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Limpeza geral nos salões nasais

Limpeza geral nos salões nasais

Quando me perguntaram, seja no hospital ou entre os amigos, o que eu ia operar, eu respondia isso: faxina geral nos salões. E depois explicava: é um monte de coisas. Septo, corneto, adenoide, o que esse homem puder limpar de dentro da minha cara ele vai limpar.

Eu fiz muitas piadocas dessas. O nervosismo era tanto que as piadas saiam como uma enxurrada da minha mente e eu tentava só tomar cuidado para não ofender ninguém e maneirar no auto-depreciativo. Era tudo que minha cognição estava entregando na hora.

Mas estou me adiantando. Todo esse processo começou bem antes. Eu tentei escolher um ponto de partida, e acho que o mais adequado seria em outubro ou novembro do ano passado quando visitei meu otorrino sem estar doente. Eu sempre ia quando já estava com os ouvidos entupidos de sinusite. Resolvi ir só mais uma vez, sem sintomas, só pra ele olhar, porque eu ia me mudar e quis finalizar o ciclo dos médicos no bairro antigo.

Risos.

Primeiro, para a queixa de ronco, ele marcou uma polissonografia. Eu dei sorte de uma desistência no mesmo dia e ali o choque já foi grande: eu precisava do CPAP e era grave. Com esse resultado, ele pediu para eu usar o CPAP por alguns meses e voltar depois com uma tomografia de face. Era fim de ano, também. Eu estava sem queixas. Tudo certo.

O CPAP absolutamente mudou a minha vida e desde que comecei a usar o médico já tinha assuntado sobre cirurgia. Que não ia resolver o meu uso do CPAP (que é falta de espaço na garganta), mas talvez ajudasse a respirar no dia a dia. Quando eu vi a diferença que era usar o CPAP e tive vontade de usar o dia todo, soube que essa cirurgia ia fazer diferença.

Voltei com a tomografia e novamente ele apresentou a opção da cirurgia. Em nenhum momento ele fez terrorismo, disse que eu era obrigada a fazer nem nada disso. Ele me deixou à vontade para tomar essa decisão, me mostrando todos os lados com sinceridade. Exibi minhas preocupações e ele sanou todas as dúvidas que eu tive com respeito. Inclusive, EU perguntei se emagrecer ajudaria no ronco, e ele confirmou; mas ele não disse para eu sair dali e perder 10kg. Me deu as ferramentas primeiro. Me senti ouvida e respeitada.

Eu estava apavorada, mas sabia que precisava fazer e topei. Esse vídeo me ajudou bastante a tomar a decisão. Não é do meu médico, mas é bem claro.

Fiz os exames pré-operatórios, marquei uma consulta pré-anestésica e esperei. Foi tudo pelo convênio, só paguei a instrumentadora. Foi em um ótimo hospital aqui na cidade.

Agora sim, no dia eu estava tão tensa. Eu tentei desligar a chave geral dos meus sentimentos. Até pro carro de aplicativo, pedi pro Edu verificar, porque eu tava tão nervosa que ia colocar errado. Eu me sentia como em uma viagem: fiz a minha malinha; cheguei 2h antes; fiquei com medo da burocracia dar errado, mas foi tudo certo; aguardei.

Quando finalmente me chamaram, também, foi tudo rápido: vesti o avental, fui levada para o centro cirúrgico, esperei do lado de fora na maca, conversei com todos os profissionais que participariam do processo, me levaram pra dentro, me deram a anestesia e… Eu tava sonhando que estava com meu filho no mercado… aí me acordaram dizendo que o procedimento tinha acabado.

Foi então que uma grande ficha caiu: meu trauma de anestesia geral não era da anestesia em si, mas da embolia pulmonar que estava sentindo quando acordei da anestesia. Na outra, eu acordei apavorada, do mesmo jeito que acordo de noite sem ar. Mas meu cérebro não sabe que está sem ar, então ele inventa seja lá o que for para me acordar desesperada.

Lembrei do vídeo acima e aproveitei que nada estava inchado ainda para respirar. Gente. Me senti na abertura de The Big Bang Theory, sabe, que começa em uma célula e expande para todo o universo? Nossa era muito ar. Um ar puro, limpo, sem cheiro de ranço. Tipo quando você sai de São Paulo e vai pra serra e dá aquela primeira respirada no ar gelado? Foi mágico.

Como me senti respirando de verdade pela primeira vez em mais de 30 anos

O médico falou comigo e com Edu, e eu passei a noite no hospital. Foi tudo bem, de manhã já recebi alta.

Na primeira semana eu só lavei com soro em spray, abundantemente. Tomei anti-inflamatório e antibiótico. Fiquei bem congestionada, mas sem sangramento. Fiquei em casa, evitei pegar sol, abaixar, fazer força. Dormi sem o CPAP.

Na marca de uma semana voltei ao consultório e o médico removeu as hastes de silicone que estavam segurando meu septo. Eram enormes, fiquei surpresa que aquilo podia servir no meu nariz! A cicatrização estava indo tão bem que fui liberada a andar com a scooter elétrica (sem carregar peso), lavar com soro em garrafinhas (alívio imenso!) e depois de uma semana posso tentar usar o CPAP de novo.

No geral, a recuperação parece uma crise forte de sinusite: dói o rosto, incha meio que por dentro. Bem congestionada. Respirando pela boca a maior parte do tempo, a garganta sofre nos primeiros dias. Não tive febre. Precisei deitar algumas vezes, o remédio indicado é uma dipirona pra ajudar. Tive 10 dias de atestado médico porque ficar sentada trabalhando realmente é bem complicado no começo. Não é um passeio no parque, mas ainda foi a melhor cirurgia que já fiz.

Eu ia esperar as próximas consultas para continuar esse post mas acho que ele já está muito longo e denso, então faço um “Parte 2” para o restante da recuperação e alta quando acontecer. Por enquanto, a conclusão é que vale a pena respirar, sim. Sei lá, parece uma coisa meio vital. hehe. Se cuidem, visitem o otorrino de vocês. Às vezes a vida pode ser melhor e a gente nem sabe.

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Published by marta

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