -->
<figure class="wp-block-table"><table class="has-fixed-layout"><tbody><tr><td>Estou tentando focar menos no que falta. Sempre falta; é parte do processo de existir e estar vivo. É o combustível para o amanhã. Não quero que seja fonte de frustração, mas de planos, de vontades.<br><br>(ainda é muito difícil me dedicar muitas horas a algum trabalho difícil e ele ficar com resultado ruim. Eu comecei a delegar mais tarefas, como montar o guarda-roupa por exemplo. tenho preferido me dedicar a tarefas que gosto de fazer, se possível -- e aí descobri que sou uma pessoa muito resiliente no fim das contas. eu faço muitas coisas porque preciso fazer, e não porque quero).<br><br>Eu já trouxe uma vez que minha irmã tem um take ótimo pra isso: "estou satisfeita". Não está <em>perfeito</em>, mas estou <em>satisfeita</em> com o resultado. Isso me ajudou demais a vencer meu perfeccionismo paralisante.<br><br>Hoje eu vi uma cena de Doctor Who: uma personagem queria se livrar do Doctor, mas eles fizeram as pazes. A Companion pergunta pra ela: "o que você vai fazer agora?"e ela para por um instante, sorri e diz: "O que eu quiser". <br><br>Acho que às vezes a gente fica muito preso em coisas que não fazem muito sentido porque não sabe o que fazer depois delas (autocrítica).</td><td>Apesar de eu ter a síndrome de Klippel Trenaunay desde que nasci, só soube que tinha anos mais tarde e parece que agora, quase aos 40 anos, que ela realmente tem se mostrado inconveniente na minha vida.<br><br>Tenho risco de trombose e tomo todos os cuidados para evitar isso, que já tive embolia gordurosa e foi... <em>meio chato</em> ficar na UTI.<br><br>Agora, a essa altura do campeonato, descobri que também tenho risco de desenvolver glaucoma. Não quer dizer que eu tenha, apenas que preciso ficar atenta e fazer exames para acompanhar. Eu nunca soube disso. Me sinto sortuda de ter encontrado um oftalmo especialista na minha síndrome.<br><br>Já fez o exame de visão periférica? Meu deus. Eu achei que fosse ser ruim porque me prepararam psicologicamente pra isso. Mas é tipo, você encaixa o rosto no aparelho que mostra um fundo BRANCO com uma luz laranja no meio. Você precisa FOCAR (não basta olhar para, precisa FOCAR) na luz laranja e apertar um botão quando brilha algo em volta. Como quando você olha pro céu e aparecem pontinhos brilhantes na vista. É bem desconfortável.<br><br>Enfim, tenho mais um exame só no fim do mês então não tenho conclusão para mais essa saga fantástica do corpo fora do padrão que eu tenho.</td></tr></tbody></table></figure>
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<p><em>(Pra quem não sabe minha cabeça pensa assim, mas vai abrindo cada vez mais colunas, fica um pouco complicado filtrar tudo).</em></p>
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<p>Enfim, amanhã é o grande dia: vou operar o nariz. Eu tenho <em><strong>pavor</strong></em> de cirurgia. Tanto que preferi ter um parto normal a ter uma cirurgia (e outros motivos além do medo).  Não consigo me concentrar em nada hoje. Não vou conseguir amanhã, também. A cirurgia é só 19h30, eu preciso estar 17h30 no hospital, então vou trabalhar e tudo. Eduardo tirou férias para tomar conta das coisas, do Alex e de mim nessa semana.</p>
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<p>Vou operar cornetos, septo, adenoide, enfim: limpar todas as cavidades possíveis dentro do meu rosto para respirar melhor. Ainda vou precisar do CPAP depois disso, porque o problema que o CPAP ajuda a resolver está na garganta: minha língua é muito grande e não tem espaço suficiente na minha garganta para passar o ar.</p>
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<p>Eu tive a recomendação dessa cirurgia em 2015, mas o médico me perguntou se eu tinha dor ou algum sintoma, e eu disse que não, que eu só roncava. Hoje achei minha polissonografia daquela época: 37 eventos de apneia/hipoapneia por hora. O máximo da escala é 35. Hoje, tenho 66. Porque já era para eu ter usado CPAP 10 anos atrás, e ele me deu um antibiótico e um "os incomodados que se mudem".</p>
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<p>Isso me deixa tão brava. Eu fui atrás. Eu fui no médico. E ele não me disse nada disso.</p>
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<p>Eu tenho tanto trabalho para cuidar desse corpo. E eu cuido dele. Até exercício eu fiz no mês passado, e estou ansiosa pra voltar depois de respirar. Caramba eu vou enfrentar um dos meus maiores traumas e medos pra ter mais qualidade de vida. Aí me entristece quando eu faço tanto esforço e sinto que sou menosprezada, ignorada.</p>
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<p>Talvez por isso eu tenha tantos sintomas que eu nem vou atrás, porque o <em>ghosting</em> de "Isso não é nada, você não tem nada, para de frescura" é tão constante e tão alto que a gente acaba internalizando mesmo. É uma luta até pra <strong>se</strong> levar a sério e depois implorar para ser levada a sério de novo.</p>
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<p>Estou tendo a sorte de encontrar profissionais médicos incríveis, mas isso não devia ser uma sorte. </p>
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<p class="has-text-align-center">...</p>
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<p>Em outras novidades, seguimos nos adaptando bem à casa e ao bairro. Ter feito ginástica realmente me ajudou a me ancorar aqui. Achamos playgrounds bons e perto de casa e o guri parece mais adaptado à escola. </p>
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<p>Compramos um guarda-roupa, o que ajudou demais a organizar nosso quarto. Com isso, a estante que estávamos usando pode vir para o escritório, e eu pude dar uma boa organizada por aqui. Organizei também o material escolar/artes/escritório e comprei um carrinho pra ele, o que me deu mais uma caixa que ajudou a organizar o escritório. </p>
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<p>Adicionamos prateleiras que faltavam na cozinha, e os temperos agora têm seu lar fora do sol, liberando uma bancada de trabalho que está sempre cheia de alguma coisa atrapalhando. A gata resolveu se aventurar no terreno vizinho, então ficou de castigo e ainda tomou vacina para parar de ser besta, que ela pode ir no quintal mas ainda é gata indoor. Gata minha não vai sassaricar na rua não. Não tirei da rua pra voltar pra rua.</p>
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<p>De presente de dia das mães pedi um brunch num café que adoro aqui perto e foi absolutamente maravilhoso. Que delícia que é poder comer comida boa. Tivemos um final de semana muito gostoso. </p>
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<p>Até Eduardo admitiu que a compra da scooter elétrica foi um investimento. Consegui circular pelo bairro com muito mais facilidade. Hoje já descobri caminhos mais confortáveis com ela, vou pelo asfalto em vias de até 40km/hora e em ciclovias na falta de ruas menores. Infelizmente ela tombou de lado ontem, quebrando o freio; vou ter de mandar para arrumar. Mas não vou andar por pelo menos 10 dias mesmo 🤷‍♀️ então Edu vai levar na autorizada pra mim.</p>
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<p>Tô feliz, tô leve. Claro que tô ansiosa -- e nenhuma vontade de ficar 2 meses sem CPAP -- mas achei que ia estar pior, sabe?</p>
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<p>Quando eu estiver pronta volto aqui para contar como foi.</p>
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<p></p>
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    </item>
    
    <item>
      <title>Florianópolis, 31 de março de 2025</title>
      <link>https://martinha.online/2025/04/03/florianopolis-31-de-marco-de-2025/</link>
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      <pubDate>Thu, 03 Apr 2025 17:05:44 GMT</pubDate>
      <description>Uma pausa na rotina para compartilhar impressões sobre leituras, séries e as melhorias que aos poucos transformam a casa nova.</description>
      <content:encoded><![CDATA[<!-- wp:paragraph -->
<p>Mais uma carta pra ninguém.</p>
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<p>A grama farfalha com a brisa que a acaricia lá fora. O tapete verde cresceu rápido, apesar dos esforços em mantê-lo baixo e sob controle. Nem choveu tanto ainda, mas as plantas crescem com um vigor que eu gostaria de imitar.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Sim, estou lendo, como percebeu? <a href="https://martinha-leituras.softr.app/livro?recordId=recFhsuvgOSYHjzIM">Os Filhos de Sangue e Osso</a> ficou <em>(o livro, não os filhos)</em> bastante tempo na minha aba "vou ler" do <a href="https://martinha-leituras.softr.app/">Skoob</a> e resolvi pegar depois do maravilhoso <a href="https://martinha-leituras.softr.app/livro?recordId=recl8rtBVbc6INqnm">Torto Arado</a>. Um não tem nada a ver com o outro: Filhos de Sangue e Osso é uma história de fantasia com folclore iorubá. Muito divertido, tem <em>sentimentos</em>, aqueles livros que você sente junto com os personagens.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Tô irritada que estou a 75% do livro* e não vai dar tempo de resolver tudo, porque é uma série de livros. O bom é que vou seguir no universo mais um tempo. Descobri que os livros no Apple Books sincronizam entre dispositivos mesmo se não comprar na loja deles, então posso ler no iPhone e no iPad, o que ajuda muito. Metida, eu sei.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p><em>* quando eu comecei a escrever esse post estava a 75%, agora terminando já acabei de ler. Resolveu algumas coisas, mas não tudo. Aquele famoso "tudo certo, nada resolvido".</em></p>
<!-- /wp:paragraph -->
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<p>Também estamos assistindo Ruptura*. Vi a primeira temporada só agora, e depois Edu e eu estamos vendo a segunda. Que série ótima. Levanta pontos excelentes. Uma ficção científica no ponto. Eu amo que seja uma história que eu não conhecia antes, não algo requentado.</p>
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<p><em>* também já terminamos de assistir. Maravilhosa, 10/10.</em></p>
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<p>Veja: eu gosto de coisas antigas. Eu ouço músicas velhas, eu revejo o mesmo filme e as mesmas séries muitas vezes. Mas minha inflexibilidade cognitiva me impede de apreciar um remake. Porque não é a mesma coisa, é outra. Um tico diferente. Daí a mídia deixa de me fazer sentir segura porque ela vira desconhecida, porque a próxima fala pode ter uma palavra diferente, e o encanto se quebra.</p>
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<p>Se for pra ver algo novo, que seja realmente novo. Uma história diferente, um mundo inexplorado. Se for pra ter medo do desconhecido, que ele não me iluda com uma cara familiar.</p>
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<!-- wp:paragraph {"align":"center"} -->
<p class="has-text-align-center">. . .</p>
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<p>Conquistamos nossos banheiros, os móveis e as instalações, sozinhos e com o pedreiro. Foi bastante trabalho, deu gasto, mas ficou excelente. É bom demais ter uma suíte funcional, posso escovar os dentes e tomar banho quando quiser. E não preciso descer escada para fazer xixi de noite.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
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<p>Os abacates começaram a ser colhidos, mas ainda não estão todos prontos. Abacate amadurece fora da árvore. Você precisa colher, senão ele não amadurece, ele estraga. Curioso.</p>
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<p>Tenho trabalhado demais, o que é muito bom. Menos travada. Fluindo melhor.</p>
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<p>Aparentemente saramos das viroses do bairro novo. A criança tá mais adaptada na escola. Ontem voltei pra musculação. Vou fazer um mês e depois operar o nariz, o septo. Aí são dois meses parada. </p>
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<p>A vida segue do jeito dela. E eu, sigo mais leve.</p>
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<p></p>
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<p></p>
<!-- /wp:paragraph -->]]></content:encoded>
    </item>
    
    <item>
      <title>Assumindo que eu sou PcD</title>
      <link>https://martinha.online/2025/03/25/assumindo-que-eu-sou-pcd/</link>
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      <pubDate>Tue, 25 Mar 2025 11:39:00 GMT</pubDate>
      <description>O acolhimento da minha condição como PcD e o reconhecimento de que adaptações e tratamentos diários são formas de cuidar de mim com carinho.</description>
      <content:encoded><![CDATA[<!-- wp:paragraph -->
<p>Já nasci com uma síndrome rara. Assumir que preciso de cuidados diferentes levou mais tempo.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
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<p>Todos os dias eu acordo, cuido da criança e assim que possível coloco minha meia de compressão. Eu odiava usar isso quando mais nova: era quente, apertado, ruim de colocar, ruim de tirar e não fazia diferença. Fiquei anos sem usar. Mas depois dos 35 ela me trouxe um alívio quase indescritível. É um frescor na perna, parece que ela escovou o dente. A perna fica mais leve, eu fico mais disposta, tenho menos "preguiça" de andar ou fazer alguma coisa. E todos os dias, na hora do banho, eu lavo a meia que usei com sabonete neutro e deixo secando na sombra e na horizontal pra ela durar mais.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Todos os dias eu uso chinelos e tênis adaptados, com salto e palmilha. Os 5cm de diferença entre as pernas, mais o salto imposto pelo médico que operou meu tornozelo me obrigam a isso, senão minha panturrilha da perna menor me mata de dor por ficar sempre na ponta dos pés. Além disso, as adaptações distribuem melhor o esforço das duas pernas, e a menor não fica tão cansada de carregar meu corpo sozinha.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Todos os dias eu tomo meus remédios antes de dormir, desde 2011. Eles ajudam a suavizar os pensamentos intrusivos, e me ajudam a guiar minha cabeça para onde eu quero, não para onde ela quer. Eles me ajudam a ser eu mesma, ter motivação, ser gentil.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Todos os dias eu troco a água do CPAP e uso o aparelho para dormir. Tive uns dias congestionada e não consegui usar, e que horror que é não dormir. Eu demoro muito mais pra levantar, eu demoro horas a mais pra alma baixar no corpo. Já disse e sempre vou repetir: o CPAP salvou minha vida, física e mental.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Eu deveria fazer mais. Pelo menos, musculação. A musculação ajuda a fortalecer as pernas, costas e braços de uma pessoa que fica sentada o dia todo. E ajuda a saúde mental também. Devia comer melhor. Menos doce. Mas aí eu fico muito irritada. Pelo menos não fumo, apesar da vontade constante. Tá ótimo.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>E eu sou tão grata que hoje a gente tem tantos recursos pra viver melhor com as nossas necessidades, sabe? Não faço esse post para choramingar que preciso fazer coisas por mim: todo mundo precisa, todo dia. Todo mundo faz alguma adaptação da vida pra viver melhor. Uma escolha alimentar, cortar a etiqueta da roupa, sei lá. Acho que é mais pra ver que esses recursos na verdade ajudam minha vida. Antes eu achava que era só chato, inconveniente, um saco; mas hoje vejo o valor.</p>
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<!-- wp:paragraph -->
<p>Hoje gosto de cuidar de mim.</p>
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<p></p>
<!-- /wp:paragraph -->]]></content:encoded>
    </item>
    
