Florianópolis, 12 de dezembro de 2025

Eu hibernei? Faz seis meses que não escrevo aqui. Também não escrevo em diários pessoais nem nada, só em micro-blog. Eu fiquei muito tempo sem ler. Gastando muita energia para sobreviver. Não sobrou muito pra cá. Esse blog é o que vaza.

(Sim, isso mesmo: estou evitando fazer uma tarefa que estou com dificuldade e vir fazer outra coisa não relacionada, como adivinhou?)

Está tudo bem. Mudei de emprego. Voltei a fazer exercício. Tirei uns descansos. Fiquei doente. Tive 3 conjuntivites esse ano. Muitos resfriados. Teve até a vez que eu estourei uma veia de dentro do ouvido apenas assoando o nariz. Top 5 dores da vida.

Na semana passada fiz um aulão de Subvertendo o Design com a Paula Cruz que mudou minha vida. Como pode 6h de conteúdo consolidarem todas as sementes que vinham crescendo nos últimos anos aqui na minha cabeça? Quase como uma colheita de frutos. Alguém, vários alguéns, plantaram várias sementinhas 10, 15 anos atrás; e esse final de semana eu colhi e agora acho que vou fazer umas geléias, uns bolos. Uns posts no blog. Umas fotos, desenhos.

Isso também me incentivou a voltar a ler. Mas ainda tá difícil ler. Ando muito cansada. Trabalhando bastante. Desinstalei Tiktok e Reddit: eles me deixavam com raiva e insegura, eu me sentia remando sempre contra uma maré que não existe. O contrário de comunidade. Troquei por joguinhos desses de combinar gemas, que me permitem não prestar atenção nem no jogo, nem na tv, nem na pessoa que está tentando falar comigo, e principalmente nos meus próprios pensamentos.

Os pensamentos melhoram e pioram. Exercício ajuda. Porque quando você precisa contar até 12 (se der, 15) e depois marcar quando acabou e esperar um minuto passar, não consigo me concentrar em outra coisa, senão me perco (acontece). Mesma coisa dirigir a moto: se eu começo a divagar e conversar na minha cabeça, não presto atenção na rua. Preciso me forçar a focar.


Tenho conseguido dizer mais “nãos”. Não posso dizer “estou aprendendo a dizer não” porque já sei que preciso. Agora estou conseguindo efetivamente olhar para uma dor de cabeça e falar “hmmm não”. Ou estar em uma dor de cabeça e falar “Olha, meu limite é aqui. Daqui vamos precisar procurar outra alternativa. Não consegui fazer.”

E mais importante: esses nãos estão me trazendo realmente a sensação de alívio.

Talvez um dia eu também sinta a sensação de realização depois de fazer alguma coisa.

Quadro 1 - Close no rosto de uma moça sorridente usando rabo de cavalo. Ela está pensando "Finalmente vou sentir o gostinho da vitória"

Quadro 2 - Ela abaixa a cabeça e alguém coloca uma medalha de ouro nela

Quadro 3 - Ela faz uma expressão de nojo como se tivesse acabado de tomar um remédio bem ruim

último quadro - Close na medalha que ela está segurando, na qual podemos ler "feito com preparado sabor vitória"
Quadrinho de Linha do Trem

A última crise que eu tive — além da de tédio e a de estética — foi aquele vídeo que mostra um copo de coca-cola embaixo da torneira ficando cada vez mais claro e limpo, mas ainda demora muito. “Ain porque o processo é assim, aos poucos. Demora”. Eu entrei numa vibe “se depende só de mim, então deixa. Desisto.”.

E acho que desisti mesmo de algumas coisas. Tô vendo o preço das outras. Fiquei mais chata (ainda), pedindo mais coisas no trabalho, enchendo o saco. Fiquei mais vulnerável, dizendo que não consigo. Tirei o corpo fora quando o problema claramente não era meu. Coisas que eu evitava fazer antes porque o preço de ser aceita a todo custo ficou alto demais pra mim, então estou experimentando o preço de não ser. Sempre não fui né, não tem como; mas pró-ativamente não ser aceita faz com que, ironicamente, a gente seja mais aceita.

Ou pelo menos, é menos caro. Já que não vou ser de qualquer maneira.


Estou em processo de largar o Bluesky porque a moderação é babaca. Estou no Mastodon. Estou usando Ubuntu no trabalho e no computador pessoal. Ainda apaixonada pela Apple, sim; quero comprar um computador novo. Mas tem outros gastos na frente.

Apesar de todos os nãos que disse, ainda disse alguns sins que eu não queria fazer. Mas disse com sinceridade. Não quero fazer isso, mas vou fazer porque acho que é mais importante. Madura demais. Um horror. Vou sair daqui, malhar e cometer um méqui pra lidar.

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