    <item>
      <title>A mãe tá motorizada</title>
      <link>https://martinha.online/2025/03/16/a-mae-ta-motorizada/</link>
      <guid isPermaLink="true">https://martinha.online/2025/03/16/a-mae-ta-motorizada/</guid>
      <pubDate>Sun, 16 Mar 2025 15:33:40 GMT</pubDate>
      <description>A conquista da mobilidade e independência pelo bairro com a compra de uma scooter elétrica autopropelida após anos sem dirigir.</description>
      <content:encoded><![CDATA[<!-- wp:paragraph -->
<p>Apesar de não ter carteira de motorista nem de moto no alto dos meus 37 anos, nunca mesmo sequer ter tentado o processo, depois que me mudei a mobilidade ficou um problema maior pra mim. Não vou dizer "pra gente" porque Eduardo segue pedalando e ama pedalar. Eu também gosto, mas as subidas e os morros e o tempo acabam atrapalhando meu cotidiano. Tudo que eu vou fazer é longe. Pelo menos em comparação ao ainda recente bairro anterior.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Eu já estava flertando com autopropelidos: motinhas elétricas que chegam a 32km por hora e seguem outras regras para se enquadrarem como bicicletas. Elas não precisam de habilitação para dirigir. No bairro antigo ainda não era uma suuuuper necessidade, mas no novo e na iminência da minha cirurgia de septo e adenoide, faz falta.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
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<p>Queria muito uma do tipo triciclo. Minha bicicleta é um triciclo e eu orgulhosamente não caí dela nenhuma vez nos últimos 3 anos em que ela é meu principal meio de transporte. A bicicleta convencional me derruba no chão, principalmente quando está parada ou começando a andar. Já que vou sempre andar com criança, fiquei com medo de pegar uma autopropelida de duas rodas. </p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Infelizmente os triciclos autopropelidos estão em torno de R$12 mil. É grana. É o preço do meu guarda-roupa planejado. Dói.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>EIS QUE ontem eu resolvi testar as bikes elétricas de aluguel que tem aqui perto. Antes só tinha patinete. Agora as bikes chegaram também. Agora, que a temporada já tá acabando e que minha irmã andou quilômetros e quilômetros até a praia porque nenhuma das TRÊS bicicletas que temos em casa era segura pra ela. </p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Fui morrendo de medo: primeiro que sei lá quantos meses fazia que não me equilibrava em duas rodas, quem dirá elétrica. Mas para minha surpresa, logo peguei o jeito. O que achei mais legal é que não havia botão para ligar a parte elétrica: bastava pedalar com mais força, como uma marcha muito mais potente do que os músculos da minha perna. Não caí <em>(quase, mas não caí!)</em> e me apaixonei. Pensei: posso fazer isso em duas rodas.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Então fui refazer minha pesquisa de autopropelidos para incluir duas rodas, já que estava focando em triciclos. E acabei encontrando uma loja mais ou menos perto de casa! Uns 2.3km. Resolvi ir lá visitar "só pra ver, não vou comprar agora" (nem eu acreditei nisso, muito menos Eduardo).</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:heading {"level":3} -->
<h3 class="wp-block-heading">A saga da compra da moto elétrica</h3>
<!-- /wp:heading -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Mais uma noite mal dormida, Eduardo praticamente não dormiu pra ficar com uma criança ranhenta. Eu capotei como sempre (obrigada cpap! preciso fazer um texto falando sobre o cpap), de nem conseguir ajudar muito. De manhã levantei primeiro e fiquei com o guri pro Edu poder descansar um pouquinho mais.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Eu e menino fomos na padaria, voltamos, e recebi a mensagem que um dos nossos armários de banheiro estava a caminho. Logo Edu acordou, então combinamos que ele ficaria em casa esperando o móvel e eu e a criança iríamos comprar os insumos necessários para instalar um outro armário e pia de banheiro que já havia chegado.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Então saí eu, meu triciclo e uma criança na minha cestinha de trás. Sábado de manhã. Pensei: vou aproveitar e dar uma olhada nos autopropelidos.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Pedalei os primeiros 2.3km até lá, com adicional de 18kg.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Eu alinhei a expectativa com o moço que me atendeu dizendo que não sabia se ia comprar, e ele comigo dizendo que não era um vendedor qualificado, estava cobrindo um colega. Tudo bem. Expliquei meu caso e ele me mostrou os modelos de 350 e 500 watts, os de entrada. A criança e eu sentamos e experimentamos. Quando ele falou que podia fazer teste drive, meus olhinhos brilharam.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
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<!-- wp:paragraph -->
<p>Dei umas voltinhas sozinha primeiro, depois com o menino. A moto parece um patinete com acento, na verdade. Diferente da bicicleta, apesar de ter pedal para ajudar, ela acelera na mão direita, como uma moto convencional. Ela tem farol dianteiro e traseiro, setas, buzina, 3 níveis de velocidade (chamei de marchas), pé para apoio, cestinha e alarme. Carrega em uma tomada convencional, e cada carga custa aproximadamente R$1. Isso, um real. A autonomia é de uns 45km, então eu posso carregar uma vez por semana tranquilamente com meu uso normal.</p>
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<p>Quando testei e o menino também pareceu gostar, não tinha mais volta. Eu queria tanto. Perguntei de valores. Ela foi quase R$8 mil. Dava para fazer em 18x, mas meu cartão só passou 12. </p>
<!-- /wp:paragraph -->
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<p>Vai durar uns anos. Espero economizar uns bons ubers e muita perna. Espero conseguir fazer exercício agora que vou ganhar tempo. Espero ajudar Eduardo quando eu operar, seja ele usando, seja eu voltando mais cedo à ativa. (Eduardo não foi super fã não. Ele ama pedalar. Pra ele, nada disso é problema).</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>ENFIM, falei "vou levar" o moço disse "bem agora veremos" e tentou fazer a venda pelo computador. O processo foi difícil, mas ele foi indo. Eu ainda estava com o meu triciclo lá. Ele sugeriu "deixa aqui na loja, leva a sua moto pra casa e depois vem buscar, mas até às 13h". O processo todo de venda e etc coisa e tal eu saí da loja dele era 11h acho.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Toda feliz com a minha motoquinha, atravessei a rua ainda empurrando e fui ligar.</p>
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<!-- wp:paragraph -->
<p>Nada aconteceu.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>A mesma moto que eu tinha ACABADO de fazer o teste drive simplesmente não acelerava.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Tentei pedalar e foi HORRÍVEL. Os pedais são meio pra trás, pequenos, o banco é baixo, não dá pra pedalar direito. Fui empurrando.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>De repente apareceu um guri pré-adolescente e me viu empurrando a motoca com a criança na garupa. Perguntou o que houve, eu expliquei. Ele pediu pra ver, e para o terror de todos os paulistanos e cariocas que estão me lendo agora, eu deixei. Ele deixou a bike dele no meu pé, e pegou meu recém comprado autopropelido caríssimo pra ver o que tava acontecendo. O diagnóstico: "volta na loja. Se tiver algo errado você já troca". </p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>E realmente, eu não ia andar 2.3km pra chegar em casa e ter de andar outros 2.3 de novo empurrando aquele trambolho. Voltei.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Cheguei na loja esbaforida, pedindo água. O vendedor preocupado, "tá tudo bem?" e eu "ela... não... acelera...". Preparo físico de centavos, mas empurrar trambolho mais criança, realmente...</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Ele bateu o olho e diagnosticou: bateria fraca. Pediu mil desculpas, disse que esse não é o procedimento da loja, e procurou outra bateria, também descarregada. Eu disse "Não tem problema: deixa aí a bateria carregando, eu levo a minha bike antiga e a criança pra casa e depois venho buscar a elétrica".</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Catei meu triciclo, botei criança na cestinha, fui até a casa de material de construção comprar o que precisava, e voltei pra casa completando os outros 2.3km nas perna.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Cheguei em casa, ranquei menino da bike, Eduardo não entendeu nada de me ver voltando pra casa com a bicicleta velha sendo que eu tinha comunicado todo o processo com ele. Peguei um Uber pra voltar pra loja, que isso era meio dia já.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>2.3km de carro depois (e foi mais barato que o aluguel da bike elétrica, o que me deixa meio triste pra falar a real), peguei a moto com bateria (meio) carregada e agora sim, ela funcionou normalmente. Mais 2.3km pra casa, agora na minha motinha. Ufa!</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:heading {"level":3} -->
<h3 class="wp-block-heading">Eu não sabia que isso era tão gostoso</h3>
<!-- /wp:heading -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Aconteceu ontem com a bike elétrica e hoje com a motinha: quando eu piloto, minha mente fica calma. Ela não fala nada. Ela não tem conversas com outras pessoas, não pensa histórias, não tenta resolver problemas. No máximo, canta uma música. </p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Ontem, atribuí ao medo. Hoje soube que era liberdade.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Claro que dirigindo eu preciso tomar muito mais cuidado, né. As regras dos autopropelidos são idênticas da bicicleta, então eu posso andar na ciclovia, não posso pegar rodovia, cuidar com as pessoas, etc e tal. Não precisa de CNH, capacete é legal (principalmente pra caso você se machuque, tipo quedas) mas não é obrigatório. </p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Acho que não depender da minha perna pra pedalar me deixa mais segura. Ser mais rápida faz com que me sinta atrapalhando menos, saindo mais rápido do caminho. As setas e a buzina me deixam muito segura que as pessoas estão vendo o que eu vou fazer, mas a arrancada mesmo, sem precisar contar com o delay de sair da inércia, já é excelente. </p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>O conforto não pode ser menosprezado. Precisei voltar em outra loja de material de construção de tarde e fui contente e tranquila -- levando menino e tudo, que quis passear "de verdade". Ir e voltar sem estar exausta e pingando é espetacular. Isso que me faz crer que vou conseguir fazer ginástica de novo: odeio chegar na academia cansada. </p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Ainda tenho um receio porque meu estado natural é: preguiçosa. Então preciso me manter atenta, porque querendo ou não a bicicleta era um exercício forçado. Um que muitas vezes eu nem fazia. No caso de hoje mesmo, eu acho que não teria ido de novo pra casa de material de construção se fosse pedalando no pêlo. Depois da operação vou sim voltar à academia, preciso, não tem jeito.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>É só que essa liberdade de locomoção, de ir quando eu quiser, sem depender de Uber, de ônibus, de força, nada, é muito legal. Eu fui criada em ônibus, mas em São Paulo é bem melhor que aqui em Floripa. Desde 2018 eu já queria ter comprado uma moto automática, mas não passei no exame médico do Detran. Meu tornozelo não dobra, e nas motos manuais a troca de marcha é no tornozelo esquerdo. Eu só posso dirigir automática. Mas não tem em nenhuma autoescola do ESTADO uma moto automática pra eu fazer aula, e eu não quis investir em uma sem testar antes.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>A autopropelida é um meio termo muito bom. Ainda vou gastar tubos de dinheiro indo pro Centro durante a operação e pós operatório, mas pra circular aqui no bairro não vou mais me preocupar com trânsito e preços de carros. </p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>E só ir... é bom demais.</p>
<!-- /wp:paragraph -->]]></content:encoded>
    </item>
    
    <item>
      <title>Muito mais difícil do que deveria ser</title>
      <link>https://martinha.online/2025/03/10/muito-mais-dificil-do-que-deveria-ser/</link>
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      <pubDate>Mon, 10 Mar 2025 20:18:52 GMT</pubDate>
      <description>As dificuldades e perrengues inesperados ao tentar configurar um blog no WordPress moderno e a reflexão sobre acessibilidade no open source.</description>
      <content:encoded><![CDATA[<!-- wp:paragraph -->
<p>Mudei tudo o blog de novo. Rodei, rodei e no fim caí no Wordpress. Na verdade a culpa foi do <a href="https://www.lennysnewsletter.com/p/the-creator-of-wordpress-opens-up-matt-mullenweg">podcast do Lenny com o CEO da Automatic</a>. Pensei "ah, é self hosted, tem um monte de plugin, não pode ser tão difícil". Foi tão difícil. </p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Instalar o Wordpress foi a parte mais fácil. Eu ainda lembrava de como era navegar pelo cpanel da hospedagem, criar um banco de dados, um usuário, atribuir o usuário ao banco. Subi os arquivos do Wordpress pelo FTP, acessei o endereço, instalou. Essa parte foi simples. Acho que porque não mudou nada nos últimos... 20 anos pra mais.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Todo o restante mudou. Os temas são todos temas de blocos, complexos, cheios de opções. Os temas básicos que vem instalados não têm uma barrinha lateral com widgets como antigamente. A interface trabalha com blocos, mas diferente do Notion, é difícil de usar. É como tentar usar um touch screen tendo um Palm, daquelas telas fofas que tu tinha de usar uma canetinha pra clicar.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Ok, eu tava doente. Mas achar um tema já foi difícil e mudei várias vezes. Até agora ainda não sei montar um menu com categorias no topo, mas acho que vou aprender. Cara, eu programava templates pra Wordpress. Eu tenho até curso disso. Fiz tanto freelance disso. E agora não consigo mais criar um menu.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Eu emburreci? Eu não sou mais o público? O que aconteceu?</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Aí resolvi procurar o plugin para mandar os e-mails, que foi o grande ponto né. Com a outra solução tava ruim, não tava ficando formatado o e-mail, pensei que seria mais fácil usar algo já pronto.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Depois de bater cabeça com o plugin errado, achei o oficial da Automatic. Levei diiiiiias pra formatar do jeito que eu queria. Acho que foi. Me avisa aí. O formulário pra se inscrever ainda não ficou do jeito que eu queria.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Nossa, aí eu importei os posts tudo de novo (fiz um script no python pra pegar o que eu já tinha migrado em arquivos .md e limpei pra formatação ficar melhor) e arrumar as imagens todas.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Isso tudo nas semanas que Corujo e Corujito pegaram uma virose, depois uma semana de folga, depois eu que peguei uma intoxicação alimentar (e a criança também, de novo. Pobrezinha.)</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Enfim. Parece que foi. Se não foi também, é isso. Vou aceitar como um sinal que eu falo demais na internet.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Mas acho importante a gente ver que a facilidade de adoção é um ponto importantíssimo de produto que o open source segue negligenciando. "Você pode customizar como quiser!" não é liberdade sem conhecimento, é assustador. Eu não quero customizar nada, eu quero fazer um login, começar a escrever e estar tudo certo já, como era no Substrack, como foi a diferença entre fazer uma conta no Mastodon e uma no Bluesky. Podia existir um "Wordpress lite", com coisas simples e rápidas, pra que mais pessoas migrassem pro open source.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>A beleza é que eu posso só sentar e fazer :) </p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Recursos:</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:list -->
<ul class="wp-block-list"><!-- wp:list-item -->
<li>Tema: <a href="https://gretathemes.com/wordpress-themes/justread/">Just Read</a></li>
<!-- /wp:list-item -->
<!-- wp:list-item -->
<li>Plugin para e-mail: <a href="https://www.mailpoet.com/">MailPoet</a></li>
<!-- /wp:list-item -->
<!-- wp:list-item -->
<li>Plugin para imagens de capa: <a href="https://getinstantimages.com/">Instant Images</a></li>
<!-- /wp:list-item --></ul>
<!-- /wp:list -->]]></content:encoded>
    </item>
    
    <item>
      <title>Como eu fiz meu Skoob self-hosted</title>
      <link>https://martinha.online/2025/02/26/como-eu-fiz-meu-skoob-self-hosted/</link>
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      <pubDate>Wed, 26 Feb 2025 14:58:09 GMT</pubDate>
      <description>O passo a passo de como extraí meus dados do Skoob e criei uma plataforma própria de livros lidos usando Google Sheets e Softr.</description>
      <content:encoded><![CDATA[<!-- wp:paragraph -->
<p>Eu nem sei há quanto tempo eu uso o Skoob, mas faz mais de 14 anos, porque quando    Eduardo foi me avisar que a gente estava namorando ele disse "vou atualizar o    cara-livro" se referindo ao Facebook e eu primeiro pensei no Skoob <em>(imagine    minha surpresa ao abrir o Facebook e ter um pedido de namoro lá. hihihih lembro    como se fosse ontem, eu estava na casa dos meus pais, no escritório. Minha mãe e    minha irmã estavam comigo e eu comecei a comemorar "Estou namorando! Estou    namorando!")</em>.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Mas nessa onda de serviços online sendo doidos e honestamente, o Skoob sempre    pareceu frágil, como se fosse cair a qualquer momento. Fiquei com medo e resolvi    apenas fazer um backup inocente.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>O tutorial abaixo não é tão simples. Só tô documentando como eu fiz. Se você    quiser fazer isso, <a href="https://calendly.com/mapreuss">pode me chamar pra    conversar</a> ou eu faço um orçamento pra fazer pra você.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:heading {"level":3} -->
<h3 class="wp-block-heading">Extraindo os dados</h3>
<!-- /wp:heading -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Por sorte o Skoob usa uma API interna (eu jurava que era hard-coded, PHP, sei    lá). Fui na página da biblioteca em <a href="https://www.skoob.com.br/estante/livros/1/277235/page:1">livros lidos</a>,    inspecionei elemento e descobri o endpoint para retornar todos os livros.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Para que você não precise ficar procurando, o endpoint é</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>    <code>https://www.skoob.com.br/v1/bookcase/books/[seu        id]/shelf_id:1/page:1/limit:36/</code></p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Troca ali <strong>[seu id]</strong> pelo número que tem no seu perfil do Skoob.    Por exemplo no meu endereço:</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>https://www.skoob.com.br/estante/livros/1/<strong>123</strong>/page:1</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Meu id seria <code>123</code>. </p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Eu abri isso no navegador e ele me deu um json. Note que no cabeçalho ele traz</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:code -->
<pre class="wp-block-code"><code><code>"paging": {</code>
<code>"total": 169,</code>
<code>"page_count": 5,</code>
<code>"page": 1,</code>
<code>"next_page": true,</code>
<code>"prev_page": false,</code>
<code>"limit": 36,</code>
<code>"first_item": 1,</code>
<code>"last_item": 36</code>
<code>},</code></code></pre>
<!-- /wp:code -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Tá vendo que tem o <code>page_count</code>? Como no meu caso eram 5, eu abri o    endpoint as 5 vezes, mudando o <code>page:1</code> para <code>page:2</code> até    5. Precisava? Acho que não. Mas eu fiquei com medo de mudar o <code>limit</code>    e não retornar tudo. Eram só 5 sabe.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Enfim, copiei e colei as 5 respostas no Visual Studio Code, depois apaguei essa    parte do cabeçalho, fazendo um grande <code>"response": [...]</code> com todos    os livros.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:heading {"level":3} -->
<h3 class="wp-block-heading">Tratando os dados</h3>
<!-- /wp:heading -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Depois fui pro <a href="https://chatgpt.com/share/67bf5c5d-e060-8010-ba2d-0df04b5cbf3a">ChatGPT    e pedi pra ele fazer um script em python pra mim</a> para transformar esse json    em um CSV. Acho que tem ferramentas que fazem isso online mas eu queria um pouco    de flexibilidade para escolher as colunas que eu queria.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Com o script, fui no <a href="https://colab.research.google.com/drive/1-tf0xdQB_y_8CZ_2SXR3YkQyArGUmQ6Q?usp=sharing">Google    Colab</a> e criei o script. Subi meu json e ele criou o CSV pra mim, com as    colunas que pedi. A única alteração que eu fiz foi ter adicionado o endereço do    Skoob na frente da URL, que no json não tinha.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Com o CSV, criei um <a href="https://docs.google.com/spreadsheets/d/1K3aNqXkjBmATBPviW4FVY81YSlm7nCRuTAE6uH1jGwA/edit?usp=sharing">Google    Sheets</a> com os dados. Como não gostei do formato de data, ainda <a href="https://chatgpt.com/share/67bf5d16-2bf8-8010-aa35-8ada5512c078">pedi    um script pro ChatGPT para mudar o formato pra mim</a>.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p><strong>FAQ</strong>: Sim, eu sou muito preguiçosa. Sim, meus prompts são sempre    muito preguiçosos. Não, eu não me arrependo de nada. Sim, eu tenho pena dos 500    litros de água que gastei pra fazer isso.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Pronto, tenho meu backup. E agora?</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:heading {"level":3} -->
<h3 class="wp-block-heading">Mostrando os livros no softr.io</h3>
<!-- /wp:heading -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Eu sou muito cadelinha do <a href="http://softr.io">softr.io</a>. Pra mim é uma    das melhores ferramentas de prototipação que tem, porque usa o Google Sheets    como base de dados, e eu sei usar o Google Sheets, e isso me deixa feliz. Além    do plano gratuito servir muito bem. </p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>O Airtable tem uma funcionalidade semelhante e nativa (o softr nasceu dando    suporte para o Airtable), mas eu ainda me sinto mais confortável com Sheets e    Softr. O Lovable também resolve, usando o Supabase, mas achei... não <em>    complicado</em>, mas meio que um tiro de canhão pra matar formiga, sabe? Eu    gosto do tanto certo de flexibilidade e automação aqui.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Eu acho bem intuitivo: você cria um novo projeto e conecta sua planilha. Cada    coluna é um campo, que tem vários tipos de exibição. Por exemplo, o Rating para    a nota que eu dei no livro, no Google Sheets é um número, mas eu posso escolher    exibir como número, texto ou estrelinhas. Ele já tem isso.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p><a href="https://martinha-leituras.softr.app/">O projeto ficou bem legal</a>.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Além de fazer a listagem, eu também adicionei os campos de Destaques do livro e    Resenha. Fiz uma página para adicionar livros, que aí eu posso usar direto a    interface, não preciso atualizar a planilha se não quiser. E ele tem tudo isso    de editar e adicionar já pré-feito. </p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Ele também já tem a área de login, então só eu posso fazer essas edições e as    outras pessoas só ver o conteúdo. Fica tudo centralizado.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:heading {"level":3} -->
<h3 class="wp-block-heading">Mais ideias</h3>
<!-- /wp:heading -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Eu não ia, mas agora estou pensando em colocar o status da leitura, tipo: lido,    abandonado, lendo, lista. Assim eu posso já pré-cadastrar o que pretendo ler. É    só adicionar mais uma coluna. </p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Infelizmente um bug estava me impedindo de editar itens caso eu mexesse no banco    de dados. Eu preciso remover o módulo e adicionar novamente, mesmo pra campos    que já existem. Aí deu preguiça.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Eu só não fiz o blog direto lá porque achei meio paia, mas agora eu já tô    considerando. Funcionaria bem. Tem até um módulo nativo pra comentários. Posso    conectar no <a href="https://supabase.com/">supabase</a> e postar a vontade.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Com certeza eu vou fazer algo semelhante para as minhas impressões 3D, com    galeria de fotos, facilidade de impressão e links para modelos. Queria bastante    compartilhar mais do processo, e focar menos na venda.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>E foi uma delícia fazer, fazia tempo que eu não nerdeava assim e foi gostoso.    Fiquei bem feliz com o resultado. Já tem algumas frases em destaque e algumas    resenhas lá, mas vou adicionando o restante aos poucos.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p></p>
<!-- /wp:paragraph -->]]></content:encoded>
    </item>
    
    <item>
      <title>Florianópolis, 6 de fevereiro de 2025</title>
      <link>https://martinha.online/2025/02/06/florianopolis-6-de-fevereiro-de-2025/</link>
      <guid isPermaLink="true">https://martinha.online/2025/02/06/florianopolis-6-de-fevereiro-de-2025/</guid>
      <pubDate>Thu, 06 Feb 2025 08:00:45 GMT</pubDate>
      <description>Reflexões sob o calor escaldante de Florianópolis sobre a rotina na casa nova e as complexidades de viver os próprios sonhos.</description>
      <content:encoded><![CDATA[<p>Faz muito calor esse verão. Tento comparar com anos anteriores, mas 2015 não foi tão quente; 2018 também não. Lembro de trabalhar na Lagoa da Conceição e sair para almoçar era um grande desafio: a fome e a preguiça de andar embaixo do sol quente com a perna inchada, deixando o conforto do ar condicionado, se debatiam até que a primeira vencia.</p>
<p>Talvez pareça mais quente porque não tem ar condicionado. O apartamento era mais alto, o vento corria mais; aqui na casa, na edícula, o vento não corre: uma grande porta de vidro apenas não deixa o vento quente circular, por não ter uma segunda saída para ele. As telhas de barro sem forro aumentam a sensação de estar sendo cozida no meu próprio suor e gordura. Os ventiladores trabalham incessantemente, os de chão durante o dia, os de teto durante a noite, e eles trazem apenas o conforto térmico necessário para não desmaiar. Alguns dias tive de trabalhar na casa principal, onde o vento corre livre e o pé direito alto ameniza o quentume. Mas logo a tendinite se fez presente, e eu também não gosto de estar fora da minha mesa e cadeira de trabalho. É onde me sinto confortável.</p>
<p>Apesar que não me sinto confortável, pelas minhas contas, desde julho do ano passado. Depois de passada a novidade do emprego novo, internacional, que veio em abril, em julho ficamos os três doentes e sinto que até hoje não me recuperei disso. Nunca mais me senti confiante, segura, ousada como era quando iniciei no trabalho; fiz grande esforço, muita terapia, mas ainda tenho dificuldade em ser <em> pior</em>. Entre melhoras e pioras, inclusive realizando o grande sonho da casa no caminho, minha cabeça segue repetindo as mesmas frases: o que você vai fazer? quantos anos você tem? queria um cigarro. nossa que vontade de morrer.</p>
<p>O sonho da casa também foi diferente do que eu esperava. Eu esperava viver numa eterna noite de natal: aquela alegria da magia, das luzes, das comidas e dos presentes. A grande expectativa para ver o que ia ganhar, a alegria de ganhar o que queria e até o que não sabia que eu queria. Não é surpreendente que não tenha sido assim: fiquei meses preocupada, resolvendo problemas, ansiosa com prestadores de serviço, gastando um dinheiro infinito para finalmente o grande dia da mudança. E depois da mudança... não veio o alívio. É como estar em uma piscina em que a água se mexe e precisar mudar de direção: a cabeça segue no hábito da ansiedade e da infinita lista de coisas a serem resolvidas, num looping de: para fazer A, antes preciso fazer B; para fazer B, primeiro preciso fazer C; mas D é mais importante que C.</p>
<p>Não estou reclamando que a vida seja assim. Até me dá certo alívio: quando terminar de fazer tudo que preciso e quero fazer, o que sobra senão a morte, o fim? Por mais que minha cabeça com frequência me diga a frase &quot;nossa que vontade de morrer&quot;, eu sei que é da boca pra fora, que eu realmente não tenho essa vontade. Eu tenho um moleque pra criar, 30 anos de dívida, paredes pra pintar. E sempre tem roupa pra lavar, piso pra esfregar, risada pra rir.</p>
<p>Ao mesmo tempo, sei que como me sinto não é o meu... &quot;normal&quot;? livre de qualquer chaga mental? saudável? como as outras pessoas vivem? Enfim, eu já tive épocas melhores. Pensar o tempo todo &quot;quero morrer&quot; é irritante. Me desconcentra. Me deixa meio assustada também. Vai que eu cedo? Vai que eu me jogo da escada ou do deck? Vai que eu compro um pendrive desses e começo a fumar, e meu pulmão gruda e fecha igual o da minha avó, e eu morro sufocada?</p>
<p>Não quero deixar meu moleque e o amor da minha vida sozinhos para se virarem. Quero estar com eles. Queria estar até mais com eles. Queria férias, ficar o dia todo com o menino sem fazer nada, vamo pra praia e você pega todos os baldes de água e areia que quiser que eu fico sentada aqui te olhando e fazendo buraco contigo.</p>
<p>Mas as praias são um esgoto a céu aberto, e eu não quero ficar com virose. Minhas férias só vem a partir de abril. Eu provavelmente vou fazer uma cirurgia em março, de correção de septo, e tô quase <em>ansiosa</em> por ficar 7 dias de licença médica, deitada, sem fazer nada.</p>
<p>Tô tão exausta. Tão cansada. E parece que nada descansa. Como uma sede infinita que a água não consegue aplacar. Será que essa é minha vida agora? Será que vou me sentir assim pra sempre, e só me resta me acostumar com isso? <em>A pain that I'm used to</em>?</p>
<p>Eu não posso acreditar nisso. Eu não quero me acostumar. Eu <strong>sei</strong> que não precisa ser assim. Mas por enquanto só posso esperar passar. Todo o resto eu já fiz.</p>
<p>No mais, a vida segue incólume, sem se importar sobre minhas percepções dela. A criança cresce como os abacates que carregam o pézinho de guacamole do quintal. A chuva cai, às vezes avassaladora, às vezes como uma garoa. A grama farfalha com o vento, e os insetos se regozijam nas sobras de comida que por ventura são esquecidas por alguns minutos na mesa ou na pia. Tudo segue.</p>
<p>Que bom.</p>
]]></content:encoded>
    </item>
    
    <item>
      <title>Estamos de casa nova</title>
      <link>https://martinha.online/2025/01/31/estamos-de-casa-nova/</link>
      <guid isPermaLink="true">https://martinha.online/2025/01/31/estamos-de-casa-nova/</guid>
      <pubDate>Fri, 31 Jan 2025 15:08:38 GMT</pubDate>
      <description>A saída do Substack por motivos éticos e o processo de migração do blog para uma hospedagem própria e independente com HTMLy.</description>
      <content:encoded><![CDATA[<p>Eu gostava bastante do Substack. Porque é bonito; é simples; me trouxe de volta    um sentimento de blogueiragem raiz, apesar das newsletters que sigo por lá serem    bem profissionais. Inclusive pago pela <a        href="https://garapuletter.substack.com/">Garapuvu</a>, que é minha    principal fonte de informação sobre Florianópolis.</p><p>Mas eu sabia que os donos eram fascistas, bem alinhados com Trump e Elon Musk.    Veja, se eu saí do Twitter (RIP), se eu desinstalei o Instagram (depois instalei    de novo enquanto um concorrente à altura não aparece, mas já estamos caminhando    pra isso), já não tenho Facebook há anos... ficou incongruente me manter no    Substack. </p><p>Não tem jeito: conteúdo nosso é self-hosted. Não quero meu conteúdo em lugares    que eu não sei como vai ser usado. Tem como escapar de tudo? Não. O Google mesmo    tem minha vida todinha e o trabalho que dá pra sair não compensa o esforço. Pelo    menos não agora.</p><p>Então, resolvi migrar o blog para a minha hospedagem.</p><h3>Ferramentas escolhidas</h3><p>Eu queria um blog simples, sem muita frescura, sem ser Wordpress porque não    adianta fugir do sujo indo pro mal-lavado. Queria algo open source. Procurei e    procurei, fiquei um bom tempo olhando porque foi difícil achar uma alternativa</p><ul>    <li>Bonita, ou pelo menos não horrorosa</li>    <li>Fácil de instalar em um host comum com FTP, PHP no máximo um MySQL</li>    <li>Que tivesse interface para eu poder postar do tablet também.</li></ul><p>No fim, acabei testando o <a href="https://www.htmly.com/">HTMLy</a>. Ele é um    gerador de páginas estáticas, de markdown, mas tem uma interface amigável    ("bonita" é exagero, mas pelo menos não é horrorosa). Tem temas fáceis de mexer.    É um gerenciador de páginas. Pelo menos tem RSS.</p><p>Aí vem a outra parte que eu gostava no Substack: enviar e-mails para os leitores.    Não eram muitos, mas eu queria manter isso.</p><p>Exportei os e-mails de lá e fiz um cenário no <a href="https://make.com">Make.com</a>.    Sempre que um post é enviado via RSS (então não preciso fazer nada além de    publicar um post), ele percorre uma planilha com os endereços de vocês e manda    um e-mail. </p><p>Também fiz um cenário para gerenciar os assinantes. Dá para se adicionar ou    remover da lista com facilidade. </p><p>Me avisem se está funcionando. Coloquei comentários do disqus para facilitar.</p><p>Não que eu tenha muita coisa pra falar, ou que queira me expor. Mas é bom ter a    opção.</p>]]></content:encoded>
    </item>
    
    <item>
      <title>Hemangioma-face</title>
      <link>https://martinha.online/2025/01/08/hemangioma-face/</link>
      <guid isPermaLink="true">https://martinha.online/2025/01/08/hemangioma-face/</guid>
      <pubDate>Wed, 08 Jan 2025 17:02:32 GMT</pubDate>
      <description>Um desabafo sobre representatividade e a indignação ao ver um hemangioma ser pintado de forma caricata em vídeos da internet.</description>
      <content:encoded><![CDATA[<!-- wp:paragraph -->
<p>Quando me perguntavam o que eu queria ser quando crescesse, eu não sabia o que responder. Eram tantas possibilidades. Eu podia ser qualquer coisa. Então descobri que quem fazia novela e filme chamava “atriz”. Achei perfeito: se eu fosse atriz, eu poderia ser de qualquer profissão. Muito versátil. Para ajudar, ainda uma prima é uma atriz famosa. Ela não sabe que eu existe, mas é aquilo igual da família Cavalcante, que todo mundo saiu do mesmo ramo, sabe?</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Mas eu nasci com uma mancha de nascença no rosto e no corpo todo. Eu achei que isso ia me impedir de atuar. Que eu até poderia atuar no teatro por exemplo, mas que nunca seria contratada pra TV (mal sabia eu que eu estava diminuindo a coisa errada, mas eu era uma criança dos anos 90, não sabia nada da vida). Até o tratamento a laser no rosto eu fiz com a esperança da mancha sair e eu poder ser atriz, igual minha prima.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p><em>No Ensino Médio entrei para o clube de teatro da minha escola católica. Eu era a mais velha. Peguei o papel principal. Não tiraram nenhuma foto de frente da minha performance. Eu tinha certeza que era porque eu tinha a mancha. Mas se fosse um problema tão grande assim, será que ninguém ia sugerir uma base? Hoje já acho que era só um ângulo para pegar o “palco” todo.</em></p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>A mancha nunca saiu. E depois de várias montanhas-russas sobre isso, finalmente passei a celebrá-la. Eu não fui atriz porque eu não quis e não investi, apesar de gostar. Não tem nada a ver com a mancha. Eu poderia ter sido atriz com mancha. Eu poderia entrar numa trupe de teatro agora, aos 37 anos. Teatro é sobre gente, sobre mágica, e eu sou as duas coisas e todas as outras. A mancha nunca me impediu de nada do que eu achei que ela fosse me impedir. Não me impediu de ter amigos, achar emprego, nem de namorar, ficar, casar, ter filho, realizar meus sonhos, nada.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:image {"id":169,"sizeSlug":"large","linkDestination":"none","align":"center"} -->
<figure class="wp-block-image aligncenter size-large"><img src="https://martinha.online/neuroses-cotidianas/wp-content/uploads/2025/01/Hemangioma-Face-Jan-30-2025-576x1024.jpg" alt="" class="wp-image-169"/><figcaption class="wp-element-caption"> <em>Minha amiga Carol fez esse quadro lindo que é, literalmente, a minha cara.</em></figcaption></figure>
<!-- /wp:image -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Até aí, tudo bem.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Na internet, tive meus momentos também. Conheci outras pessoas com hemangioma na comunidade do Orkut — não me lembro se eu criei ou só entrei quando ela era muito embrionária. Depois, algumas pessoas conhecidas passaram a surgir. A <a href="https://www.tiktok.com/@ryley">Ryley</a> faz maquiagens e celebra sua mancha. Outras pessoas mostraram suas vidas com a mancha. Uma busca simples por <em> birthmark</em> traz um monte de pessoas legais.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Tudo isso pra dar um pouco de contexto sobre como me senti ao ir passando os shorts do YouTube e encontrar uma <a href="https://youtube.com/shorts/0kfDe-9h30M?si=jYQmnBKVa5nYlMvL">atrocidade</a>. Eles contam <a href="https://www.tiktok.com/@olliella/video/7298932408416603400?is_from_webapp=1&amp;amp;sender_device=pc&amp;amp;web_id=7366358810254509573">a história da menina que pinta uma boneca para parecer com a mãe</a>, mas em vez de pegar uma atriz com a mancha, colorem um hemangioma no rosto dela. Como um black-face só que hemangioma-face.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Eu ia reclamar nos comentários mas o vídeo (de uma história falsa e requentada — a original era uma boneca que a mãe já tinha em casa) foi apenas dublado para português e, pelo visto, é russo. Além disso, eu sinto que as pessoas nos comentários não iam entender. Estão todas dizendo “ah que lindo!”, “nossa, muito emocionante!” e eu aqui me sentindo ultrajada. Desrespeitada. Uma chacota.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Veja, eu nasci branca, eu nunca vou saber o que é um black-face. O mais próximo disso que eu tinha sentido até hoje são os tik-tokers com uma toalha na cabeça ou uma camiseta social feminina exagerando nossas mães, avós e tias — o que já é bem desrespeitoso, mas está no âmbar cultural que estamos inseridos e quase, algumas vezes, rola um quê de identificação. Ouso dizer de humor.</p>
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<p>Mas ver a minha mancha, o meu rosto, sendo PINTADO falsamente em outra pessoa? Uma pessoa que vai passar uma água micelar e seguir a vida dela? Meu estômago dá um nó. Minha garganta fecha. Porque eu sei o que eu senti quando fui na médica, ela fez mil exames, chegou à conclusão que eu não tinha nada e disse “Ah, se é só estético, melhor nem mexer”. Eu sei o quanto eu chorei aquele dia, me sentindo fadada a ser feia pra sempre.</p>
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<p>Em ainda outro nível, eu sei o que é ser mãe e precisar cuidar da má-criação de gente doida da internet (da criança também, eu jamais deixaria meu moleque entrar em uma loja de brinquedos nem com um sorvete, quem dirá com uma canetinha). Eu sei da emoção que é uma criança que você fez te admirar, depois de todas as outras que você conheceu na vida naturalmente te estranharam.</p>
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<p>E aí usar isso tudo… pra me representar… tão falsamente?</p>
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<p>Eu já sei. Eu tô me sentindo a trupe Avatar (o desenho, não filme) quando eles assistem a peça de teatro. É uma representação caricata dele, pela ótica da Nação do Fogo, e apesar de ter um fundo de verdade e alguns chamarem até de “homenagem", eles sabem que é no máximo uma elofensa.</p>
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<!-- wp:paragraph -->
<p>Talvez eu esteja exagerando — vem uma voz no fundo da minha cabeça. Talvez seja fofo, e eu esteja problematizando algo que talvez eles tiveram boa intenção de fazer. Mas quer saber? Eu cansei de aceitar ser humilhada porque “eu tenho boas intenções” ou “eu só tô falando pro seu bem”. Eu não aceito mais.</p>
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<p>Eu sou uma pessoa com uma mancha de nascença. Não tem boneca pintada ou pais que façam tatuagens com a mesma mancha que tirem a minha solidão. Pessoas sem manchas não vão entender isso nunca e não estão me celebrando adicionando manchas ou maquiagens nelas. Quem me celebra são outras pessoas com manchas. Pessoas que brincam com as cores e aquarelas das suas peles. Pessoas que sorriem em tons de púrpura, rosa, branco, marrom, preto, todos. Pessoas que sabem que a gente já chorou num procedimento estético, por fazer ou por não fazer. Aqueles que eu encontro na rua e sorrio, “olha, eu também tenho!”. Gente que muda de cor no frio.</p>
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<p>Não tente imitar as características do outro. Recolha-se à sua insignificância de ser padrão. Não seja o protagonista de histórias que não são suas. Eu posso contar eu mesma, se alguém quiser ouvir de verdade.</p>
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<p>A terapia é só sexta-feira, sabe?</p>
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<p></p>
<!-- /wp:paragraph -->]]></content:encoded>
    </item>
    
    <item>
      <title>Da escada</title>
      <link>https://martinha.online/2024/12/18/da-escada/</link>
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      <pubDate>Wed, 18 Dec 2024 10:49:06 GMT</pubDate>
      <description>Memórias de infância sobre casas e expectativas familiares, culminando na realização do sonho de comprar meu próprio sobrado.</description>
      <content:encoded><![CDATA[<p>Quando eu era pequena minha mãe tinha um sonho: morar na casa que ela construiu.    A gente morava numa casa herdada da minha avó paterna (a avó não morava com a    gente) que naquela época já era muito velha. Meu pai fumava e as paredes de    madeira e barro absorviam o odor. O mofo piorava as condições respiratórias da    minha irmã. A gente vivia doente. Então minha mãe viu no terreno ao lado, que    também era nosso, uma oportunidade de fazer uma casa nova para a família morar.</p><p>Meu pai não compartilhava das mesmas prioridades. Era 1994, o plano real trazia a    equiparação com o dólar e equipamentos de informática eram mais acessíveis. Ele    era programador, então ter um computador era mais que um hobby. </p><p>Eles discutiam. Na minha cabeça de criança, era simples assim: a mãe quer uma    casa, o pai quer um computador. Não vou entrar nos detalhes que elaborei na    análise porque são conjecturas que nem sequer me cabem; não é problema meu o que    meus pais precisam resolver entre eles.</p><p>Mas eu ficava imaginando como seria morar na casa nova. </p><p>Eu me imaginava adolescente. Magra, sem barriga, cabelo longo: coisas que eu só    podia sonhar quando era criança. Sem a mancha, também. E eu me imaginava sentada    na escada, porque a casa nova era um sobrado, e um namoradinho vir me buscar pra    gente sair. Bem seriado norte americano. Sou uma criança dos anos 90 afinal.</p><p>Fui magra mas sempre tive barriga; o cabelo, eu cortei. A gente se mudou sim pra    casa nova, mas eu não fui uma adolescente feliz lá. Eu lembro da sensação de ter    meu quarto, o cheiro do cimento do reboco e do piso crus, sem acabamento ainda.    E de todas as fases depois disso: colocar os pisos (e dividir o quarto com a    minha irmã por um mês, o que foi uma tortura), o corrimão da escada, refazer a    escada umas três vezes porque ficou mal-feita, meu aniversário de 18 anos na    laje com churrasco, amigos e Dance Dance Revolution.</p><p>Às vezes eu acho que minha mãe não realizou o sonho dela, mesmo tendo a casa,    porque o sonho dela era uma família. E eu não realizei o meu também, não naquela    outra casa, na casa deles. Porque o amor e a paz que eu buscava não estavam lá.</p><p>Mas estão aqui, na minha casa.</p><p>Meu marido e eu juntamos nosso FGTS e conseguimos dar entrada em um sobrado. Eu    vi o anúncio no instagram, eu nem seguia a corretora. Mas quando eu vi, me    apaixonei: era um sobrado com duas suítes, um quintal e uma edícula. Do jeitinho    que eu queria. </p><p>Conversei com Eduardo, vimos o bairro, marcamos uma visita. Fomos os primeiros a    visitar. O sobrado estava com reforma nas suítes — bom sinal. Perguntei pro dono    o motivo da venda: “eu tenho outra casa e não tive boa experiência com aluguel". </p><p>Solicitamos a compra. Tivemos a ajuda da correspondente bancária, a sorte do    marido trabalhar em banco e ter taxas mais baixas, bons scores no Serasa, e deu    tudo certo. Em 30 anos a casa é nossa. </p><p>Eu vi o story em 8 de agosto de 2024. 11:53 da manhã, pra ser mais exata. Nós    assinamos o financiamento em 27 de setembro. Eu vou me mudar dia 20 de dezembro.    E desde 8 de agosto eu não penso em outra coisa que não seja essa casa. Vão ser    134 dias esperando o momento de realizar esse sonho de vida inteira. </p><p>Eu tô absolutamente exausta.</p><p>Eu pensei em tudo. Fiz planilha, achei escolas, academia, limpeza de caixa    d’água, engoli (e vomitei) desaforo, decoração, móveis, carreto… Quando eu não    aguentei mais, até pedi ajuda (kkkkkk risos) e Eduardo achou pedreiro e    eletricista.</p><p>Hoje estão lá, montando os móveis.</p><p>Quando eu sento nas escadas da minha casa, meu sonho se realiza: tenho uma    família amorosa, sem brigas. Tenho até o cabelo longo, mesmo sem ser magra e    ainda tendo muita barriga — aprendi a viver com isso, é ok.</p>]]></content:encoded>
    </item>
    
    <item>
      <title>Mais uma volta ao redor do Sol</title>
      <link>https://martinha.online/2024/11/26/mais-uma-volta-ao-redor-do-sol/</link>
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      <pubDate>Tue, 26 Nov 2024 17:01:32 GMT</pubDate>
      <description>Um balanço aos 37 anos sobre conquistas importantes como a casa própria e o trabalho internacional, buscando errar com mais leveza.</description>
      <content:encoded><![CDATA[<p>Em um domingo qualquer, 20 anos atrás, eu estava refletindo sobre a vida da minha    mãe, em um desses momentos adolescentes que a gente picota o cordão umbilical.    Eu pensei que ela seguiu o script da vida: ela estudou, se casou, teve duas    filhas. Eu, no topo dos meus 16 anos, não quis seguir esse script. Quis seguir o    meu caminho, errar, desviar da norma. Logo era a hora do jantar, e expressei pra    ela meu desejo de não ser igual, não seguir um script, mas… o filtro adolescente    fez com que tudo saísse agressivo, como se ela fosse errada por ter vivido a    vida dela, e como se ela tivesse tido uma vida perfeita. Ela ficou chateada. No    outro dia eu pedi desculpas, mas se seguiram semanas de tratamento de silêncio    que só se resolveram quando eu voltei pra norma: mudei de escola para a que ela    trabalhava, botei minha máscara de boa menina e tive a primeira experiência com    a depressão que passou despercebida entre os hormônios da adolescência.</p><p>Eu trato minha depressão desde meus 23 anos. Mas a que eu tratava lá atrás não é    a mesma que eu trato hoje. Eu enxergo a depressão como um vírus de computador    que se adapta. A primeira coisa que um vírus antigo de computador fazia era    impedir que você lesse CDs: assim, não poderia instalar antivirus. A depressão    tira suas alegrias e vontade de ver gente, te mantendo naquele espiral de nada.    Eu tento lidar com ela, às vezes passo alguns meses indo bem, mas aí viro uma    esquina e a gente se encontra de novo.</p><p>Já desisti de esperar que seja diferente e aceitei que vai ser sempre assim. Meu    objetivo é só que as crises sejam leves e sair delas o mais rápido possível.</p><p>Quando eu comecei a fazer análise, eu achei que era deprimida porque eu vesti    aquela máscara lá 20 anos atrás e nunca mais tirei. O problema da máscara é que,    além de eu ser uma péssima mentirosa, ela me corrói. E eu achava que estava    fazendo o certo, sabe? “Puxa eu tenho tudo. Por que estou tão infeliz?” aí    trocentas terapias depois: “ah é, eu tenho tudo que outra pessoa queria pra mim!    Por isso estou tão triste. Agora vou fazer o que eu quero pra mim!"</p><p>Daí eu fiz.</p><p>Com o mercado de trabalho do jeito que tá, realizei meu sonho de falar inglês sem    morar em outro país: achei um emprego na gringa. Ele não paga 5x o valor do meu    salário anterior porque sou CLT, mas isso é ainda melhor. Férias, 13o, FGTS,    tudo: talvez mais do que meus colegas americanos. Fiquei bem feliz.</p><p>Por um mês.</p><p>No segundo mês ficamos doentes em casa, a carga de trabalhar 8h/dia (depois de 3    anos trabalhando 6h/dia) bateu forte, eu pirei e deprimi pesado. Nossa, teve o    diagnóstico de TDAH também. Uma bagunça.</p><p>Mas por quê? Porque eu não gosto de iniciar um trabalho novo. Eu detesto. Porque    eu fico perdida, não sei o que está acontecendo, preciso aprender e errar e isso    é tão desconfortável.</p><p>Daí tá. De repente, meu maior sonho aparece em um story de instagram: minha casa,    com quintal e edícula, num valor possível de pagar, financiável, em um bairro    bom.</p><p>Eu tô até agora sem acreditar que eu comprei uma casa, em Florianópolis, antes    dos 40, sem que nenhum parente meu morresse pra isso pra eu herdar nada (não que    eu quisesse, mas é como eu achei que fosse ser). Eu fiquei exultante, eu nem    sabia que dava pra ser tão feliz. Tem até um abacateiro no quintal, sabe?</p><p>Daí fiquei 2 meses hiperfocada em resolver absolutamente tudo e burnoutei.    Pronto, depressão.</p><p>Parece que realizar sonhos não é sobre abrir um presente, mas trabalhar por eles.</p><p>Parece que o esforço da colheita é diferente do da plantação, mas ainda é um    esforço.</p><p>Sou muito grata. Estou muito feliz. Na verdade, me sinto culpada quando não me    sinto feliz. Segui o script, mas coloquei umas notas em volta. Casei. Mudei de    estado. A gente chegou sem nada, só com as roupas na mala. E agora compramos    nossa casa. Temos um filho lindo. Trabalho pra gringa, uma carreira bacana, fui    elogiada pra firma toda com 6 meses de casa. Pago minhas contas. Ganhei apoio    dos meus pais, monetário e simbólico. Refiz minha relação com a minha irmã e com    meus pais.</p><p>Quando eu fiz 30 anos eu não fiquei “ai meu deus 30 anos” que nem todo mundo. Sei    lá, eu achei normal. Tanto que mudei de profissão aos 31. Mas agora que tá    chegando os 40 tá batendo diferente. Adulta né. Mas meu bingo (meu?) tá    completo. Com casa, casamento, criança, carreira e 200 horas de Stardew Valley    com todas as receitas entregues, faltam 3 peixes e outras miudezas. No jogo, a    perfeição vem.</p><p>Na vida, tomara que não venha. A ânsia de querer e o tédio de possuir do    perfeccionista é impossível, frustrante e cansativo. Que eu seja menos    perfeccionista aos 37. Que eu faça mais ginástica. Que eu coma tranquila. Que eu    não queira morrer. Mas que eu fique triste às vezes, que eu fique ansiosa um    pouquinho, que eu fique feliz, aliviada, e leve.</p><p>E que venha mais um ano pra gente escrever mais um script.</p>]]></content:encoded>
    </item>
    
    <item>
      <title>Como desenvolvi e matei minha persona profissional</title>
      <link>https://martinha.online/2024/10/09/como-desenvolvi-e-matei-minha-persona-profissional/</link>
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      <pubDate>Wed, 09 Oct 2024 16:59:05 GMT</pubDate>
      <description>A transição da persona acolhedora de Martinha para assumir meu espaço e autoridade como Marta no ambiente profissional.</description>
      <content:encoded><![CDATA[<!-- wp:paragraph -->
<p>A gente tira o casaco quando está calor.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>O ano era 2009, eu trabalhava em uma agência de websites como front-end. O ritmo era insano. Eu ainda desengonçada por ter saído da faculdade, tentando construir meu senso de "eu" -- que só está realmente sendo construído agora quase no ano 3 da psicoterapia, mas divago. Logo “eu”, não sou como as outras garotas, uso jeans, all star e camiseta preta, não uso esmalte e falo muito palavrão.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Uma colega ouviu isso e disse “Engraçado, você tem essa pose de durona mas todo mundo te chama de Martinha”. Isso me pegou demais.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>O ano era 2018, eu era front-end em uma empresa em Florianópolis. Um amigo tirou uma foto minha e disse: “essa é a cara que você faz quando a gente te pede ajuda”. A foto:</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:image {"id":175,"sizeSlug":"large","linkDestination":"none","align":"center"} -->
<figure class="wp-block-image aligncenter size-large"><img src="https://martinha.online/neuroses-cotidianas/wp-content/uploads/2024/10/Como-Desenvolvi-e-Matei-Minha-Persona-Profissional-2-576x1024.jpg" alt="" class="wp-image-175"/></figure>
<!-- /wp:image -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Ok, eu tava comendo, mas não vem ao caso.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Esse deve ter sido o melhor feedback que já recebi em toda minha vida.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Daquele dia em diante, decidi mudar isso. Porque eu gosto de ajudar, porque eu me importo, e se a comunicação é uma tríade de transmissor, meio e ouvinte, eu preciso fazer minha parte.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Fiquei muito mais simpática e acessível. Compartilhei informações com vontade. Lembrei de um conselho que recebi em 2005. Eu era monitora de uma escola de informática. Eu tinha muita dificuldade de explicar as coisas aos 17 anos. Lembro até hoje de um idoso que eu não consegui explicar como trocar o papel de parede do windows. Outro professor me deu a dica de ouro: use analogias. A pessoa pode não saber sobre o quê você está falando, mas ela tem algo no universo dela que é semelhante (oi, Paulo Freire).</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Isso me fez ser a ponte entre humanas e exatas que eu sempre fui na casa que cresci, e usar trauma como feature. Deu super certo. Foi isso que me guiou até onde estou hoje.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Para servir nessa persona, eu achava “Marta” um nome forte demais. Um nome de idoso. Nos EUA, a maioria das Martas foram registradas nos anos 50, ou seja, estão com 74 anos pra mais hoje. Um nome de senhora, respeitável, que cria um degrau imaginário de respeito que eu não queria ter.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:image {"id":176,"sizeSlug":"large","linkDestination":"none"} -->
<figure class="wp-block-image size-large"><img src="https://martinha.online/neuroses-cotidianas/wp-content/uploads/2024/10/Como-Desenvolvi-e-Matei-Minha-Persona-Profissional-1-1024x869.png" alt="" class="wp-image-176"/></figure>
<!-- /wp:image -->
<!-- wp:paragraph -->
<p><a href="https://www.thebump.com/b/marta-baby-name">Dados dos EUA</a> porque não achei brasileiros, que deve ser bem menos popular.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>[Editado em 04/11/2025: achei os dados do Brasil:]</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:image {"id":275,"sizeSlug":"large","linkDestination":"none"} -->
<figure class="wp-block-image size-large"><img src="https://martinha.online/neuroses-cotidianas/wp-content/uploads/2024/10/image-1024x615.png" alt="" class="wp-image-275"/></figure>
<!-- /wp:image -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Fonte: <a href="https://censo2022.ibge.gov.br/nomes/nome/marta?tipo=nome&amp;localidade=0">https://censo2022.ibge.gov.br/nomes/nome/marta?tipo=nome&amp;localidade=0</a></p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>[/fim da edição]</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Me diminuí pra caber no papel: Dona Marta é uma pessoa diferente da Martinha. A Martinha é leve, brincalhona. Ela está pronta pra te ouvir e te ajudar a achar uma solução criativa para seu problema. Ela vai te explicar as coisas de um jeito que você entende, e acomodar suas necessidades de acessibilidade, como legendas, cores caso você seja daltônico, aumentar ou diminuir o volume. Martinha é criativa, inteligente e não tem tempo ruim: “Putz deu tudo errado!” “Ok, como a gente vai fazer de novo?”.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Trabalhei muito para ser assim e tenho orgulho de ser assim. É algo que ressoa comigo. É algo que genuinamente me ilumina, me deixa contente, me alimenta e carrega minha bateria social. Me enche de dopamina. Eu amo fazer uma palestra, eu amo o alívio de uma pessoa quando ela entende um conceito que eu expliquei, eu absolutamente vivo pela sensação de fazer um bom trabalho que ninguém tinha pensado antes.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Mas deixei de ser a Martinha. Na minha empresa nova, me apresentei como Marta e sou a Marta.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Primeiro porque americanos e falantes de inglês vão ter dificuldade com o nha. Não é um som que estão acostumados a fazer. Inclua isso na parte da acessibilidade: é uma acessibilidade linguística remover a parte complicada de um nome que funciona tão bem na gringa, que já chegaram a me confundir como não-brasileira.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Mas tem uma coisa a mais: eu não sou pequena. Não sou inocente. Não sou uma menina. Sou uma mulher. Uma profissional com quase 20 anos de experiências variadas. Uma referência, uma pessoa com conhecimento, uma pessoa cuja opinião deve ser ouvida e considerada.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Isso não quer dizer que sou inacessível, arrogante ou fechada. Não quer dizer que deixei de estar pronta para ajudar com um sorriso, simpatia e esse calorzinho de um abraço virtual respeitoso.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Mais do que nunca, sigo fiel aos meus valores: eu os construí, eles fazem sentido pra mim e gosto deles. Apenas assumi também, que, às vezes, vou estar comendo e irritada; às vezes, se eu já expliquei algo trezentas vezes, explicar a 301 pode ser cansativo. Às vezes, eu não vou ser a melhor pessoa para fazer algo, vou estar sobrecarregada ou não faz parte do meu escopo, e vou dizer não. Às vezes eu vou travar, eu não vou saber fazer algo, e vou pedir ajuda. Eu não sei tudo, e ainda bem, deus me livre.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Saber e aceitar isso e ocupar meu lugar como Marta é uma progressão dessa persona, mantendo as coisas que ela me traz, mas refinando para um modelo mais maduro e ainda mais sereno.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Olha a Marta Preuss, que graça:</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:image {"id":177,"sizeSlug":"large","linkDestination":"none","align":"center"} -->
<figure class="wp-block-image aligncenter size-large"><img src="https://martinha.online/neuroses-cotidianas/wp-content/uploads/2024/10/Como-Desenvolvi-e-Matei-Minha-Persona-Profissional-3-576x1024.jpg" alt="" class="wp-image-177"/></figure>
<!-- /wp:image -->
<!-- wp:paragraph -->
<p>Você não gostaria de ver uma palestra dela? Tirar umas dúvidas com ela, bater um papo? Eu gostaria. E esse é o máximo de auto-estima que eu jamais tive na vida.</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:paragraph -->
<p></p>
<!-- /wp:paragraph -->]]></content:encoded>
    </item>
    
    <item>
      <title>E a cultura de Produto no Brasil hein?</title>
      <link>https://martinha.online/2024/07/25/e-a-cultura-de-produto-no-brasil-hein/</link>
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      <pubDate>Thu, 25 Jul 2024 16:53:38 GMT</pubDate>
      <description>Uma visão crítica sobre as particularidades do mercado de tecnologia no Brasil e por que modismos gringos de Produto nem sempre cabem na nossa realidade.</description>
      <content:encoded><![CDATA[<blockquote>Disclaimer: Eu pensei bastante se eu trazia ou não discussões de Produto pra cá; é um blog pessoal, não quero misturar as coisas, etc. Tem um blog tão bom, o Tech and Tea, cuja autora consegue misturar tão bem a vida e a maternidade dela com o mundo de Produto. Mas eu não sou assim, as coisas aqui são separadas, e eu não sei se vou continuar escrevendo de Produto aqui. Vou continuar escrevendo sobre minha vida pessoal com certeza. Então não se inscreva se você espera conteúdos frequentes sobre Produto, porque eu não estou prometendo nada. Vai me seguir no Linkedin. Só não vou postar lá porque não vou dar conta dos feedbacks e porque quero espaço pra falar muito.</blockquote>
Uma coisa sobre o mundo de Produto que me irrita um pouco é que, como várias outras disciplinas da tecnologia, é que um homem branco fala uma besteira em um podcast e as pessoas levam isso a sério. Nenhuma novidade aqui, tivemos várias personalidades durante todos esses anos — essa semana mesmo vi um vídeo maravilhoso do Steve Jobs dando palestra que é uma aula de Produto em si. Mas enfim. Tenho ranços e heróis, como qualquer outra área.
<p>Alguém, em algum momento, disse que &quot;o Product Ops flopou&quot; [1]. Primeiro explicando o verbo, flopar vem de flop, e significa que um evento não teve sucesso, que ninguém participou. E Product Ops é uma disciplina de uns 2, 3 anos, que ajuda os times de Produto, CS e Engenharia a trabalhar melhor juntos com o uso de dados, processos e automações.</p>
<p>Eu sou uma Product Ops bem apaixonada. Então uma frase dessa me deixa fisicamente irritada. (a frase foi feita pra causar esse efeito - mesmo pesquisando, não achei isso em mais lugar nenhum além do podcast cujo tema nem sequer é product ops).</p>
<p>Bem o próprio mercado pra Product Managers não está lá muito bom. Conversas na comunidade relatam a dificuldade de achar vagas. As vagas pedindo mais e mais, pagando menos - como se nós tivéssemos perdido conhecimento ou diminuído nosso custo de vida. O pessoal do AirBNB disse que não usa mais Product Managers e o povo ficou “oooohhhh”. Daí se não tem Product Managers, não tem Product Ops.</p>
<p>Eu só acho que a gente traz essas discussões de um modelo internacional e tenta encaixar no nosso modelo nacional, mas a nossa realidade é profundamente diferente. Do mesmo jeito que tentamos trazer a ideia de squads do Spotify e a febre do ágil tendo empresas de tecnologia, continuamos fazendo processos de cascata e go-horse, muitas vezes fritando pastel.</p>
<p>Porque uma barraca de pastel continua entregando pastel. Ela não vai entregar outra coisa. O que funciona nos Estados Unidos é, sei lá, um token para os pedidos; no Brasil, o berro faz o pastel sair. Acho que a gente devia honrar mais nossa cultura e entender nossos contextos. (o que não é tratar ninguém aos berros, óbvio; mas ser criativo, inovador, enfim: temos nossa cultura e nossas diferenças, não é porque um americano ou europeu fez que é bom pro resto do mundo).</p>
<p>Acho que a maioria das empresas e startups que trabalhei nos últimos 18 anos (fora agências e jornalismo) não tinha um PM. O “PM” na verdade era o CTO, que tinha background de tecnologia. Então a gente tinha um programa com features, não necessariamente um produto. A diferença primordial é que a gente fazia as coisas, entregava e era isso. Se tem alguém usando, se algum ponteiro mexeu, se resolveu algum problema… é sorte.</p>
<p>Daí você fala “Ahá, não precisa de PM então!”. Bem, não. Até que a empresa foi comprada. E começou a olhar pro mercado e para métricas. E agora só a opinião do CTO não é mais suficiente pra manter esses números. Agora sim, eles têm um problema que a mentalidade de Produto pode ajudar a resolver.</p>
<p>E acho que é isso sabe, uma cultura de Produto, uma mentalidade colaborativa para resolver problemas observando os negócios e fazendo hipóteses e pequenas iterações para validá-las. Ou você tem a cultura de ter uma hipótese, fazer uma alteração e verificar o resultado, ou você tem uma cultura de construir uma feature porque alguém pediu (stakeholder, CTO, cliente). Eu sinto que essa segunda é a maioria das empresas nacionais. A gente pinta ali um Kanban, faz uma Retrospectiva, chama de Ágil e paga as contas no fim do mês. Mas fazer Produto? Hm.</p>
<p>Nada errado com nenhum dos dois modelos. Eu só fico pistola de falar “olha, não faz sentido a gente ter um bote salva-vidas numa barraca de pastel!” como se fosse um barco. Entende?</p>
<p>Baixa a bola gente. A disciplina de Product Ops tem uns 2 anos. Estamos aí provando nosso valor, estudando, melhorando processos, fazendo coisas que as empresas já fazem — só concentramos em uma pessoa/área para que o Product Manager tenha menos desculpas consiga focar onde ele entrega mais valor. Isso onde ele existir. Se não tem Produto, não tem PM, não tem POps.</p>
<p>Não foi o Product Ops que flopou. Foi a cultura de Produto que não pegou.</p>
<p>E agora? Qual é o jeito brasileiro raiz de ganhar dinheiro com um aplicativo digital?</p>
]]></content:encoded>
    </item>
    
    <item>
      <title>Well, well, look who is inside again</title>
      <link>https://martinha.online/2024/07/06/well-well-look-who-is-inside-again/</link>
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      <pubDate>Sat, 06 Jul 2024 10:42:44 GMT</pubDate>
      <description>Um desabafo honesto sobre as recaídas da depressão e o peso esmagador das cobranças para se manter funcional e produtiva o tempo todo.</description>
      <content:encoded><![CDATA[<p><s>Bo Burnham é um comediante americano. Ele fez bastante sucesso pelo Youtube,    fazia shows, mas começou a ter crises de ansiedade e depressão e ficou anos    trancado em casa. Quando finalmente se viu pronto para voltar aos palcos, veio a    pandemia. Então ele gravou INSIDE, um ótimo especial, disponível na Netflix.</s></p><p><s>Eu descobri a depressão em… eu ia dizer 2010, quando fui diagnosticada. Mas    não, foi muito antes disso. A depressão sempre permeou meu lar, desde criança,    mesmo não sendo eu a deprimida. Eu achava que aquele era o normal. </s></p><p><s>Imagine fazer tudo sofrendo, ir chorando para a escola, chorar a tarde toda,    ter explosões entre todos os sentimentos e nenhum sentimento com 16/17 anos, e o    diagnóstico ser “ah, normal. É adolescente né? Faz drama.”. Quando eu não    consegui mais trabalhar, em 2010, foi que a coisa mudou de figura. Teve    importância. Enquanto eu estava produzindo, estava tudo bem. Mas de repente eu    não conseguia mais produzir também. Aí perdi o pouco valor que eu tinha para mim    mesma.</s></p><p><s>Foi um choque pra minha família quando eu tentei desviver em 2011. Logo eu,    dona de um senso de humor ímpar, sempre tão cheia de luz, energia, fala alta,    risada. Não tinha mais nada disso. Pra eles foi de repente. Pra mim, foi aos    poucos e do nada.</s></p><p><s>Muitas águas rolaram. E eu estabilizei meu cenário, voltei a produzir, tomo    medicação e tive altos e baixos.</s></p><p><s>Em janeiro agora de 2024, eu realmente achei que eu ia melhorar. Eu achei que    dois anos de análise estavam fazendo efeito, que eu estava aprendendo a demandar    mais, definir limites, pedir, comunicar, me levar em consideração. O remédio    estava tão baixo.</s></p><p><s>Estou rindo da minha ingenuidade.</s></p><p><s>Eu oscilo entre a revolta de viver em um mundo impossível, mas que é possível    pra todo mundo.</s></p><p>“Só um pouco de força de vontade, menos drama, você consegue, todo mundo    consegue, por que você não? Todo mundo é assim, isso é normal. Inclusive, a vida    da maioria das pessoas é bem pior que a sua. E se você precisasse ir para um    trabalho presencial, como você ia fazer? Coma frutas, verduras e vegetais. Evite    frituras, açucares e industrializados. Não beba, não fume. Faça atividade    física. Trabalhe pelo menos 8h/dia, bem focada. Economize dinheiro, não compre    futilidades. Mantenha sua casa limpa. Dê atenção para seu filho pequeno. Faça as    unhas, retoque a raiz do cabelo, faça skin care. Care. É questão de se amar,    sabe? É só se amar e fazer bem pra você mesma. Aliás, se você não fizer, seu    filho vai sentir. E eu não sei de que peso você está falando, você anda se    comparando com os outros? Compre hoje mesmo esse aplicativo feito especialmente    para você, que tem TDAH e não consegue fazer nada. Isso vai resolver sua vida.    Seja mais produtivo! Mas não esqueça de descansar. Faça o que você gosta! Mas    não dê seu filho para outro criar, você fez, você cuide. Faça tudo isso com    anemia. Doente, gripada, é só um vírus, não, eu não preciso fazer raio-x do seu    pulmão, eu ouvi e está limpinho. Você precisa de mais músculo na perna. Se    preocupe com o seu futuro. Viva o hoje. Não ligue pro passado, mas por que você    acha que você age assim? Bem, agora isso passou e você pode fazer diferente -    você pode fazer o que quiser. O quê você quer? Não ouse querer morrer. Seu filho    não pode sentir isso, nem crescer sem mãe. Mas você tá bem, né? Afinal, você    realizou um sonho, não é? Você tem tudo: você tem casa, em um lugar bom, um    lugar lindo. Você consegue pagar suas contas, não falta comida na sua mesa. Olha    seu marido, sua família que linda. Olha como todo mundo te ama. Por quê você se    sente assim afinal?”</p><p><s>Mais ou menos isso, em looping.</s></p><p><s>Meu filho chegou da creche agora e eu preciso engolir o choro e esquecer isso    até a hora que ele pegar no sono. Hoje não sei se consigo.</s></p>]]></content:encoded>
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      <title>Mas ela é tão quietinha</title>
      <link>https://martinha.online/2024/06/06/mas-ela-e-tao-quietinha/</link>
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      <pubDate>Thu, 06 Jun 2024 16:52:32 GMT</pubDate>
      <description>O impacto do diagnóstico tardio de TDAH aos 36 anos, os efeitos da medicação e a desconstrução da imagem da menina boazinha e quieta.</description>
      <content:encoded><![CDATA[<p>Olha lá todos os professores que queriam que "todos os alunos fossem igual a    Martinha": ela tem TDAH.</p><p>Faz 15 dias que eu tomo a medicação para o TDAH. É uma nova, não é estimulante    como as conhecidas, que fazem efeito na hora. O remédio (não quero falar o nome    para não gerar busca, porque não sou médica, é só uma experiência pessoal) age    no cortex pré-frontal, inibindo a impulsividade. Uma lobotomia em comprimido?    Não sei.</p><p>Eu tenho 36 anos e nunca levantaram a suspeita de TDAH pra mim. Sempre fui uma    menina quieta, tímida, obediente. Minha mãe garante que eu era atenta, e eu    lembro de ficar horas sentada passando lição à limpo a tarde toda. Na verdade,    sempre pendi para preguiçosa e nunca gostei muito de exercício físico, longas    caminhadas, correr, etc — também fui bastante desistimulada nesse aspecto por    questões físicas. Eu não fui uma criança fisicamente agitada.</p><p>Eu fui uma criança desengonçada. Meu pai me chamava de “Marta terremoto”, porque    eu estava sempre me batendo, caindo ou derrubando alguma coisa. Quebrei de tudo    que você possa imaginar, levando bronca porque não dava valor nas coisas. Ficava    facilmente entediada, era muito criativa, tinha sempre uma boa ideia, muito    inteligente. As emoções pra mim sempre foram grandes, tanto a empolgação de uma    ideia nova ou a frustração por algo dar errado — mesmo que eu não demonstrasse    sempre. Eu era daquelas crianças que acertava a parte difícil do exercício, mas    errava a parte fácil. Eu participei do time de xadrez da escola e esquecia o que    tava acontecendo no tabuleiro bem na minha frente (eu tenho um amigo com TDAH    que joga xadrez muito melhor que eu, e não sei como ele consegue). Minha cabeça    sempre pensou em mil coisas, nunca ficou “quieta”. Sempre fui “bocuda”, falando    o que não devia. Eu sempre interrompi as pessoas, num ímpeto de responder antes    delas.</p><p>(Não vou nem entrar na seara do hiperfoco, senão vai longe aqui. Mas não tem    filme da Disney dos anos 90 que eu não saiba todas as falas, ou música que eu    não saiba de cor).</p><p>Enfim, é normal? É né. Eu era menina, nos anos 90, sempre fui bem na escola.    Dizem que pessoas com neurodivergência do sexo masculino mostram sintomas na    infância, enquanto mulheres mostram sintomas na adolescência. Eu não tinha    celular nem streaming, o que certamente me ajudou. Eu também fui forjada na base    da responsabilidade, do “tem que fazer”.</p><p>Eu sei que não sou como as outras pessoas, mas não somos todos diferentes?</p><p>Veja, eu tive o diagnóstico do meu psiquiatra. Eu fiz também uma avaliação    neuropsicológica. Negativo pra autismo, positivo pra TDAH. Logo eu, a quietinha.</p><p>Minha analista claramente discorda do diagnóstico. E eu acho mesmo que pode ser    uma mistura de fatores como ser mãe, ter tido covid, trabalhar 8h/dia, trauma de    infância, mais de 10 anos de tratamento de depressão (e ansiedade), estar sempre    sobrecarregada e não saber dizer não. Além de algo diferente no meu cérebro.</p><p>E claro que minha vida melhorou/melhora muito quanto mais nãos eu falo, quanto    mais eu descanso, quanto mais eu divido tarefas. Claro que é mais fácil de    lembrar das coisas quando tem MENOS COISAS né.</p><p>Isso posto — e eu juro por deus que não quero ofender ninguém que tenha TDAH,    principalmente meus amigos com casos mais óbvios — o remédio me trouxe umas    mudanças.</p><p>Primeiro ele me trouxe sono e enjoo. Mas agora o que eu sinto é uma enorme paz.    Eu tô sempre tranquila e relaxada, melhor que qualquer ansiolítico que eu já    tomei. Eu consigo separar as coisas, o trabalho fica o trabalho. Às vezes, em    vez de me ajudar, a música de fundo me atrapalha pra me concentrar porque eu    consigo ouvir ela melhor.</p><p>Eu consigo brincar com meu filho sem precisar ficar olhando no celular o tempo    todo. O mesmo com um seriado na TV, eu consigo assistir sem pensar em outra    coisa. Ainda não experimentei ler (porque estou no hiperfoco do Stardew Valley),    mas tenho curiosidade. Se eu estou pensando muita coisa, eu CONSIGO parar.    Prestar atenção em outros sons e na minha respiração. Eu estou dormindo muito    melhor.</p><p>Algumas coisas também não ficam mais martelando na minha cabeça, então eu esqueço    porque realmente não preciso lembrar delas o tempo todo. Eu consigo fazer    trabalhos repetitivos mais rápido, porque não preciso ficar mudando de aba pra    aguentar mais. É como daqueles adaptadores de torneira sabe? Antes o fluxo de    pensamento ia para todo lugar; agora é mais controlado. E eu controlo.</p><p>Em paralelo, estou passando por um período de muitas outras adaptações: voltei a    trabalhar 8h/dia depois de anos trabalhando 6h/dia; estou em uma empresa    internacional, falando inglês; estou em uma nova empresa com vários times para    eu conhecer. Mas isso é papo pra outra hora.</p><p>Só quero concluir que eu talvez ainda esteja na época da negação do diagnóstico,    mas muita coisa fez sentido e talvez toda aquela ansiedade fosse super    estimulação, e toda a depressão era desespero por não dar conta de tanta    informação, achando que todo mundo conseguia.</p><p>Seguimos.</p>]]></content:encoded>
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      <title>Saber é trazer para a superfície</title>
      <link>https://martinha.online/2024/05/03/saber-e-trazer-para-a-superficie/</link>
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      <pubDate>Fri, 03 May 2024 10:47:31 GMT</pubDate>
      <description>Como conhecimentos que pareciam adormecidos voltam à tona na hora certa, mostrando que nenhum aprendizado na vida é desperdiçado.</description>
      <content:encoded><![CDATA[<p>Quem trabalha com informática sabe como é. Um dia você entrega uma coisa sem    terminar de implementar por correria, por “daqui a pouco eu faço” e passa 3    meses. Aí lá pelas tantas alguém fala “o recurso tal não está funcionando” e    quando você corre no código, tá lá</p><p>    <code>// todo: implementar</code></p><p>Nunca aconteceu nem irá se repetir comigo, é claro. Mas por acaso eu fui ver uma    rotina que eu tinha feito no Make.com e fiquei impressionada com a minha    habilidade de resolver rapidamente algo que sempre me deu dor de cabeça. </p><p>Diferente das outras vezes, dessa eu sabia exatamente quais módulos usar e    porquê. Tudo fez sentido, e em 10 minutos o fluxo estava funcionando. </p><p>O que mudou? Um curso inteiro. Fiz a Make Academy inteira porque ia dar um curso,    eu mesma, de Make. Depois disso meu uso diminuiu muito e acabei não colocando    tudo em prática imediatamente. </p><p>O conhecimento, entretanto, ficou aqui, dormente, esperando o momento certo para    emergir, tal qual um pokémon na pokébola.</p><p>Estava falando pro Eduardo o quanto meu inglês melhorou nos últimos 4, quase 5    meses. Hoje penso e escrevo com muito mais facilidade. Consigo me expressar    muito melhor e não tenho tanto medo de ir trabalhar. Eu disse pra ele como eu    fiquei surpresa com a expansão do meu cérebro nesses meses e ele disse:</p><blockquote>    <p>Bem, o conhecimento já estava aí. Você só o trouxe pra superfície.</p></blockquote><p>Às vezes a gente acha que tá perdendo tempo na vida, ou está atrasado. Que perdeu    anos fazendo um curso “errado”. Às vezes, o que traz o diferencial no seu    trabalho na hora de se realocar, é justamente esse conhecimento de outra área —    ainda mais nos dias de hoje, que não existe mais isso de ficar anos e fazer    carreira em um lugar só. Uma referência de um filme, série, obra de arte    enriquece. Muda a perspectiva. Traz para a superfície.</p><p>Viver é coletar confetes de momentos.</p>]]></content:encoded>
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      <title>Uma geração não ouvida no burnout de tanto gritar</title>
      <link>https://martinha.online/2024/01/05/uma-geracao-nao-ouvida-no-burnout-de-tanto-gritar/</link>
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      <pubDate>Fri, 05 Jan 2024 16:51:25 GMT</pubDate>
      <description>Uma análise sobre a tirania dos algoritmos, o esgotamento dos criadores de conteúdo e a necessidade de postar com menos obrigação.</description>
      <content:encoded><![CDATA[<p>As redes sociais adoecem criadores de conteúdo com as obrigações do tal do    algoritmo.</p><p>Ontem apareceu na minha for you page do Tiktok uma influencer que eu sigo faz um    tempo mas andava sumida. Ela explicou que “sumiu” (ficou três meses sem postar)    apenas porque não tinha nada a dizer. Que a cobrança por conteúdo constante faz    com que a qualidade de tal conteúdo, naturalmente, caia. Não é todo dia que você    tem uma ideia genial que vai viralizar.</p><p>No caso dela, ela diz que viralizou meio que organicamente, sem muito esforço,    então se sentiu na obrigação de agarrar aquele pote de ouro com as duas mãos,    porque tanta gente se esforça tanto para chegar lá que ela tinha de aproveitar    aquela onda.</p><p>E depois de uns meses, os influencers que tanto se dedicaram somem com depressão,    burnout, ansiedade. Vou dar nomes: o Ramon Vitor é um exemplo. Um querido.    Começou fazendo vídeos do dia a dia como garçom de um quiosque de praia,    conquistou seguidores a ponto de conseguir sair do emprego e se manter de redes    sociais e… entrou em uma grave depressão. Ainda levou golpe do irmão e tudo.    Babado.</p><p>A influenciadora do começo explica que todos os “gurus de social media” ensinam    que constância é a chave. Ela diz que ela sentia que isso começou no youtube,    onde os canais tinham dias para postar quadros específicos. Mas foi antes, bem    antes.</p><p>Em 2008 eu estudei SEO pro Google e já era marcada a importância da constância:    conteúdo atualizado aparecia antes. Para blogs escritos isso também é muito    importante. Mas é de bem antes: a publicidade funciona por repetição. A gente    cria carinho e afeto por marcas e pessoas quando as vê com frequência. A gente    aprende na base da repetição. Eu nunca fiz um anuncio no Estadão, mas ainda sei    que o número para anunciar lá é três-dois-dois-quatro-quatro-mil, de tanto que    ouvi quando criança. (o três veio depois, mas não quero denunciar a idade de que    sou do tempo que telefones tinham 7 números).</p><p>Aí a gente tem dois tipos de pessoas né. Algumas pessoas como eu, a gente pode se    dar ao luxo de postar por brincadeira, por hobby. Eu não preciso monetizar isso    aqui, nem meu tiktok ou instagram: eu sou CLT (💅 exibida, metida). No fim do    mês, vou receber a mesma coisa independente da quantidade de reels ou stories    que eu postar. Então eu posso vir falar minhas bobagem quando tenho vontade.</p><p>E eu tenho vontade porque acho que minha geração não foi muito ouvida quando era    criança. Nossos pais estavam ocupados cuidando da vida e eu, pelo menos, não me    sinto como se tivesse tido a atenção que eu precisava (provavelmente eu tive a    que dava para eles me oferecerem). E agora sou uma narcisista exibida que    precisa gosta de postar umas bobagem aqui, outras ali. Inimiga da timidez.</p><p>Eu quero meus cinco minutos de fama e quero que o que eu penso sobre o mundo    chegue no mundo para eu me sentir vista como uma pessoa completa, uma pessoa com    as próprias opiniões. E acho que muitos influencers, no fundo, têm essa    insegurança de só se sentirem completos ao serem vistos e ouvidos pelo outro. E    tudo bem.</p><p>Pena que caem na armadilha do “seja você mesmo desde que seja desse jeito aqui,    senão não vende”. São muitas regras ditas e não ditas para prosperar nas mídias    sociais. E as pessoas fazem carreira disso, ou usam as redes sociais como    propaganda do próprio trabalho (não estou criticando, tem de usar mesmo), e    acabam reféns dessas regras que pasteurizam, unificam o conteúdo, porque a gente    gosta de ver sempre a mesma coisa.</p><p>Não é eugenista isso? Não é estranho que a “woke culture” tenha um nome só por    mostrar que o mundo não é apenas homem, branco, cis, hétero, sem deficiência ou    sem neuro divergência, uma vez que isso na verdade é mais raro que a    heterogeneidade da sociedade? Vira um efeito smurfette: “coloca a cota ali    porque se for todo mundo igual perde a graça”. Um temperinho, só pra não    assustar.</p><p>Aí a gente sai feito uns doido procurando quem é gordo, LGBTQIA+, neuro spicy,    pra se sentir representado, visto. Mas mesmo essas pessoas seguem uma cartilha    de regras. De constância, identidade visual, roteiro pra escrita (com começo,    meio, fim, palavras indexadas, SEO)…</p><p>Como a gente vai prosperar vendo sempre as mesmas coisas, das mesmas pessoas, se    o diferente incomoda e não é nem sequer mostrado? Se a gente se sente na    obrigação de não falar nada para falar alguma coisa e não perder o cantinho do    holofote? E, principalmente: precisa?</p><p>Vou concordar com a influencer: que em 2024 a gente seja mais quietinho. E fale    só quando tiver algo a dizer.</p>]]></content:encoded>
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      <title>Ano que vem não quero melhorar</title>
      <link>https://martinha.online/2023/12/23/ano-que-vem-nao-quero-melhorar/</link>
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      <pubDate>Sat, 23 Dec 2023 16:42:07 GMT</pubDate>
      <description>Uma reflexão de fim de ano sobre abandonar metas rígidas de autoaperfeiçoamento para buscar apenas uma vida com mais leveza.</description>
      <content:encoded><![CDATA[<p>nem fazer planos, nem seguir.</p><p>Engraçado, parece que eu já escrevi isso antes? Claro que todo texto que eu crio    eu ensaio na minha cabeça primeiro, como se eu estivesse no palco ou na câmera    contando como me sinto para alguém; mas esse eu sinto que já escrevi. Se eu for    repetitiva e você já leu isso aqui, compreenda: precisamos da repetição para    elaborar nossas neuroses. E eu tenho muitas neuroses.</p><p>Por exemplo, no começo de 2023 eu resolvi que ia fazer um tipo de OKR (objective    and key results, um framework muito usado em startups e produtos) pessoais.    Defini 3 objetivos:</p><ul>    <li>carreira: estudar e progredir (na verdade na época queria achar outro        emprego)</li>    <li>saúde: me manter na academia e comendo bem (na verdade queria emagrecer)</li>    <li>vivências: viajar e passear com os meninos para sarar alguns traumas        ressignificando experiências (queria me divertir e coloquei essa pra poder        fazer isso sem culpa).</li></ul><p>Já deu para entender que a pessoa aqui ainda tem muito o que trabalhar né. Mas    piora.</p><p>Eu fiz uma página no Notion com todos os objetivos, formas de mensurar como    estava indo e dividi por trimestres. Um ex CEO de uma ex empresa que trabalhei    uma vez disse que o ser humano consegue se dedicar a algo intensamente por 90    dias. Depois disso ele precisa celebrar, de um “resset”, para poder renovar os    objetivos e render bem por mais 90 dias.</p><p>Talvez meu erro tenha sido fazer objetivos para o ano todo, em vez de focar em um    por trimestre e sentir que finalizei algo. Porque esses objetivos são meio    eternos. Eu fiz inglês, estudei, fiz cursos online, mudei de profissão (de novo)    (que bom). Eu marquei quantas vezes por mês fui na ginástica, tomei minhas    vitaminas e fui na nutricionista. Fiz terapia. Passeei.</p><p>Chegou lá pro meio do ano o Notion tava mais que abandonado já. Não fiz mais    minha planilha de gastos mensal, que exigia uma memória imensa pra lembrar onde    gastei cada uma daquelas coisas - talvez eu até use um app pra isso esse ano,    que é bom ter os dados, só o jeito que eu estava fazendo que era improdutivo.    Nem peguei mais os dados do Dailyo para atualizar gráficos (mas continuei usando    o app que ele per se é muito bom).</p><p>Sendo honesta na minha retrospectiva, eu sinto que sobrevivi até abril/maio,    quando virei Product Ops, depois sobrevivi julho quando teve férias e fui para    São Paulo, sobrevivi setembro que o menino ficou 10 dias em casa doente e aí o    ano acabou.</p><p>Dizem que o tempo voa quando a gente se diverte.</p><p>A coisa mais importante que aprendi foi o valor de demandar, de pedir, de colocar    limites, de não fazer micro-sacrifícios durante o dia todo. Por exemplo, que se    eu quiser almoçar massa, posso pedir pro Eduardo fazer um prato para dividir com    a criança sem problemas. Que se eu não quiser mais fazer inglês, posso parar de    fazer, mesmo sem um grande motivo - apenas “não quero mais” é o suficiente.</p><p>Ainda tô treinando isso. Muitas vezes nem percebo meus micro-sacrifícios até já    ter gasto toda minha energia e estar irritada querendo um doce ou hambúrguer. Eu    nem noto que faço, que dói.</p><p>Bom, no final das contas, dado que meu Notion e painel foi abandonado, eu resolvi    que ano que vem não quero melhorar em nada.</p><p>Eu vi algo do tipo</p><blockquote>    <p>pare de querer ser sua melhor versão e foque na sua versão favorita de você        mesma</p></blockquote><p>e bateu forte em mim. Pensei em todas as minhas versões favoritas pela vida. A    adolescente que buscava um pouco de si nas camisetas de banda em cima da    camiseta do uniforme. O cabelo vermelho, as tatuagens, andar de bicicleta, os    momentos que eu mais gosto de ser eu.</p><p>Outra lição que quero carregar comigo foi minha irmã que me ensinou. E é irônico    porque a bixinha é super deprimida, mas ela me disse</p><blockquote>    <p>eu deixei de procurar a perfeição e comecei a ver o que me deixa satisfeita.</p></blockquote><p>Isso me ajudou demais a celebrar o que eu faço e entrego sem sofrer tanto com os    feedbacks. Acho que é muito isso, sobre como segurança não é errar menos, mas    errar com leveza.</p><p>Então que 2024 seja leve. Que tenha boas comidas saudáveis e algumas nem tanto,    que tenha dias de ginástica e de bicicleta, que tenha trabalho e estudo, mas    também videogame e passeios. Que tenha carinho, amor, amigos. Que eu me encontre    e encontre coisas que me fazem feliz. Que as semanas de caos e doenças típicas    passem logo e sem prejuízos. Que eu consiga guardar um pouco de dinheiro, sem    deixar de viver pra isso. Que o ano seja bom conosco.</p><p>E eu? Eu quero só… ser.</p>]]></content:encoded>
    </item>
    
    <item>
      <title>[A saga do DIU] 5: Após a inserção (final)</title>
      <link>https://martinha.online/2023/10/28/a-saga-do-diu-5-apos-a-insercao-final/</link>
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      <pubDate>Sat, 28 Oct 2023 16:36:03 GMT</pubDate>
      <description>O desfecho da saga do DIU, abordando a recuperação dos primeiros dias, os exames de acompanhamento e a tranquilidade final.</description>
      <content:encoded><![CDATA[<p>Saí do procedimento me sentindo super bem, mas não quis forçar uma caminhada para    casa, então peguei um uber mesmo sendo pertinho. No restante do dia senti uma    cólica leve. Me mantive aquecida e não senti a necessidade de tomar remédio.    Começou um sangramento leve.</p><p>No domingo já não senti quase nada, mas dormi a tarde toda. </p><p>Segunda eu já estava 100%. Fiz ginástica e tudo, muito tranquila. Já não sentia    mais nada.</p><p>Terça eu fiz o ultrassom. Foi ótimo marcar pelo convênio, na segunda já marquei    para terça de manhã. Como sempre, atendimento excelente, não tive nenhum    problema pela guia ser do SUS. No mesmo dia já tinha o resultado: tudo certo,    tudo no lugar.</p><p>Tive sangramento até terça-feira, bem pouquinho. Quando coloquei o coletor    menstrual, acabou hahahah. Mas foi bom para também aprender a remover o coletor    tirando toda a pressão antes. </p><p>Tudo certo, fui para a consulta de acompanhamento na sexta.</p><p>Mais uma vez super bem recebida, contei como foi, fizemos um exame só para dar    uma olhada como estava e mostrei o ultrassom. Comentei que consegui sentir não o    fio, mas a bolinha de plástico.</p><p>Aí assustamos.</p><p>    <img alt="enter image description here"        src="https://martinha.online/blog/content/images/20250130163701-Saga%20do%20DIU%205%20After%20Insertion.jpg" /></p><p>O DIU precisa estar lá em cima. Para eu sentir, ele teria de estar ali na altura    da corda de segurança e isso estaria errado. </p><p>Mas mostramos o ultrassom para o médico e como no exame ela não viu nada, e como    eu senti antes de fazer o exame, está tudo certo. Pelo exame ele está no lugar    certinho.</p><p>E foi isso. Agora só paz.</p><p>Essa foi uma série de cinco posts sobre como foi inserir o DIU pra mim. Comecei    com meu contexto, depois a tentativa pelo convênio e SUS, o procedimento e agora    esse post final com a consulta pós procedimento.</p><p>Fiquei bem feliz de escrever essa jornada, me diverti fazendo isso. Fazia tempo    que eu não escrevia por diversão e foi bem legal. Talvez eu apareça por aqui com    mais frequência do que eu esperava.</p>]]></content:encoded>
    </item>
    
    <item>
      <title>[A saga do DIU] 4: O procedimento</title>
      <link>https://martinha.online/2023/10/26/a-saga-do-diu-4-o-procedimento/</link>
      <guid isPermaLink="true">https://martinha.online/2023/10/26/a-saga-do-diu-4-o-procedimento/</guid>
      <pubDate>Thu, 26 Oct 2023 16:32:01 GMT</pubDate>
      <description>O relato detalhado de como foi o procedimento de inserção do DIU no postinho de saúde, desmistificando o medo da dor.</description>
      <content:encoded><![CDATA[<p>Não vou mentir, eu fiquei bem nervosa antes do procedimento. Sonhei com isso por    dois dias e tentei me manter ocupada para não pensar que uma pessoa pinçaria o    colo do meu útero em algumas horas.</p><p>No dia, me alimentei bem, me distraí e fui andando até o postinho (e não de    bicicleta) com medo de não conseguir voltar de bicicleta. Spoiler: me arrependi,    podia ter ido de bike sim kkkk.</p><p>Estava marcado para 14h, cheguei um pouco antes e aguardei até 14h05. A    enfermeira Tauani (vou dar o nome porque sou fã dela) mais uma vez me recebeu    super bem. Me deu alguns papéis para assinar e me orientou a fazer um exame de    gravidez, desses com urina mesmo. Naturalmente, deu negativo.</p><p>Depois, deitei e ela observou o colo do meu útero, que também estava ok, sem    infecções, e disse que ia começar o procedimento. Confesso que aqui já foi um    alívio: eu estava com medo de estar com alguma infecção sem sintomas e ter de    adiar tudo e passar nervoso tudo de novo.</p><p>Ela foi explicando tudo que ia fazendo. Primeiro, pinçar o colo do útero para    segurar no lugar. Achei que essa hora fosse doer e… Não senti nada. Aí sim eu    relaxei completamente. Se isso não doeu, o restante não parecia tão assustador.</p><p>Depois, com um "palito" graduado, ela mediu meu útero: 8cm. Aqui eu senti um    incômodo, uma pressão, mas nada grave. Comecei a fazer piada de como ele era    grande, mas me cortaram dizendo que era apenas mediano. Fiquei ofendida de    brincadeira. Durante essa conversa e risadas, ela inseriu o DIU. Eu nem senti,    só sei que foi porque ela me avisou.</p><p>Finalmente ela cortou o excesso de fio, deixando apenas 1cm, e pronto. Tudo não    deve ter durado mais que 10 minutos. Na verdade eu entrei na sala 14h05 e antes    das 14h45 eu já estava no carro para voltar pra casa (não quis andar pra não    forçar a toa, mas poderia).</p><p>Ela me deu o pedido para fazer um ultrassom e remédio caso eu sentisse dor. Me    deu o remédio mesmo, não a receita para eu comprar na farmácia — mais uma    vantagem de fazer pelo SUS. Também teria atestado para o trabalho se não    estivesse de férias.</p><p>Sobre o exame, eu preferi fazer pelo convênio e não pelo SUS. No SUS a gente pede    e aguarda, essa é uma das sobrecargas do sistema. E para fazer exame, o convênio    atende bem. Então ela me deu uma guia com o CRM da médica e eu marquei na    segunda para fazer na terça de manhã.</p><p>Também marquei um retorno no posto para sexta-feira e fui orientada sobre todos    os sintomas esperados (cólica, um pouco de sangramento) e não esperados (dor    intensa, febre, corrimento, coisas que lembrem uma infecção).</p><p>Voltei pra casa bem feliz, foi tudo muito mais simples do que eu imaginava.</p><p>Já contei do meu contexto, como foi tentar pelo convênio e como foi o processo    pelo SUS.</p><p>Amanhã conto os próximos passos após a inserção.</p>]]></content:encoded>
    </item>
    
    <item>
      <title>[A saga do DIU] 3: tentativa pelo SUS</title>
      <link>https://martinha.online/2023/10/25/a-saga-do-diu-3-tentativa-pelo-sus/</link>
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      <pubDate>Wed, 25 Oct 2023 16:30:35 GMT</pubDate>
      <description>Como recorri ao SUS para colocar o DIU de cobre e me surpreendi com a agilidade, humanização e respeito no atendimento.</description>
      <content:encoded><![CDATA[<p>Estava tudo bem até o dia que a camisinha estourou. Deu tempo da gente notar e    trocar, mas eu me senti muito insegura com aquilo. Até meu primeiro filho, eu    usava camisinha porque caso eu engravidasse ele seria bem vindo. Agora, não.    Agora eu já não me sinto assim e caso eu engravide, eu vou precisar lidar com as    consequências disso e não consigo imaginar um desfecho feliz para essa situação.</p><p>Minha irmã que me deu a ideia de verificar pelo SUS como seria para colocar o    DIU. Tem um posto de saúde perto da minha casa e eu pensei "bom, mesmo se    demorar, não estou com tanta pressa assim; melhor esperar para ser aqui perto do    que no hospital longe". </p><p>Qual foi minha surpresa de que em 20 dias estaria tudo resolvido.</p><p>O postinho aqui (Florianópolis, no bairro da Trindade) atende por whatsapp.    Mandei uma mensagem, atualizei meu cadastro e eles me colocaram em uma equipe.    Cada equipe é responsável por uma parte do bairro, de acordo com seu endereço.    Fiz tudo por whats mesmo, nem precisei ir lá.</p><p>Eles mandaram o contato da minha equipe e, nesse contato, um formulário do Google    Forms para preencher e agendar a consulta. Eu preenchi na segunda-feira, 02/10.    Eles dão sete dias úteis para dar o retorno, mas dois dias depois já me    retornaram marcando uma consulta para a próxima segunda, 09/10.</p><p>Fui na consulta com a enfermeira e foi maravilhoso. Eu amo o pessoal da    enfermagem, eles são tão dedicados e carinhosos. Eu já tinha feito um periódico    com o pessoal da enfermagem do convênio uma vez e adorei, porque eles têm um    cuidado extra e são mais próximos, sabe? Sei lá, mais gentis mesmo. </p><p>A enfermeira me explicou absolutamente tudo. Me fez perguntas para ver se eu    tinha alguma contra indicação, me ouviu com atenção, perguntou o que eu sabia e    me mostrou desde uma imagem de um colo do útero até cada uma das coisas que ela    ia usar, qual o passo a passo, onde eu poderia sentir dor, absolutamente tudo.    Tirei todas as minhas dúvidas sem me sentir burra ou inconveniente nem por um    segundo. Eu me senti super segura, até empolgada. Apesar de saber que poderia    doer, eu sabia exatamente o que ia acontecer e que ia ser rápido. Me senti muito    confiante.</p><p>Para marcar, eu precisaria preencher o formulário de novo. Ela me explicou que é    bom colocar no primeiro dia da menstruação, mas poderia ser outro, sem    problemas. Eu preferi marcar antes porque estava de férias.</p><p>Finalmente, o procedimento foi agendado para um sábado, 21 de outubro. Menos    tempo do que marcar sequer a primeira consulta com o médico do convênio.</p><p>Aí foi só segurar a ansiedade por alguns dias.</p><p>Nessa saga apresentei meu contexto e como foi tentar pelo convênio.</p><p>Amanhã conto como foi o procedimento.</p>]]></content:encoded>
    </item>
    
    <item>
      <title>[A saga do DIU] 2: Tentativa pelo convênio</title>
      <link>https://martinha.online/2023/10/24/a-saga-do-diu-2-tentativa-pelo-convenio/</link>
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      <pubDate>Tue, 24 Oct 2023 16:29:28 GMT</pubDate>
      <description>O relato das burocracias, desencontros de informações e exigências cansativas ao tentar colocar o DIU pelo plano de saúde.</description>
      <content:encoded><![CDATA[<p>Primeiro, um alerta: não acredite em nada que eu escrevi aqui. Verifique    diretamente no seu convênio, converse com seu médico e veja se funciona assim no    seu caso. Isso tudo pode ter sido um grande equívoco ou confusão, pode ter sido    a profissional que me atendeu, ou as regras podem ter mudado mesmo. Não sei. Só    sei que comigo foi assim.</p><p>Em novembro de 2022 fui na minha consulta anual ao ginecologista fazer o exame    periódico e ver se estava tudo bem. Estava, e eu comentei que não queria mais    filhos. Ele sugeriu o DIU, muito empolgado. Tão empolgado que assustei haha e    neguei. A ideia é que meu marido fizesse vasectomia em breve.</p><p>Acho que a sementinha foi plantada ali. No decorrer dos próximos meses um misto    de tudo dando errado para o marido (ele até foi na consulta, mas em seguida teve    pedras nos rins que precisaram ser removidas cirurgicamente) e muita conversa na    ginástica (minha academia de ginástica é só para mulheres, então falamos dessas    coisas com tranquilidade) foi nutrindo tal semente.</p><p>Em maio fui em uma nova ginecologista para verificar como era o processo. Eu    tenho o plano Unimed Nacional e moro em Florianópolis. A médica foi ótima,    gostei muito da consulta. Ela me examinou, viu que eu estava bem (eu tinha    algumas dúvidas na época) mas, sobre o DIU, só no fim da consulta ela me disse    que ela não faria o procedimento.</p><p>Ela me disse que a Unimed mudou as regras e que só faz a implantação do DIU no    seu hospital, que fica bem longe da minha casa. Eu precisaria marcar uma    consulta no hospital, pegar a guia e só então fazer o procedimento lá no    hospital mesmo. Eles não autorizam outro profissional da rede executar o    procedimento.</p><p>Isso me desanimou bastante. Marcar uma consulta com ginecologista da Unimed leva    pelo menos um mês (eu sei porque quando eu estava grávida, esse prazo me    assustou). Eu até entrei em contato com eles, mas sem a guia eu ainda precisaria    passar por essa consulta antes do procedimento.</p><p>Simplesmente deixei pra lá. </p><p>Importante ressaltar que os convênios são obrigados a fornecerem o DIU de acordo    com a ANS. Agora, o quanto eles vão complicar isso, já é com eles… Também notei    que tem mais informação sobre o Mirena (DIU hormonal) que sobre o DIU de cobre    no convênio. Não sei porquê. Enquanto o DIU de cobre custa em média R$200, o    Mirena na farmácia tá mais de R$1000 e dura metade do tempo. (claro que cada um    tem seus efeitos colaterais. Não estou vendo sob a ótica de quem faz a escolha,    mas da oferta).</p><p>Como era muito fora de mão, eu fui viver e esqueci disso por um tempo.</p><p>Ontem falei sobre meu contexto.</p><p>Amanhã falo sobre como foi fazer esse processo no SUS.</p>]]></content:encoded>
    </item>
    
    <item>
      <title>[A saga do DIU] 1: Contexto</title>
      <link>https://martinha.online/2023/10/23/a-saga-do-diu-1-contexto/</link>
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      <pubDate>Mon, 23 Oct 2023 16:27:39 GMT</pubDate>
      <description>O início da série sobre o DIU de cobre, contextualizando minhas restrições de saúde, a maternidade e a escolha pelo método contraceptivo.</description>
      <content:encoded><![CDATA[<p>Vou fazer uma série de posts sobre como foi a inserção do meu DIU de cobre. Claro    que tem milhares de outros na internet, mas como cada perspectiva é única,    talvez possa ajudar alguém. Talvez não, também. Eu que quis contar.</p><p>O primeiro post é sobre o meu contexto, o que me levou a cogitar essa    possibilidade. Depois, vou contar como foi a minha tentativa pelo convênio.    Então, como foi agendar o procedimento pelo SUS. Também como foi o procedimento    em si e, finalmente, o pós procedimento.</p><p>Deu cinco posts, então vai ser uma semana divertida.</p><p>Busto de uma mulher de perfil dentro de um círculo em formato de dobradura de    papel com as cores cinza, azul e laranja. Ela parece serena e profissional, com    o cabelo preso e um terninho.</p><p><strong>Contexto</strong> Aos 17 anos eu soube que não poderia engravidar. Digo,    eu sou fértil, mas se eu engravidasse correria um grande risco de ter trombose    graças à síndrome de Klippel Trenaunay. Como os anticoncepcionais hormonais    imitam a gravidez, eu também não poderia tomar. </p><p>Eu não sei porque ninguém me ofereceu um DIU de cobre aquela época. Vinte anos    atrás existia um mito que só podia usar DIU quem já tinha ficado grávida? Uma    adolescente vai atrás de contraceptivos e encontra um delicioso "você não pode    engravidar, mas é fértil, e eu não posso te dar nada para você evitar. Abraço,    tudo de bom". Nunca entendi isso.</p><p>De lá até os 32 anos confiei na camisinha e deu certo, até o dia que eu não usei. </p><p>Não gosto de falar que minha gravidez foi complicada, porque não foi: eu não tive    pressão alta nem diabetes, não teve nenhuma intercorrência. Mas foi muito    penoso. Vomitei até o final da gravidez e tomei anticoagulante (uma caixa agora    está em torno de mil reais para um mês), que são injeções na barriga. Fora todos    os outros desconfortos da gravidez. Eu definitivamente não quero passar por isso    de novo.</p><p>“Ah toda gravidez é única” — verdade, mas não quero arriscar. Não nasci para ser    mãe de dois, sabe? Eu mal consigo dar conta de um. Meu filho tem três anos e eu    ainda não durmo a noite inteira (tô quase, mas ainda não). Eu ainda amamento e    troco fraldas. Só de pensar em outro bebê pra cuidar me dá vontade de desmaiar.    Fora a dinâmica familiar de irmãos. Eu não quero lidar com isso.</p><p>Acho que no meu caso uma ligadura de trompas seria o ideal, mas eu tenho uma    coisa com cirurgias (medo, o nome da coisa). Já operei o fêmur uma vez, o    tornozelo duas. Não gosto de cirurgias. E acho um despautério eu ter gestado,    parido, amamentando por três anos para passar por mais um procedimento.</p><p>Eu não tenho cólicas menstruais e meu fluxo é mais intenso só no segundo dia. O    DIU de cobre dura 10 anos, e estou com quase 36. Vou trocar com 46, 56 e pronto,    tô na menopausa. Não tem hormônios e a eficácia é de 99%. Achei a alternativa    mais segura e simples.</p><p>Ainda assim, e mesmo sendo uma privilegiada feminista de classe média, demorei    para efetivamente cogitar a ideia. Fiquei com medo da dor, talvez, ou duvidei da    eficácia do método. Não é muito lógico porque é uma construção cultural. Algumas    pessoas insistem que o DIU é abortivo, mesmo que não seja: o cobre neutraliza os    espermatozoides e impede que um óvulo se fixe na parede uterina. </p><p>(pensei bastante nisso esses dias: no nosso país, é contra a lei abortar,    correto? Pessoas vão presas por isso. Como que nesse mesmo país, que isso é    contra a lei, o próprio SUS ia oferecer um tratamento “abortivo” gratuitamente?    Não faz o menor sentido.)</p><p>Acho que tudo que traz uma independência sexual para a mulher acaba sendo mal    visto pela sociedade machista patriarcal que estamos inseridos. E cabe um pouco    a nós desconstruir a imagem que vem automaticamente na nossa cabeça sobre as    coisas.</p><p>Amanhã: como foi a tentativa de inserir o DIU pelo convênio.</p>]]></content:encoded>
    </item>
    
    <item>
      <title>Faz 3 anos que eu tive um filho e não sei se já virei mãe</title>
      <link>https://martinha.online/2023/10/19/faz-3-anos-que-eu-tive-um-filho-e-nao-sei-se-ja-virei-mae/</link>
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      <pubDate>Thu, 19 Oct 2023 14:12:26 GMT</pubDate>
      <description>Reflexões sinceras no aniversário de três anos do meu filho sobre os desafios da maternidade real, culpas e a cura de traumas geracionais.</description>
      <content:encoded><![CDATA[<p>Aos 32 me senti uma adolescente com aquele pacotinho nos braços.</p><p>Eu queria muito celebrar hoje com foco no meu filho, não em mim. Nos dois    primeiros aniversários dele, principalmente o primeiro, o meu foco estava em    mim. Em como eu sobrevivi à gravidez e 40 semanas vomitando, ao parto natural e    suas 3 horas gritando de dor (e dois dias de contração), aos primeiros 20 dias    de amamentação, ao puerpério, à introdução alimentar, ao caos.</p><p>Naquela época, eu lembro de olhar pra ele e ver só uma batatinha sem alma. Eu    achava estranho. Era como se não tivesse baixado o sistema operacional ainda.</p><p>Agora ele está falando e isso trouxe toda uma nova camada de menino que a gente    ainda não conhecia e que está sendo criada bem na frente dos nossos olhos. Um    menino esperto, observador, que gosta de brincar e de cozinhar. É uma delícia    sair pra passear com ele, seja no parquinho ou no shopping.</p><p>Nas outras redes sociais eu celebrei ele. Em casa, na escola. Mas aqui nesse    canto da internet eu me sinto mais compelida a falar de mim. Afinal, ele acaba    de aprender a falar, mas ainda não sabe escrever, função que me cabe. E eu não    posso escrever por ele.</p><p>A cada dia, inclusive, eu só posso fazer menos e menos por ele — o que me dá uma    grande sensação de alívio e dever cumprido de certa forma. Ainda tem muito para    fazer, então não me sinto sem propósito. Os 3 anos são um marco bacana para o    ego da mãe porque ainda é uma criança dependente, mas não é mais um bebê super    dependente.</p><p>Sobre isso de ego, é muito difícil. Eu constantemente me sinto fazendo tudo    errado e me lembrando que não tem certo pra fazer. Minha mãe sempre diz que no    tempo dela não tinha informação e agora temos a internet, mas separar o joio do    trigo é exaustivo e pode até ser perigoso.</p><p>Eu tenho plena consciência que quero curar no meu filho traumas que ele não tem,    mas que eu tenho. E que isso pode ser muito prejudicial pra ele. Pessoal deve me    ver nas redes e achar que é fácil ser mãe, que eu faço bem. Mas eu vivo em uma    constante corda-bamba de “eu tô sendo muito mole?”, “eu devia ser mais rígida”,    “coitado, deixa o menino”, “mas eu preciso mesmo cobrar isso dele?”.</p><p>Algumas pessoas me dizem que sim, mas na verdade não sei se sou “boa mãe”. Na    verdade, nem gosto tanto assim de ser mãe. Gosto de trabalhar (!), de me sentir    inteligente, de fazer uns projetos paralelos, uns hobbies. Gosto é de deitar na    rede e tomar cerveja. Cuidar de criança com febre e assistir uma quantidade não    saudável de Patrulha Canina toda torta no sofá enquanto tento fazer uma planilha    não é minha ideia de diversão.</p><p>Só tento respeitar minha criança como um ser humano. Entender os sentimentos    dele. Explicar que, mesmo sem querer, ele ainda precisa tomar banho e ir pra    escola. Eu acho que eu nunca tive ninguém que dissesse “Você está triste/não    quer? Ah, eu entendo. Eu também não gosto muito. É legal ficar brincando né? Mas    é importante a gente fazer isso”. Minha mãe dizia apenas “Uai! Tem que fazer!” e    esse “tem que” eu tenho um ranço, um ódio. Não “tem que” nada. Que inferno. (É    assim que tento curar traumas que ele não tem, mas eu tenho. Ironicamente, isso    não me cura também.)</p><p>(Talvez ela tenha tentado me explicar e eu não me lembro mais. Chega uma hora que    a gente repete tanta coisa todo dia que realmente, satura. Não quero julgar    minha mãe nesse texto; mas é difícil não comparar nós duas, porque é a    referência que eu tenho).</p><p>É muito difícil pra mim saber qual é essa tal linha do meio. Eu não sou uma    pessoa de linha do meio, eu sou ✨ intensa ✨. Eu me sinto arrumando um avião em    pleno vôo: enquanto cuido de um ser humano novo, mas único, também tento me    curar de um trauma geracional que acabei de descobrir que eu tenho, fazer    algumas coisas diferentes mas não tudo, virar uma outra pessoa que eu não sou    pra ser melhor pra ele mas seguir fiel a mim, a quem eu sou, mas sem ser doida,    respeitando mas com limites para não criar um monstro.</p><p>Frequentemente é impossível, eu fico saturada com tanta auto-cobrança e pifo.</p><p>Talvez… não seja a maternidade que eu não gosto. Talvez seja o fato que a    maternidade joga na minha cara, mais do que qualquer outra coisa, que a    perfeição que eu idealizo em tudo que eu faço é inatingível e que tem muita    coisa fora do meu controle, por mais que eu queira me responsabilizar por elas.    E isso que me frustra.</p><p>A parte mais difícil de ser mãe não é o meu filho, sou eu mesma.</p>]]></content:encoded>
    </item>
    
    <item>
      <title>A Vila das Crenças</title>
      <link>https://martinha.online/2023/08/29/a-vila-das-crencas/</link>
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      <pubDate>Tue, 29 Aug 2023 14:11:00 GMT</pubDate>
      <description>Um conto de ficção científica gerado por inteligência artificial sobre a fuga de crenças opressoras e o custo avassalador da liberdade.</description>
      <content:encoded><![CDATA[<p>Em um futuro distante, a humanidade havia se restringido a pequenas vilas    secretas, onde a sobrevivência era possível, mas a liberdade era apenas uma    lembrança do passado. O mundo exterior tornou-se um deserto árido de opressão e    autoritarismo.</p><p>Em uma dessas vilas, conhecida como "Cognópolis", um governo fascista e    controlador ergueu-se, monitorando cada palavra e pensamento através de    luminárias em forma de cérebro dentro das unidades habitacionais. As mentes dos    habitantes estavam aprisionadas em um labirinto de conformidade.</p><p>Um dia, um incidente chocante abalou a vida de Maya. Enquanto ela e outra mulher    se dirigiam à escola em busca de uma garotinha de nove anos, a mãe da criança    foi brutalmente raptada pela polícia do pensamento por palavras proferidas em    sua casa. Isso abriu os olhos de Maya para a crueldade do regime.</p><p>Determinada a proteger a criança, Maya e sua companheira iniciaram um ato de    rebeldia silenciosa. No entanto, um homem corajoso, Tomás, não podia mais    suportar viver sob aquele modelo opressor. Ele implorou para sair da vila,    sabendo que o único caminho era através de um perigoso reservatório de água    sanitária. Mergulhar nesse reservatório era como questionar as crenças    profundamente enraizadas desde a infância.</p><p>Para surpresa de todos, Tomás emergiu do outro lado. Ele encontrou uma plataforma    subterrânea repleta de recursos vitais e um antigo submarino. Mergulhou    novamente e emergiu no mundo exterior, que, para sua surpresa, não estava    apocalíptico, mas sim normal, livre da tirania.</p><p>No entanto, Tomás estava exausto. A transição da Vila das Crenças para a    liberdade havia sido intensa demais. Ele recuou para a cápsula do submarino,    planejando explorar o novo mundo depois de uma rápida soneca.</p><p>No entanto, a história não mostrou sua jornada subsequente. Ficou subentendido    que, apesar de ter escapado da vila, a liberdade era uma experiência    avassaladora. A transição entre as crenças profundamente enraizadas e a    realidade do mundo exterior havia cobrado um preço alto.</p><p>—</p><p>Esse texto não foi escrito por mim, mas sim pelo ChatGPT.</p><p>A conversa com o robô pode ser acessada aqui.</p><p>Eu fiz isso porque eu vi algo em algum lugar onde uma pessoa perguntava para uma    menina de 9 anos se ela queria ser escritora. “Eu quero fazer a parte de pensar,    e não de escrever”. Dessa forma, o entrevistador soube que ela já era uma    escritora.</p><p>Se é pra fazer assim, também sei.</p><p>Em um “agradecimento ao Oscar” ao contrário, peço perdão aos escritores de    verdade, aos meus pais que sempre acharam que eu ia conseguir escrever alguma    coisa desde aquela redação publicada no Diarinho, caderno do Diário do Grande    ABC, aos meus 10 anos e principalmente à minha terapeuta pela visão simplista do    trabalho dela.</p>]]></content:encoded>
    </item>
    
    <item>
      <title>Ainda está uma bagunça, isso aqui</title>
      <link>https://martinha.online/2023/07/13/ainda-esta-uma-bagunca-isso-aqui/</link>
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      <pubDate>Thu, 13 Jul 2023 14:10:06 GMT</pubDate>
      <description>Uma escrita sem regras sobre o retorno ao blog, o vício em validação digital e a conquista do próprio espaço através de limites.</description>
      <content:encoded><![CDATA[<p>Eu não tenho nenhuma obrigação com isso aqui, e é isso que me deixa na paz. Mas    eu confesso que criei um bloguinho porque tinha saudade de escrever, e quando    fui escrever, saiu tudo meio torto, meio sem pé nem cabeça, tipo dia de faxina    mas daquelas que você tira todos os livros da estante etc etc.</p><p>Acho que desaprendi a escrever com o tempo; pode ser que seja porque também    desaprendi a ler direito. Pegar um livro, saborear. Gosto de fazer isso quando    viajo, mas também tenho viajado pouco. E tudo bem.</p><p>Eu fico: Ah, porque não preciso me justificar pra mim mesma. Mas tô aqui    justificando, né? Sempre que eu venho escrever eu me pego nesses loopings, apago    tudo e deixo pra lá.</p><p>Hoje não vou deixar. Lamento. Às vezes a gente precisa fazer algo que não gosta    muito até chegar onde a gente gosta, onde a gente quer. (Meu problema é ficar    para sempre na parte que eu não gosto e nunca chegar na que eu realmente quero).    E também eu tô meio que nessa fase de reconstrução ainda. Não é uma coisa    rápida, não é uma coisa com tempo linear. É mais uma grande bola de uma coisa    wibbly-wobbly, timey-wimey.</p><p>Por exemplo, eu quis vir aqui falar de desmame, um tema super sensível pra mim.    Diz que calada vence né? Eu sou uma grande perdedora, porque sempre me sinto em    dívida com o holofote digital: eu quero contar, dividir, expor. Não sei porquê.    Talvez seja para ganhar biscoito, ganhar validação. Alguém que me diga que estou    indo bem, fazendo a coisa certa, que eu tô de parabéns.</p><p>Essa necessidade patológica de validação me atrasa demais a vida. Me leva para    onde não quero ir e a me sacrificar por demandas que ninguém se importa. Consome    minha energia, me impede de demandar e impor limites.</p><p>O irônico foi que quando comecei a demandar e impor limites, a necessidade de    validação diminuiu. Eu achei que precisava ser o contrário: diminui a    necessidade para poder pedir; mas foi na prática, no fazer, no experimentar, que    eu fui ganhando meu tão sonhado valor.</p><p>E quando eu ganhei meu próprio valor, tudo foi se soltando, azeitando,    melhorando, fluindo. A segurança de merecer ser tratada com respeito, de ter    sentimentos importantes, de não me sacrificar porque “isso é besteira, para de    frescura”.</p><p>Acho que minha cabeça vai se ramificando em tantas coisas, tantas explicações,    justificativas, que o tema principal se perde. Afinal, ele mesmo é um sintoma.    Uma consequência.</p><p>E agora vou publicar isso aqui: sem pé, nem cabeça, nem foco, nem desmame.</p><p>Às vezes as coisas só vão rolando. E tá tudo bem.</p>]]></content:encoded>
    </item>
    
    <item>
      <title>caminho se conhece andando</title>
      <link>https://martinha.online/2023/02/08/caminho-se-conhece-andando/</link>
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      <pubDate>Wed, 08 Feb 2023 14:07:52 GMT</pubDate>
      <description>Sobre desapegar da necessidade de manuais e validações externas para descobrir a própria identidade na prática do dia a dia.</description>
      <content:encoded><![CDATA[<p>então vez em quando é bom se perder.</p><p>eu sou uma menina muito obediente. desde bem pequena, aprendi a suprimir minhas    emoções para agradar aos adultos que me cuidavam. mais que isso: como forma de    lidar com a violência de não ter as próprias emoções validadas e consideradas,    passei a acreditar na narrativa deles sobre mim. dessa forma, eu não me    desenvolvi. apenas aceitei o papel que me foi imposto: o papel de boa menina.</p><p>por algum motivo (talvez o motivo seja esse modelo ser insustentável) meus    terapeutas querem me tirar desse falso-conforto e me fazer pensar por mim mesma.</p><p>mas como todos meus amigos millenials de 30 e poucos quase 40, eu só quero que    alguém me diga quem eu sou e como eu devo me comportar. pode ser meus pais, mas    na falta deles, pode ser a astrologia (sol em sagitário, lua em aquário,    ascendente em áries), pode ser um tarot, búzios, pode ser a própria terapia, uma    lista de sintomas de autistas ou tdah, qualquer diagnóstico serve. um teste da    revista capricho, um colega de trabalho, qualquer. coisa.</p><p>sem isso, eu me sinto perdida como no post passado. eu não tenho referência de    mundo, eu me sinto uma geleia sem esqueleto. como um pássaro caseiro liberado da    gaiola, que não sobrevive na natureza.</p><p>fazer o que você quer é o que mais te assusta</p><p>mas o mundo comunica suas regras. o pinterest é cheio de regras de produtividade,    de auto-cuidado, metas, templates de notion com foco em habit tracker e fazer    mais nas suas 24 horas. ou eu estou mergulhada nisso até os cabelos, por adorar    que alguém me diga o que eu preciso fazer pra ser uma boa menina.</p><p>essa dor de se perder em milhares de referências durou semanas (talvez anos e    meses). e a coisa mais simples foi um exemplo bom pra me tirar desse furacão.</p><p>estávamos almoçando e eu, do nada, desabafei: quero alisar meu cabelo. meu marido    me olhou confuso, sabendo dos meus esforços para definir os cachos, entre    tutoriais, cremes, geleias capilares, etc. eu justifiquei: “ah, nem fica    enrolado, nem liso! nem lá, nem cá!” e ele resolveu minha vida inteira com um    simples: “é por isso que é bonito”.</p><blockquote>    <p>eu sou em mim mesma e eu me basto.</p></blockquote><p>comecei a entender que caminho se conhece andando. e acho que destravei um pouco.    vi que tinha coisas muito pequenas que eu estava segurando, com medo, como se    fosse uma responsabilidade imensa com um grande risco coisas como pintar o    cabelo ou fazer uma tatuagem.</p><p>é nada.</p><p>ainda não sei muito sobre liberdade; a neurose aprisiona. mas… acho que consigo    começar a experimentar.</p>]]></content:encoded>
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      <title>a cada sete anos&amp;amp;#8230;</title>
      <link>https://martinha.online/2023/01/13/a-cada-sete-anos/</link>
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      <pubDate>Fri, 13 Jan 2023 14:01:30 GMT</pubDate>
      <description>Reflexões sobre a renovação das células, a desordem dolorosa da psicanálise e o processo de tentar se reencontrar aos 35 anos.</description>
      <content:encoded><![CDATA[<p>...todas as células do seu corpo são substituídas por células novas, eles dizem.</p><p>Sempre achei isso esquisito, porque pode ser que meu cabelo de hoje seja mais    novo do que sete anos, mas e meus olhos? Se bem que, há sete anos, eles não    tinham astigmatismo e miopia. Meu rosto mudou, com mais linhas de expressão.    Minha pele, o formato dos dedos dos meus pés. As manchas de espinhas no rosto.    Aos 35 anos, já troquei de células 5 vezes. E sempre me sinto à flor da pele.</p><p>Fiz muita terapia na minha vida, mas análise faz um ano. Não conseguia fazer    antes. Precisava de um alicerce, como quem coloca uma lona em casa antes de    começar a obra, como se um plástico grosso pudesse impedir a poeira e a sujeira    de atingirem o que nos é mais caro. Ilusão.</p><p>Eu seguia um psiquiatra no twitter que dizia que fazer terapia era como entrar em    uma biblioteca da mente e tirar todos os livros do lugar que seus pais    colocaram, para re-colocar do seu jeito. E é bem isso mesmo. Uma bagunça. Livro    pra todo lado. Coisa que eu nem lembrava que tinha. Vergonha, raiva.    Ressignificar tudo.</p><p>Pela primeira vez em 12 anos, me senti progredindo. Achei que tinha entendido    algumas coisas. Parado de me olhar e olhar minha história sob as lentes    distorcidas de um óculos que não era meu. Foi estranho e excitante. Como se tudo    que eu soubesse sobre mim e a minha história precisasse ser re-visto,    re-checado, como se eu fosse páginas em branco. Na verdade, acho que estava    vendo talas sobre a ferida, gesso sobre o membro partido. Esse tipo de tela em    branco.</p><p>E logo depois da excitação, como sempre, a onda arrebatou nas minhas costas, me    jogando pra frente e me deixando sem ar. É difícil escrever sem dar exemplos, só    fazendo alegorias amplas, mas é tanta coisa que acho que eu nem saberia    exemplificar de qualquer maneira.</p><p>Só sei que doeu. Já estava doendo antes, é claro, mas quando você vê a ferida a    dor parece que dói mais ao mesmo tempo que faz sentido e rola um alívio. É    estranho.</p><p>Eu tô tão perdida. Eu não sei quem eu sou, eu não sei do que eu gosto e desgosto,    eu não sei o que eu quero e não sei mesmo se eu deveria sequer querer alguma    coisa.</p><p>Vai ver que a vida é não querer nada, e que foi aí que eu errei.</p><p>Vai ver que eu estou sempre procurando perguntas que não existem para respostas    inventadas.</p><p>Vai ver que eu só quero alguma figura de autoridade me dizendo como organizar os    livros, já que agora estão todos no chão e eu não sei o que fazer com eles.</p><p>É cansativo e eu tô exausta. Mas precisa ser feito. E temos no mínimo mais sete    anos pela frente.</p>]]></content:encoded>
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